Entre heróis e vilões: Aaron Paul, Pedro Alonso e Luke Evans na SDCC Málaga
| 26 Set, 2025

Publicidade

Arrancou a primeira edição internacional da San Diego Comic-Con em Málaga e o Séries da TV esteve presente para acompanhar tudo de perto.

Se San Diego tem o Hall H, Málaga tem o Hall M. Com capacidade para três mil pessoas, o auditório está com a qualidade esperada de um evento deste tamanho e o primeiro painel também não desapontou. Pedro Alonso, Luke Evans e Aaron Paul estiveram reunidos para discutir a dualidade de personagens, a linha entre o herói e o vilão. Tema nada longe da realidade destes três atores.

Juntar atores que não possuem trabalhos juntos num painel não é muito comum de se ver nos eventos que já frequentámos, no entanto, a ideia de realizar a conversa baseada num tema onde as personagens mais icónicas dos três (Berlín, Gastón e Jesse Pinkman) são, de uma certa forma, heróis e vilões, tornou o primeiro painel da história da San Diego Comic-Con Málaga bastante interessante. 

O apresentador perguntou aos três como eles encaram a mudança na linha entre herói e vilão no atual mainstream, já que a audiência está cada vez mais inteligente e cínica. Aaron Paul diz que um herói não tem que ser necessariamente um bom menino ou menina, há sempre algo de complexo com que o personagem lida e emoções reais. Ele dá o exemplo do clássico Tony Soprano e diz que assistir à luta contra os seus “demónios interiores” e tentar adivinhar o que passava na cabeça dele foi lindo: “Sou muito a favor do anti-herói”.

Luke Evans concorda e diz que o público realmente ficou inteligente: “as pessoas querem-se identificar, não só com o lado bom, mas entender o processo das personagens a que estamos a assistir, seja bom ou não. Sempre que eu fiz um vilão ou um herói ou alguém no meio da linha, tenho que encontrar o ponto certo para fazer com que o público se identifique com a personagem”.

Pedro Alonso deu a visão de alguém que já está há 30 anos na indústria da televisão e diz que a sua sensação é que, nos anos 90, se fazia um papel na TV e os papéis eram óbvios, os maus estavam contra os bons. Também afirma que houve um salto em que os vilões começaram a estar do lado contrário e agora os protagonistas são os antigos antagonistas: “O mundo já não tem referências tão claras, o mundo está a mudar e os valores bons e maus tornaram-se subjetivos.”

Luke Evans san diego comic con málaga 2025 @Alejandro Martinez Velez

O moderador elogiou o papel de Luke na série da AppleTV+, Echo 3, onde interpreta Bambi, um soldado da Delta Force. A história acompanha Bambi, e o seu cunhado Prince (Michiel Huisman), a tentar resgatar a irmã que foi sequestrada, ao mesmo tempo que lida com a relação complicada com Prince. Evans contou que o processo de preparação para a série não foi o mais fácil. Além da preparação física, o elenco encontrou-se com soldados de verdade que contaram as suas histórias: “Eram histórias pesadas que, infelizmente, esses homens e mulheres viram coisas que nunca irão esquecer, há muito dano. Esses soldados talvez nunca mais voltem a encontrar-se, etêm dificuldades em achar a realidade confortável, já que viveram sempre no limite.” Evans afirma que a experiência mais exaustiva da sua vida foi passar 32 dias numa floresta colombiana a interpretar um personagem bêbado.

Por falar em soldado, Aaron Paul aproveitou para contar como foi abordado para Westworld, série de que é fã, e elogiou o trabalho de Lisa Joy e Jonathan Nolan. Paul iria interpretar uma personagem complexa, com uma história bastante dramática, especialmente devido à sua relação com a guerra: “Eu adoro interpretar personagens com trauma, que encontram uma maneira de se reerguer e de sobreviver. Eu sinto que me relaciono com esses personagens de uma forma ou de outra.”

Paul também comenta que quando conseguiu o papel em Breaking Bad, estava num momento muito negro da sua vida, tinha muitos altos e baixos e não sabia quando iria chegar o próximo pagamento. Então leu o guião do primeiro episódio e aceitou participar. Sendo o Jesse um personagem que passa por maus bocados, o ator não conseguia sair do papel fora das câmaras, identificava-se com ele a um nível em que até tinha os pesadelos do personagem. Um momento onde pôde libertar-se de Jesse foi no fim das gravações da 2.ª temporada quando Bryan Cranston o puxou e disse: “Está tudo bem em tirar a maquilhagem por uns momentos e seres apenas tu”. 

Ainda no tópico de Breaking Bad, Paul conta que Jesse só tinha um propósito no guião original, que era levar Walter White ao mundo das drogas e morrer no final da 1.ª temporada e isso seria o catalisador para Walter entrar no mundo do crime e vingar a morte de Jesse. “Depois do piloto, Vince adorou a relação entre essas duas personagens. Acho que ele era um rapaz meio confuso… mas é claro que ele matou, vendeu e produziu drogas e não é inocente de todo, mas o mais interessante é a forma como foi escrito, ainda é humano. Ele tornou-se o coração da série e as pessoas reagiram positivamente. Acho que no início as pessoas o achavam irritante, mas ele cresceu na opinião pública.”

Pedro Alonso conta que houve um momento em que teve uma conversa com Alex Piña (criador de La Casa de Papel) em que pediu para escrever a sua personagem a fazer algo terrível, pois a opinião pública já estava do lado de Berlín, mas Pedro lembrou que a personagem era para ser detestável, que só faz coisas terríveis.

O que gerou muito entusiasmo nos fãs foi ouvir que Pedro acabou de gravar a 2.ª temporada de Berlín e que La Casa de Papel e Berlín mudaram a sua vida: “Seguramente estou sentado aqui por conta dessas séries, que também me abriram muitas portas, não só em Espanha, como no mundo. Berlín também me ofereceu a oportunidade de fazer outra coisas, adoro pintar, produzir, e foi um facilitador de oportunidades.”

Imagens cedidas pela San Diego Comic-Con Málaga.
Créditos: Alejandro Martinez Velez

Publicidade

Populares

calendário estreias posters junho 2026

The Rookie s8

Recomendamos