Já começa a ser hábito eu ver séries muito depois de terem começado e terminado também. Isso e optar por séries curtas, com uma ou duas temporadas, já que o tempo às vezes não é muito para me dedicar a outras de maior duração. Na altura em que Crisis foi anunciada, eu tinha terminado há pouco de ver One Tree Hill e estava curiosa em ver o meu querido Nathan noutro papel, mas precisamente por falta de tempo acabei por nunca ver a série. No entanto, a semana passada, lembrei-me de pegar nela.

Eu vejo muitos pilotos de séries, mas não são assim tantos quanto isso aqueles que me fazem seguir para o episódio seguinte. Crisis fê-lo! Aliás, Crisis tem a capacidade de apresentar um piloto bastante sólido e empolgante que me deu vontade de ver mais logo de seguida. Ora, no centro da trama temos um grupo de miúdos do liceu que são raptados e levados para uma casa onde passarão os dias seguintes sob custódia. No entanto, estes não são uns miúdos quaisquer, são os filhos de algumas das pessoas mais importantes e poderosas do planeta. E a questão que se impõe é: o que é que aqueles pais estão dispostos a fazer para terem os filhos de volta em segurança? Matar? Torturar? Começar uma guerra com outro país?

Os raptores colocam os pais destes miúdos em missões ao seu serviço, em busca pela verdade. E que verdade é essa? Uma verdade que não interessa que venha ao de cima, porque irá expor uma instituição e pessoas que deveriam ter como principal preocupação a segurança dos seus civis. Não tiveram. Não tiveram e usaram bodes expiatórios para desviar as culpas. E é então que a presa passa a predador. Admito que a escolha de casting para este vilão não foi a melhor das opções, mas tudo o resto na série funciona bastante bem, a premissa é bastante interessante e o suspense mantém-se ao longo dos 13 episódios, dando sempre vontade de ver o seguinte para descobrir o que vai acontecer.

Foi bom ter o sempre agradável à vista Lance Gross e Rachael Taylor, a Trish de Jessica Jones, servirem como a dupla de agentes encarregues de resolver o rapto. Gostei imenso da dinâmica de parceiros que se formou entre eles e do facto de não lhes ter sido impingido um potencial interesse amoroso um pelo outro. Mais do que isso, gostei do segredo que a Agente Susie Dunn escondia – mas que foi revelado muito cedo na história – e que deu uma certa dimensão emocional a todo o enredo. Foram essas as partes que mais me agarraram, confesso. Meg também. Ao início não consegui gostar da personagem de Gillian Anderson e questionei-me se não teria sido também uma má escolha de casting, mas concluí que eu é que estava enganada. A relação das irmãs e o episódio em que ambas foram capturadas foi, sem dúvida, um dos melhores da série, juntamente com o piloto.

Crisis foi cancelada logo na 1.ª temporada, mas acabou em nota alta, sem pontas soltas, embora tenha havido ali qualquer coisa que poderia ter sustentado uma continuação se a série tivesse sido renovada. Não foi, mas é pena. Crisis pegou numa das coisas mais puras que existe, o amor de um pai e uma mãe pelo filho, e transformou-o numa espécie de ‘arma de arremesso’. Aquilo que sentimos por alguém torna-nos mais fracos ou mais fortes? O que é certo é que nos torna vulneráveis! Para alguns daqueles pais, os filhos estavam acima de tudo o resto; para outros, a vida dos seus não se podia sobrepor à dos filhos de tantos outros. Quando é que se atinge um limite em que a única coisa a fazer é não o ultrapassar? O limite é diferente para todos, mas até onde vai o de cada um?

Fico satisfeita por ter visto esta série, mesmo tanto tempo depois. Agora vou tentar encontrar outra para ver.

Diana Sampaio