Fleabag é uma das comédias mais aclamadas dos últimos anos e com razão. Baseada numa peça de teatro criada e protagonizada por Phoebe Waller-Bridge, passou para o pequeno ecrã em 2016 e estreou este ano a sua segunda e última temporada. Há imensa coisa positiva a dizer sobre a série, por isso não foi difícil escolher 7 razões para ver Fleabag. Descubram quais são elas:

1 – Phoebe Waller-Bridge/Fleabag: Todos nós estamos cientes da importância de uma série ter um bom protagonista, mas está longe de ser inédito que os personagens principais não sejam sempre os mais cativantes e até há casos em que são os elos mais fracos do elenco. Só que aqui, e por muito que todo o elenco seja esplêndido, é inegável que Phoebe é a verdadeira estrela. Ela encarna Fleabag na perfeição, emprestando muito realismo e humanidade à personagem. Fleabag pode ter muitos defeitos, mas acho que é fácil identificarmo-nos com ela em muitos aspetos. É completamente o oposto de personagens plásticas que se veem em tantas séries. Não há nada de cliché em Fleabag e nunca sabemos o que esperar dela. Consegue surpreender-nos das mais variadas maneiras e não é uma tarefa fácil fazer isso acontecer.

2 – Conjugação perfeita entre bom drama e comédia verdadeiramente engraçada: Tal como já mencionei, não há nada de típico em Fleabag. A série tem um tom cómico muito diferente do da maioria das séries que se inserem neste género, se bem que o meu ponto de comparação são sobretudo comédias americanas que fazem uso de piadas fáceis. No entanto, a comicidade nesta série floresce de forma natural, nada forçada, apoiando-se no seu talentoso elenco – no qual vale a pena destacar também Olivia Colman – e no absurdo da vida e das relações humanas. O humor de Fleabag é sarcástico, inteligente e – numa série em que o praguejar é frequente – consegue não cair na brejeirice. No entanto, apesar dos excelentes momentos cómicos, tenho um grande fraquinho pelo género dramático e foi nas alturas em que a série se inseriu nele que me senti completamente envolvida naquilo que estava a ver. Há verdadeiros momentos de quase levar às lágrimas porque a série tem a capacidade de comover, de criar tensão, de nos fazer sofrer com os personagens. Sem querer avançar muito sobre a narrativa, há algumas cenas em particular, como quando se percebe mais sobre a situação que levou Boo, a melhor amiga de Fleabag, à morte; como quando vemos o impacto que a morte da mãe da personagem principal teve em toda a família ou como quando vemos que o amor de Claire pela irmã mais nova é tão maior do que ela seria capaz de admitir abertamente, que são esplêndidas. É muito bom ver uma série que tem uma forte componente cómica ir mais além, mostrar profundidade e distanciar-se daquilo que comummente é feito.

3 – Os apartes de Fleabag para a câmara: Esta é mais uma característica que torna a série diferente. Além de proporcionar vários momentos engraçados, ajuda-nos a ter um pouco mais de acesso àquilo que vai na mente da nossa personagem principal e cria uma espécie de intimidade com o espectador. A facilidade com que Waller-Bridge encaixa estes momentos no resto da série tornam esta alternância muito suave, o que faz com que tudo resulte muito bem.

4 – A relação entre Fleabag e a irmã: A série tem uma certa aura feminista e as relações entre as mulheres de Fleabag têm um bom destaque ao longo dos episódios. Tenho a confessar que a minha relação favorita de toda a série é mesmo a de Fleabag com a irmã mais velha, Claire. O 4.º episódio da 1.ª temporada é centrado nas duas e foi ele o responsável por me ter viciado na série. As duas irmãs não podiam ser mais diferentes uma da outra, Claire é rígida e Fleabag é a força da natureza que conhecemos, mas a ligação que partilham é muito forte, se bem que complicada. Houve várias cenas relacionadas com as duas que me partiram o coração.

5 – A relação entre Fleabag e a melhor amiga: Boo morreu e deixou um vazio na vida de Fleabag, porque esta não só perdeu a melhor amiga, mas também a parceira no negócio do café e teve de aprender a seguir em frente, dentro dos possíveis, com a sua vida. Boo parece uma daquelas almas puras, uma daquelas pessoas verdadeiramente boas, e a amizade dela com Fleabag é incrivelmente terna. Boo traz ao de cima o melhor da amiga e conhecer pedacinhos da amizade das duas trouxe um pouco de cor a uma série que tem um tom mais dark.

6 – Ideal para uma maratona: Bem, antes de mais, para aqueles que gostam de ver séries com uma boa qualidade de imagem, Fleabag está disponível na Amazon Prime Video e tem legendas em português (se bem que acho que eram em português do Brasil. Por uma questão de preferência, eu escolhi a legendagem em inglês). Cada uma das duas temporadas é constituída por seis episódios, mas não é o reduzido número que torna a série ideal para uma maratona de sofá. É claro que o facto de serem apenas 12 episódios e não 40 ou 60 facilita a coisa, mas acreditem que quando começarem a ver acontece como com as batatas fritas: não se consegue comer só uma, tal como não se consegue ver só um episódio de cada vez. Outra das coisas que me agrada na série é o facto de a sua criadora ter dito que a história está contada. Sempre respeitei muito a decisão de se ir de encontro a uma visão, de se contar a história que é suposto, em vez de se estar a prolongá-la para dar resposta a um bom nível de audiências e críticas favoráveis. Não se deve comprometer a qualidade em nome da quantidade e Fleabag foi extraordinária, portanto prefiro que tenha terminado em nota alta.

7 – Os prémios conquistados: Antes de mais, não quero deixar de ressalvar que só porque uma série ganhou uma data de prémios merece ser vista. Há muitas que conquistaram uma série de troféus e que não conseguiram agarrar-me minimamente ao ecrã. Aquilo que torna uma série boa ou má pode ser muito relativo, portanto tudo se resume aos nossos gostos pessoais. No entanto, prémios como os Emmys existem por algum motivo e funcionam sempre como uma espécie de selo de qualidade chamativo. Na cerimónia deste ano, a série levou para casa seis prémios, incluindo o de Melhor Comédia e Melhor Atriz de Comédia, sagrando-se uma das grandes vencedoras da noite. Confesso que esta quantidade de prémios me deu um empurrãozinho a ver a série. Tinha visto o episódio piloto na altura em que saiu, gostei, mas por falta de tempo não continuei a seguir. Foi desta!

Que bela viagem que foi Fleabag. A sério, vejam!

Diana Sampaio