A verdade é que a maioria dos amantes de séries veem, sobretudo, produções americanas. Quer porque são elas que são produzidas em maior número, quer porque são de mais fácil acesso a todos, quer porque são essencialmente estas que são transmitidas na televisão portuguesa… Independentemente disso, há uma grande variedade de séries produzidas fora do território americano. Assim sendo, desta vez vamos apresentar-vos uma lista de dez séries europeias que vale a pena ver.

[Nota: de fora desta lista decidimos deixar de fora séries como Sherlock, Doctor Who e Downton Abbey que, devido à sua popularidade, dispensam apresentações. Outras como Engrenages, Les Revenants e Hospital Central também não foram incluídas agora, uma vez que já foram abordadas noutras crónicas do site].

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Death in Paradise: Uma colaboração francesa e inglesa, esta série acompanha Richard Poole (Ben Miller), um detetive very british, sem sentido de humor, nem amor pelo sol e praia, que é mandado para uma ilha caribenha para trabalhar como inspector da Polícia local. No fim da 2.ª temporada,  Ben deixa a série e a ilha e é substituído por Kris Marshall no papel de Humphrey Goodman, um inspetor que tem tanto de bom como de desorganizado e que deseja começar um novo capítulo da sua vida na ilha. Esta mudança de ator principal não produziu uma queda de audiências, deu mesmo origem a uma subida. Outro motivo para acompanhar esta série é a presença de uma portuguesa como atriz principal no elenco. Sara Martins, nascida em Faro, interpreta a detetive-sargento Camille. A série não traz muito de novo no mundo do crime nem tem o estilo CSI, mas agradará, por exemplo, àqueles que gostam de Poirot. Tem um ritmo tranquilo, mas com detalhes engraçados no que toca aos descobrimentos do inspetor e à sua nova vida na ilha.

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Física o Química: Esta série acompanha o dia a dia de um colégio no centro de Madrid. A história começou sobre a visão de um grupo de novos professores, mas com o decorrer das temporadas passou a centrar-se nos alunos e nos seus dramas. Álcool, drogas, sexo, auto-mutilação, suicídio, gravidez na adolescência, homossexualidade são alguns dos temas abordados de forma direta nas diferentes temporadas. Uma das particularidades desta série é a mudança constante de atores e personagens, ou seja, quando um dos alunos termina o secundário, muda-se para a universidade ou segue com a sua vida, e um novo grupo chega para tomar o seu lugar na história. Esta série foi exibida cá na SIC Radical.

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Hospital Real: Esta série espanhola acompanha o dia a dia do Hospital de Compostela no final do século XVIII. Numa época em que o caminho de Santiago era um local perigoso e se vivia uma grande instabilidade política, com a Inquisição ainda a vigorar, Hospital Real é recheada de intrigas, de corrupção e explora alguns podres da Igreja Católica. A série aborda também muito do que era feito no ramo da medicina à data, incluindo o trabalho dos boticários, que tinham ao seu cuidado a preparação dos medicamentos. Claro que também há aqui dramas românticos e vilões, mas a série traz algo de novo na componente histórica que nos apresenta. A 1.ª temporada foi emitida pela RTP2.

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Lilyhammer: Não é The Sopranos, mas conta com Steven van Zandt no papel principal! Não é House of Cards, mas é a primeira série semi-original da Netflix. A norueguesa Lilyhammer acompanha Frank “The Fixer” Tagliano, um gangster nova-iorquino que tenta reconstruir a vida na pacata e isolada cidade Lillehammer, Noruega, após entrar no Programa de Proteção de Testemunhas. Entre a comédia, num estilo atrapalhado e ingénuo, a ação e algum – pouco e nada pesado – drama percebemos que, por mais remoto que seja o lugar, é impossível para Frank escapar e esconder-se da vida anterior porque, uma vez mafioso, para sempre mafioso. Isto tem os seus pontos positivos, porque Lillehammer não era tão divertida e interessante desde os Jogos Olímpicos de Inverno de 1994! Pelo menos para nós e para Torgeir, um rapaz de quem não se espera muito, mas que acaba por ser o braço direito de Frank, leal até ao tutano. Com 3 temporadas de 8 episódios cada, a série terminou em 2014 e até contou com Bruce Springsteen no papel de irmão de Frank (curiosidade: Zandt costuma tocar nos concertos de Bruce Springsteen). Lilyhammer brinca com a sociedade norueguesa, as paisagens são maravilhosas (é tudo muito branco, não para de nevar em Lillehammer), podemos ver algumas cenas no Rio de Janeiro e conta com um leque de personagens engraçados e situações divertidas: porque a Máfia mata, mas é tão absurda que quase que se poderia dizer que mata de riso.

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Lip Service: Não existem apenas lésbicas na Ilha de Lesbos – ou na Califórnia de The L Word – e Lip Service acompanha a vida de algumas delas. Esta série britânica passada na Escócia estreou em 2010 e teve duas temporadas… e muito drama. Do género de partir o coração, a sério. Quando Braun, a criadora, foi desafiada pela BBC a criar uma série de temática lésbica, as duas primeiras imagens que lhe vieram à mente foram uma mulher a chorar num local inapropriado após descobrir que a ex-namorada estava a sair com outra pessoa e alguém a regressar de Nova Iorque a Glasgow e deixar a ex-namorada e o amor da vida num estado de pânico e confusão emocional. Assim surgiram as três personagens principais: Tess, Cat e Frankie. Tem apenas 12 episódios (6 cada temporada) e apesar de não ser a melhor série do mundo, ter algumas falhas e muitos clichés, foi um marco importante na história da televisão. Além do mais, não é aborrecida, vê-se bem e, anos depois, ainda estou afectada por uma das cenas, portanto, no que diz respeito ao drama, não falha mesmo.

