Há séries que, de tão populares, às vezes parece que já não conseguimos ouvir falar mais delas. Depois existem as que ficam no extremo oposto: aquelas séries menos conhecidas que quase ninguém vê e das quais pouco se fala, aquelas que constam do catálogo de serviços de streaming, mas que basicamente só encontramos se procurarmos pelo nome. É precisamente de algumas séries menos conhecidas, mas das quais gostamos bastante, que vamos falar hoje. São sete sugestões de séries, até porque com o verão as opções são mais reduzidas e não queremos que fiquem sem nada para ver.

Doctor Foster: Não há muitas séries que deixem uma pessoa a pensar “WTF?!” em quase todos os minutos como esta. Os livros de Gillian Flynn conseguem deixar uma pessoa completamente convencida de que o ser humano é, de facto, um ‘bicho’ com uma mente assustadora, mas Doctor Foster é todo um novo nível de absurdo. No entanto, absurdo aqui não pode ser considerado algo negativo. Provavelmente a série não teria resultado muito bem se tivesse tido um grande número de temporadas com muitos episódios, mas com apenas dez, divididos por duas temporadas, é um guilty pleasure perfeito. Vão dar por vocês a pensar: mas o que é isto, porque é que estas pessoas são tão passadas da cabeça e coisas do género, mas também vão dizer: próximo episódio, já, eu tenho de saber o que se segue! Suranne Jones tem um papel incrível, Jodie Comer brilha como de costume e o enredo agarra ao ecrã do início ao fim. Os episódios são compridos, mas nem se dá pelo tempo a passar. A história é a de uma mulher que desconfia que o marido a anda a trair. A partir daí, a sua vida, bem como a do casal e um pouco a de todos à sua volta, dá uma grande volta da qual não há retorno. A série encontra-se disponível na Netflix e é perfeita para uma maratona.

Feel Good: A Netflix faz uma publicidade incrível a várias das suas séries, enquanto outras basicamente só se descobrem no catálogo se se procurarem pelo nome. Na semana em que estreou, Feel Good não passou despercebida no site, mas depois disso a história foi outra. O que vale é que qualquer bom seriólico tem sempre outros amigos seriólicos prontos a recomendarem séries mais desconhecidas e foi precisamente por causa de uma recomendação que vimos Feel Good. A série é um original britânico e tem algo daquela espontaneidade que se vê muito mais nas produções europeias do que nas americanas. Apesar do título, não estamos certas de que esta seja exatamente uma série feel good. Não é propriamente muito pesada, mas pega em questões delicadas como a dependência de drogas e a sobriedade, identidade e a descoberta daquilo que somos e sexualidade, o que lhe confere bastante relevância e pertinência. Os episódios são apenas seis – e curtinhos – e levam-nos a conhecer Mae, uma jovem que faz stand-up comedy e que se envolve numa relação com uma britânica que tem dificuldades em admitir perante a família, os amigos e ela própria a sua sexualidade. A série mostra-nos ainda que uma relação com amor nem sempre é saudável e, de uma forma muito genuína, agarra-nos à sua história e às suas personagens, fazendo-nos torcer para que tudo corra pelo melhor.

Flesh and Blood: Um ponto que é possível destacar nesta série é o seu elenco de luxo, tendo nomes bem conhecidos como Imelda Staunton, Russell Tovey e Claudie Blakley, que nos faz ficar agarrados ao ecrã do início ao fim. A série inicia-se com a morte de um personagem e desenvolve-se a partir desse momento, com flashbacks e flashforwards que nos mostram mais sobre a vida de três irmãos (Tovey, Blakley e Lydia Leonard), da sua mãe (Francesca Annis), recentemente viúva, após esta se apaixonar por um homem e sobre uma vizinha (Staunton) que tenta estar sempre presente na vida destas pessoas (e, por vezes, em demasia). Para além disto, é-nos mostrado que estes irmãos não são inocentes, existindo segredos, mentiras, rivalidades e traições. É uma série com apenas quatro episódios, bem explorados e com bastante informação que nos vai deixar muitas vezes a questionar as ações dos personagens, porém, podemos também considerá-la um ótimo guilty pleasure!

