Classificação

8
Interpretação
7
Argumento
9
Realização
9
Banda Sonora

[Contém spoilers]

O regresso de Doctor Who com este episódio especial, Revolution of the Daleks, é marcado pela viagem ao passado, na companhia dos nossos inimigos favoritos, os Daleks, pelo retorno do tão adorado Jack Harkness e por duas despedidas menos fáceis.

Conhecida por ser uma série que nos atinge a todas as emoções, há várias confissões que tenho que fazer, mas comecemos pelo começo, passo a redundância.

Não há nada que consiga superar o prazer que é ouvir o genérico desta série: um genérico que nunca envelhece, que nos traz aquele arrepio agradável de mais uma aventura incrível pelo tempo e pelo espaço. Depois de tanto tempo à espera, é como voltar a casa e ao conforto de uma série que nos acompanha há muito tempo.

O episódio começa com a nossa Doctor a ser resgatada pelo fan-favorite Capitão Jack. Doctor estava numa prisão Judoon e consegue escapar graças à tenacidade de Jack, que regressa sempre em grande. Logo nestes momentos iniciais, para além do retorno de Jack, a série faz menções honrosas especiais: a Doctor está numa prisão, onde está um Weeping Angel, um Ood e o Silence – abrindo-nos a porta da memória para tantas histórias que já vivemos com esta série.

Quando regressam à Terra, percebem que regressaram dez meses após o desaparecimento da Doctor e consequentemente das vidas dos seus companheiros Graham, Ryan e Yaz.

O regresso dos Daleks é quase uma garantia, seria criminoso haver um Doctor que não tivesse que batalhar contra a raça mais cruel. E posso-vos dizer que foi mais que bem recebido. É engraçado como os Daleks, que o nosso Doctor passa a vida a banir da Terra, arranjam sempre forma de regressar. No entanto, são aqueles vilões que nunca vão deixar mal um episódio desta série. Sejam todos Dalek! Não podia também deixar de mencionar a evolução visual dos Daleks, que, do ponto de vista da realização e cinematografia, está cada vez mais bonita e mais bem conseguida. Pontos extra!

Daleks estes que regressam graças à arrogância de um personagem com quem já cruzámos caminho: Jack Robertson, um homem de negócios americano que arrisca mais do que a sua conta ao tentar utilizar a forma dos Daleks como defensores da segurança nacional terrestre. Há que dar aqui um ponto pela caracterização de Robertson e pelo trabalho que Chris Noth faz ao entregar-nos uma total caricatura de um ridículo americano, bem ao estilo de Donald Trump.

Como fã da série, tive bastante dificuldade em adaptar-me às aventuras desta Doctor. Não por ser Jodie Whittaker a interpretar a personagem, definitivamente não por ser uma mulher, mas até diria mais porque os seus companions não eram nada de interessante e em pouco acrescentaram às aventuras mágicas de Doctor Who.

Yaz acaba por ter um papel mais central neste episódio. Parece ter sido a companion que mais sofreu com a ausência da Doctor, mas, acima de tudo, Yaz é uma relembrança do sofrimento de Sarah Jane quando passou pelo mesmo e a conversa que entretém com Jack é um semblante de uma mensagem para nós, os espectadores. Há que aproveitar a viagem enquanto estamos nela, porque a felicidade que nos traz compensa o vazio da sua ausência. A visibilidade dada a Yaz estaria já a preparar-nos para a despedida final do episódio.

Claro que a nossa Doctor, com a ajuda da sua fam, expulsa mais uma vez os Daleks da Terra, mesmo a tempo de fazermos umas considerações finais.

Não podia deixar de falar na saída de Ryan e Graham, que foi bastante menos dolorosa que outros companions em tempos. Talvez Graham, dos três, tenha sido o melhor companion desta Doctor e por isso seja um pouco agridoce, mas ficou OK. “Bye, Fam“, são as palavras da Doctor. Um curto e grosso adeus que define a forma como me senti com a saída destes dois companheiros. É impossível não comparar despedidas e vem-me rapidamente à memória a dor que foi dizer adeus a Clara Oswald, a Amy e Rory, a Rose e até a Donna. Acabo por ficar com a sensação de que às vezes falta algum sal a estes novos episódios e talvez seja isso que anseio quando há um especial destes.

Comparativamente à temporada que Doctor Who deixou para trás, este é sem dúvida o melhor episódios dos últimos tempos. Ainda assim, sinto-o aquém das aventuras do 9.º, do 10.º, do 11.º ou do 12.º. Queira o destino que este episódio seja um auguro para a próxima temporada e que traga de volta aquele amor por esta série tão especial.

Joana Henriques Pereira