Classificação

7.5
Interpretação
7.2
Argumento
7.5
Realização
7.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Esta semana, Grey’s Anatomy continua a sua 17.ª temporada com Breathe. Se já viste este episódio, provavelmente percebes o porquê deste título e se ainda não o viste, bem… Considera esta a tua última oportunidade de ver antes de seres bombardeado por spoilers. Isto é, se os conseguiste evitar até agora.

Neste mais recente episódio da série, a escassez de ventiladores do hospital preocupa os médicos, em especial quando uma mãe e a sua filha se encontram em estado crítico devido à COVID-19. Entretanto, a cunhada de Hayes (uma pessoa com esclerose múltipla e, assim, de alto risco) dá entrada no Grey Sloan Memorial com uma pedra no rim. Por fim, Amelia vê-se a fazer de babysitter por um dia.

À semelhança do que tem vindo a acontecer ao longo desta temporada, este novo episódio de Grey’s Anatomy tem um começo um pouco desanimador. Imediatamente após Richard anunciar que o hospital só tem mais cinco ventiladores disponíveis, somos apresentados a uma mãe e filha, ambas com COVID-19, mas cuja gravidade dos sintomas difere: a mãe, Marcella, está internada no hospital, mas a sua filha, Veronica, sofre de sintomas mais ligeiros e encontra-se acamada em casa. No entanto, quando a situação de Veronica piora, levando à sua hospitalização, os nossos médicos vêem-se forçados a escolher entre ventilar a mãe ou a filha.

De forma expectável, Marcella implora aos médicos que salvem a sua filha enquanto Veronica lhes pede que não deixem a sua mãe morrer. É uma escolha impossível, mas que tem de ser feita e é a Maggie que cabe essa enorme responsabilidade. Obrigada pelo protocolo hospitalar a escolher salvar a paciente com maior probabilidade de recuperação, Maggie decide ligar Veronica ao ventilador, enquanto Schmitt se esforça em manter Marcella viva até arranjarem uma outra solução. Felizmente, não têm de esperar muito. Enquanto partilha um momento com Winston, Maggie tem uma epifania: podem modificar os ventiladores de modo a conseguir servir dois pacientes de cada vez, duplicando assim o número de pessoas que podem ajudar com o número limitado de aparelhos ao seu dispor. É uma pequena vitória, mas certamente uma que merece ser celebrada e que proporciona a Grey’s uma pequena (mas necessária) luz ao final do túnel.

Na realidade, este não é o único acontecimento positivo de Breathe. Para Maggie, os motivos para celebrar multiplicam-se quando Winston a pede em casamento – e, é claro, a médica aceita o pedido! Por acaso, gosto imenso da relação entre os dois personagens, pelo que apoio a decisão. A cena proporcionou também um bom momento de verdadeira felicidade, uma mudança de tom bem-vinda nesta temporada.

Ainda assim, o grande highlight de Breathe prende-se com o inesperado regresso de duas personagens do passado de Grey’s Anatomy, que fazem agora uma visita a Meredith na sua praia imaginária. Refiro-me, é claro, a Lexie Grey e Mark Sloan – duas pessoas que não esperava, de todo, voltar a ver na série, e os primeiros cameos capazes de mexer com as minhas emoções. Mencionei em You’ll Never Walk Alone que antecipava este momento e tenho a dizer que não fiquei completamente desiludida com a sua chegada. Descobrimos que os personagens estão juntos nesta vida após a morte (ou, pelo menos, neste lugar criado pela imaginação de Meredith), e que Mark supervisiona Sofia, Callie e Arizona – um momento agridoce e que me puxa de imediato à memória séries como The Haunting of Hill House. Mas a verdade é que os personagens aparecem na praia para relembrar Meredith que esta não deve desperdiçar o tempo que lhe ainda resta e, desta vez em modo WandaVision, que a perda que sente é uma consequência do amor que tem. Estas importantes lições carregam ainda mais peso quando vindas de personagens que viram a sua vida tragicamente encurtada num terrível acidente que, até hoje, me traz lágrimas aos olhos. Parecem proporcionar ainda a Meredith o empurrão necessário para voltar ao mundo dos vivos, onde os restantes médicos começam a tirar a personagem do ventilador.

Pessoalmente, a história de Irene, a cunhada de Cormac, passou-me um pouco ao lado. Não acho que tenha sido mal conseguida, mas num episódio que marca o (breve) regresso de duas das minhas personagens favoritas da série, torna-se difícil prestar atenção a muito mais. Agrada-me que Grey’s tenha algum sentido de continuidade, justificando o trauma de Irene em relação a médicos e hospitais com o que aconteceu com a sua irmã, mas sinto que esta narrativa não fez muito mais que colocar uma nova opção de carreira no radar de Jo.

As cenas entre Amelia e Teddy também são razoáveis, mas nada de muito interessante. Sinceramente, após os eventos de In My Life, esperava mais do que a simples (e óbvia) sugestão feita por Amelia: se não gostaste do primeiro terapeuta que consultaste, procura outro. Já as mensagens trocadas entre Owen e Cristina relativamente à saúde de Meredith foram uma boa adição a este episódio, mas reavivam em mim a expectativa pouco realista de ver Cristina regressar antes do final da série.

De forma geral, acho que Breathe foi um episódio bom para Grey’s Anatomy. Aparece quase como uma canja de galinha, quente e reconfortante naquele que tem sido um contexto bastante negativo. Espero que simbolize um ponto de viragem para esta temporada, e que esta comece a deixar para trás a nuvem negra que a tem assombrado.

P.S.: se não percebeste, a minha referência a Breathe no início deste artigo diz respeito à cover da música do mesmo nome feita por Lexie, no episódio musical da 7.ª temporada da série.

Podes acompanhar Grey’s Anatomy todas as quartas-feiras, às 22h20, na FOX Life Portugal.

Inês Salvado