Scott & Bailey: Esta série foi, sem dúvida, uma verdadeira surpresa. É uma série policial, mas não do género a que estamos habituados. Aqui, Janet Scott (Lesley Sharp) e Rachel Bailey (Suranne Jones) são detetives no Sindicato de Incidentes da Polícia de Manchester, trabalhando, maioritariamente, com homicídios. É diferente dado que vemos estas a ter um papel mais de escritório, porém, existem cenas no terreno em que podemos ver o contacto dos membros deste sindicato com outras forças policiais e podemos conhecer melhor estas duas mulheres que, mesmo com as suas diferenças, são um par incomparável. Para além dos casos policiais, há uma história por detrás bastante interessante e que nos prende ao ecrã do início ao fim. Importa ainda mencionar que a ideia da série foi de Suranne Jones, juntamente com Sally Wainwright (com quem trabalhou também em Unforgiven e Gentleman Jack), e as duas tinham como principal objetivo criar uma série que mostrasse o empoderamento feminino. Recentemente, a série foi transmitida na Fox Crime Portugal.

Stella Blómkvist: Se gostas de séries europeias ou de séries em que a língua inglesa não é a principal, então coloca já Stella Blómkvist na tua lista! Esta é uma série islandesa com uma temporada de seis episódios, porém já foi renovada para 2.ª temporada. Com Heida Reed no papel principal, a série conta-nos a história de uma advogada que só aceita casos perigosos, acabando por ser também uma detetive privada. A 1.ª temporada gira em torno de um assassinato ocorrido dentro do gabinete do Primeiro-Ministro islandês, o que a leva a que Stella se veja envolvida numa conspiração política, envolvendo-se pessoal e profissionalmente no caso. Algo que prende muito nesta série é a questão estética, uma vez que possui muitos cenários com cores vivas e minimalistas que acabam por transpor a vida conturbada da personagem principal, algo não muito visível nas séries nórdicas, em que as cores normalmente são frias. Para além de Reed, o elenco principal conta com Sara Dögg Ásgeirsdóttir, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Kristín Þóra Haraldsdóttir e Þorsteinn Guðmundsson.

X Company: Para os fãs de histórias passadas na Segunda Guerra Mundial, X Company é uma série imperdível! Apesar de não ser inspirada em factos verídicos, mostra-nos um lado da guerra que não estamos habituados a ver: o envolvimento do Canadá no conflito. Posto isto, a série mostra-nos um campo de espionagem no Canadá, conhecido como Campo X, que treina e coordena um grupo de cinco jovens recrutas para fazer espionagem por toda a Europa, especialmente em zonas onde a Alemanha Nazi possui maior força. Algo que é possível destacar nesta série é o espírito de equipa. Independentemente de tudo, estas cinco pessoas procuram sempre ajudar-se entre si e mesmo existindo um líder, procuram sempre trabalhar em conjunto. Para além disto, é muito fácil ter empatia por alguns personagens, principalmente pela sua história de vida, porém também vamos ficar muitas vezes “chateados” com algumas decisões tomadas por estes. Ainda assim, e acima de tudo, é muito fácil encantarmo-nos com esta série e ficarmos com curiosidade de saber como tudo se vai desenrolar. No elenco principal da série encontramos Evelyne Brochu, Jack Laskey, Warren Brown, Hugh Dillon, Torben Liebrecht e Lara Jean Chorostecki.

The Widow: Esta série está disponível na Amazon e é daquelas que quando se começa a ver tem que se terminar. A história não traz propriamente nada de muito novo, mas nem por isso deixa de funcionar bem. Kate Beckinsale dá aqui um salto para a televisão, desviando-se do seu habitual percurso no cinema, protagonizando um drama centrado numa mulher que descobre que o marido, que ela pensava estar morto há três anos, afinal se encontra vivo. Isso leva-a a viajar até ao Congo para descobrir a verdade sobre o que se passou e vai envolvê-la em situações perigosas que lhe podem custar a vida. A história está construída de forma a agarrar-nos ao ecrã, o elenco é bom e os flashbacks da vida de Georgina e do marido antes de a desgraça lhes ter batido à porta proporcionam a dose certa de drama a uma série com um ritmo acelerado, sem momentos parados.

Diana Sampaio e Rita Rodrigues