Classificação

7
Interpretação
6.5
Argumento
7.5
Realização
7.5
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Depois de uma 1.ª temporada cheia de qualidade, o que esperar do segundo capítulo?

A 1.ª temporada de The Punisher mostrou um Frank Castle só possível num serviço de streaming/cabo. Muitas mortes, sangue e linguagem que tornam a personagem diferente de todas as adaptações dos comics que temos visto na tv. Jon Bernthal parece ter nascido para o papel e já nem consigo imaginar outro grunhido que não o dele. O segundo capítulo veio já depois da mais que anunciada retirada da Marvel da Netflix, ou seja, não é preciso ser mago para perceber que este é o fim da personagem, pelo menos neste formato. É-me difícil imaginar a “limpinha” Disney a explorar isto no Disney+, mas veremos como poderá encaixar na Star, agora que a Marvel readquiriu os direitos da personagem juntamente com Jessica Jones.

A 2.ª temporada de The Punisher começa uns meses depois após a conclusão da primeira, com Frank Castle a tentar reconstruir a vida, mas preso na mesma sina do costume: os problemas parecem cair-lhe no colo… ou nos punhos. Tudo o que anteriormente está presente nestes 13 episódios: mais cenas de ação incríveis, muito sangue, muita pancadaria, ossos partidos, carne perfurada e Frank Castle a sobreviver a feridas (e a recuperar delas) como se de um Deus se tratasse. O maior problema é quando isto não acontece…

Há duas histórias paralelas a acontecer e nenhuma delas cria especial tensão, surpresa ou grande interesse. Por um lado temos Billy Russo/Jigsaw com uma relação previsível com outra personagem, a passar por amnésia (o que em 2019 já é para lá de repetitivo) e a repetir os planos da primeira temporada. Do outro lado, temos uma adolescente irritante, com todos os clichés habituais de rebeldia e sensibilidade por baixo da carapaça. Quando a série abranda, ou melhor, faz full stop, torna-se chata e deixa-nos ansiosos para que alguém comece a disparar algo, nem que seja uma fisga. O ritmo é inconstante e faz questionar porquê, oh porquê?!, que isto não tem apenas dez episódios.

Jon Bernthal continua incrível e Ben Barnes tem mais por explorar na sua personagem. Amber Rose (Dinah) passa toda a santa temporada com os olhos a lacrimejar e Giorgia Whigham (13 Reasons Why) não tem muita culpa do que foi escrito para a personagem. O destaque das novidades vai para Josh Stewart e o seu John Pilgrim. À semelhança do que acontece em Daredevil, há dois vilões e Pilgrim é a ameaça adicionada.

Para os fãs da 1.ª temporada, podem contar com tudo aquilo que vos agradou, menos uma história igualmente cativante. Há um final relativamente conclusivo e satisfatório, por isso não deixem que o cancelamento vos retire a pica. Não consigo deixar de pensar que a temporada foi uns furos abaixo da primeira, mas é apenas a minha opinião e claro que vale o que vale. A Netflix permitiu que esta personagem chega-se ao ecrã mas foi precisamente o “molde” da Netflix que acaba por “arruinar” a temporada.

P.S.: Há ainda uma participação inesperada lá para o final da temporada… alguém que os fãs portugueses conhecem bem…

Vítor Rodrigues