Precisamos de Falar Sobre… 12 Monkeys
| 14 Jul, 2018

Publicidade

O fim de 12 Monkeys chegou e muito ficou por dizer sobre a série… por isso, caros leitores, precisamos de falar sobre o que se passou. O melhor será começar pelas suas origens. A ideia de 12 Monkeys partiu da premissa do filme homónimo de 1995 e essa ideia continua a mesma, mas tudo mudou e para melhor. O Syfy fez um reboot que resultou e mostrou uma versão alternativa de James Cole, o primeiro viajante do tempo, que tenta travar a disseminação de uma praga que vai aniquilar mais de 90% da população mundial.

Não achei grande piada ao filme, mas o que é certo é que o primeiro episódio cativou de tal maneira que 12 Monkeys passou a ser aquela série em que nunca poderia ter episódios atrasados. Mal saía um, a ansiedade por ver o desenlace dos problemas levantados pelo episódio anterior consumia-me. Julgo que esta ansiedade, saudável, é normal em algumas séries, sobretudo nas primeiras temporadas, mas comigo manteve-se até aos créditos finais do season finale e sofri semanalmente enquanto esperava pela minha dose de 12 Monkeys.

A trama

O guião da série é excelente do princípio ao fim; mesmo os momentos mais parados são reveladores e podemos mesmo afirmar que não tem episódios fillers como em determinadas séries intermináveis (não é, Supernatural?). E com um enredo tão complexo, fiquei completamente vidrado no ecrã desde os segundos iniciais até aos créditos finais. Graças à invenção da Dr.ª Katarina Jones (Barbara Sukowa), James Cole (Aaron Stanford) inicia incursões ao passado para travar a libertação do Kalavirus pelo exército 12 Monkeys, liderado pelo The Witness, que pretende criar/formular a floresta vermelha onde a noção do tempo descartará o passado e o futuro, já que tudo existirá no presente. Depressa o grupo de viajantes aumenta e a interação passado-presente começa a criar momentos e resultados que nos deixam de queixo caído até nos começar a doer o maxilar.

O elenco

Com a morte de mais de 90% da população mundial, o normal foi começar com um elenco pequeno. Contudo, a equipa de Cole cresce com elementos do presente e do passado. Cassandra (Amanda Schull) já sabíamos, desde o primeiro episódio, que seria um elemento essencial. As grandes surpresas são o mauzão Deacon (Todd Stashwick) e a doida Jennifer (Emily Hampshire). À partida, Deacon seria aquele que morreria após cinco ou seis aparições, mas Jennifer passou de doida a Primordial, sendo ela a chave do início e do desenlace da investigação de Cole. É verdade que Cassandra e Cole são a alma da série, mas a mesma nunca teria o brilho que conquistou sem a ousadia de Jones, a sabedoria de Jennifer, a lealdade de Ramse (Kirk Acevedo) e o espírito aventureiro de Deacon. A própria Jones proferiu algo do género num dos episódios finais: “começamos isto como um grupo, mas vamos terminá-lo como uma família”. E é este o sentimento que este elenco nos transmitiu, que a força e a complexidade deste enredo levaram a uma união entre os elementos do elenco principal.

O final

O desfecho da série é perfeito e bem planeado. Os dois últimos episódios funcionam como um grande series finale de cerca de uma hora e meia, mas a sua preparação começa desde o primeiro episódio da temporada. E, como sempre, aquilo que se esperava nunca aconteceu… pelo menos da minha parte. Tenho de concordar que Olivia (Alisen Down) foi uma grande vilã, senão uma das melhores vilãs da televisão da década. Ela podia não ter os poderes de Primordial, mas provou que se a vida lhe dá limões, ela não se limitará a fazer uma limonada, mas sim construirá uma cidade mortífera que se teletransporta pelo tempo e espaço para destruir a linha temporal e criar a floresta vermelha. Mal sabia ela que seria a origem do Kalavirus. Quanto ao desenlace do elenco principal, a solução para terminar com os círculos intermináveis foi subtilmente introduzida pelo génio de Jennifer. E esta solução leva-nos a uma reflexão antropológica e sociológica das grandes. Aposto que a minha ex-professora de antropologia, caso conheça a série, a vai começar a utilizar nos seus incríveis e peculiares exemplos relativos à nossa existência e à consequência dos nossos atos e vivências para as gerações futuras. Apesar de lutar para evitar as tão comentadas casualidades, Cole e o seu grupo apenas está a alimentar este círculo vicioso e interminável. A hora e meia final é imprópria para cardíacos, já que adivinhávamos que a existência de alguém teria de ser integralmente apagada do tempo e do espaço para neutralizar a ação de The Witness.

Resta-me apenas congratular o Syfy pela fantástica e indescritível série. Com 12 Monkeys consegue provar que é capaz de construir uma série complexa que não se baseia num enredo por episódio, mas que consegue construir uma teia de eventos num enredo espetacular e imprevisível. 12 Monkeys é uma lição completa de ficção-científica, química, física, biologia, virologia e história. 12 Monkeys mostra que é possível criar algo novo quando se insiste em investir sempre em “mais do mesmo”.

Até sempre, 12 Monkeys!

Rui André Pereira

Publicidade

Populares

Calendário estreias posters grid Julho

O Mapa dos Desejos El mapa de los anhelos

Recomendamos

Séries da TV
Este Site Usa Cookies

Este site usa cookies para melhorar a experiência do usuário.Cookies são pequenos arquivos de texto colocados no seu computador pelos sites que consulta. Os sites utilizam cookies para ajudar os usuários a navegar com eficiência e executar certas funções.