 

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Los Serrano: Diego e Lucia reencontram-se depois de vários anos separados. Lucia tem duas filhas, Eva (17 anos) e Teté (12 anos); Diego tem três filhos, Marcos (17 anos), Guille (12 anos) e Curro (7 anos). A paixão reacende e os dois resolvem casar e juntar as famílias. A vida nesta casa é sempre atribulada, principalmente devido à relação conflituosa entre os rapazes e as raparigas, que põe à prova o casamento de Lucia e Diego. Mais tarde, Marcos e Eva apaixonam-se, provocando uma divisão na família e criando bastantes conflitos. Guille e Teté acabam por seguir o mesmo caminho que os irmãos mais velhos. Esta série foi um verdadeiro sucesso e acabou por ser adaptada por vários países europeus, incluindo Portugal, onde foi transmitida na TVI sob o nome Os Serranos, tendo contado apenas com duas temporadas.

Survivors: De origem britânica, esta série centra-se num grupo de pessoas que sobreviveram a uma pandemia – denominada Gripe Europeia – que matou cerca de 90% da população mundial. Por algum motivo, alguns dos sobreviventes parecem ser imunes a este vírus e têm de lutar pela sobrevivência num mundo completamente diferente daquele que conheciam. Uma boa aposta para os fãs de séries passadas em cenários apocalípticos, Survivors foi transmitida em Portugal no AXN Black.

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100 Code: A série sueco-alemã acompanha Tommy Conley (Dominic Monaghan de Lost), um detetive de Nova Iorque enviado à Suécia para ajudar a polícia nas investigações de assassinato de várias jovens. A ele junta-se Mikael Eklund (Michael Nyqvist) que tem as suas regras, digamos, bem definidas. Ao longo dos seus 12 episódios, 100 Code mostra-nos várias investigações com a particularidade de que todos os casos são de jovens loiras com olhos azuis, sendo o primeiro bastante arrebatador. A par disto, as vivências de Lost estão também presentes, seja pela água, droga ou por frases proferidas pelo ator. A colmatar todos estes ingredientes junta-se o fator suspense, também ele presente em cada episódio, deixando aquela vontade de ver o próximo. Por fim, e para os que ficaram interessados, está confirmada uma segunda temporada da série, ainda sem data de estreia marcada. Já agora, em Portugal a série foi emitida pelo AXN.

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Un Village Français: Esta série é passada em Villeneuve, uma aldeia fictícia francesa ocupada pelos nazis no período da Segunda Guerra Mundial. A história começa em meados de 1940, altura em que a presença alemã não parecia mais do que um ligeiro incómodo à vida quotidiana dos habitantes da aldeia. No entanto, com o desenrolar do conflito, à medida que o controlo à população e a perseguição aos judeus se intensifica, tudo muda. A resistência cresce, mas, ao mesmo tempo, surgem também fervorosos colaboracionistas que apoiam a ocupação alemã. É uma perspetiva surpreendente – já que França e Alemanha estavam em lados opostos do conflito – ver que aqueles que reuniam esforços para expulsar os alemães do seu país eram vistos como antinacionais e terroristas pela própria polícia francesa. No entanto, a libertação acaba por chegar com a vinda dos americanos, mas a história não acaba aqui. Un Village Français é imperdível do ponto de vista histórico, mas também muito interessante numa perspetiva humana. Dá-nos a conhecer mais sobre um dos períodos mais negros da história mundial, relevante para que os erros do passado não se repitam. As primeiras seis temporadas foram exibidas em Portugal pela RTP2, mas está prevista ainda uma sétima, que deverá dar o encerramento à história.

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Vis a Vis: Imaginem uma versão espanhola de Orange is the New Black; adicionem mais ação, inclusive fora da prisão, e temos Vis a Vis, um sucesso televisivo espanhol que vai atualmente na segunda temporada. Se o ambiente de OITNB prima mais pela dupla comédia/drama, aqui a dupla drama/thriller deixa-nos completamente agarrados ao ecrã desde os primeiros momentos, fazendo com que deixemos as comparações para apreciarmos totalmente a qualidade única da série. Macarena (Maggie Civantos) é uma mulher que, por amor, se envolve numa situação complicada que acaba por levá-la para a prisão de Cruz del Sur. Aí, a mosquita morta (como é inicialmente apelidada), entende que para sobreviver à pena à qual foi condenada terá que mudar e evoluir para uma versão muito diferente da pessoa que é. A série (que atualmente passa na Sic Radical sob o título “Detidas”) acompanha então o grupo de reclusas e as/os funcionárias/os da prisão e também a família de Macarena, que se vê envolvida numa trama completamente perigosa resultado das ações da filha na prisão. Entre alianças e vinganças, personagens super interessantes e situações que nos deixam o coração mais do que acelerado, temos em Vis a Vis um dos melhores produtos televisivos de sempre.

 

Beatriz Pinto, Diana Sampaio, MB, Ricardo Santos e Sara Pereira Marto