A Alemanha é conhecida pelas séries policiais, que o povo alemão segue religiosamente, e pelas comédias com pouca ou nenhuma graça, mas a verdade é que, se soubermos onde procurar, encontramos séries com bastante qualidade, que metem muitos sucessos mundiais a um canto. Depois de ter partilhado convosco as melhores séries alemãs da Netflix, deixo-vos agora aquelas que considero as melhores produções televisivas alemães que não estão ligadas ao serviço de streaming e que vale a pena ver.

Babylon Berlin: Um sucesso a nível mundial, esta série de época alemã capta a atenção do telespectador logo desde o primeiro minuto. Seja pelas recriações de época bastantes realistas, pela caracterização e guarda-roupa, que parece ter viajado no tempo desde os anos 20, passando pela qualidade do elenco e terminando num argumento e realizações de topo, Babylon Berlin é, talvez, a seguir a Dark, a melhor série germânica já feita. Com o maior orçamento de sempre no que toca a uma série proveniente de terras alemãs, a série segue Gereon Rath (Volker Bruch), um inspetor da polícia de Colónia que se muda para Berlim para investigar uma rede de prostituição, tudo isto numa Alemanha que testemunhava a ascensão iminente de Hitler, numa época de mudanças económicas, sociais e políticas, onde o desemprego e a inflação reinavam. A série conta já com três temporadas, que estão agora todas disponíveis na HBO Portugal. As filmagens da 4.ª temporada estavam planeadas para começarem este ano ou em 2021.

CharitéCharité é uma série de antologia que tem como cenário o famoso Hospital Universitário Charité, em Berlim. A série baseia-se em períodos históricos importantes, retratando-os de forma sublime. Já com duas temporadas emitidas e uma terceira filmada, mas ainda sem data de estreia, a série retrata respetivamente o ano de 1888 e os últimos anos da Segunda Guerra Mundial. A 1.ª temporada concentra-se nos desenvolvimentos científicos da época, retratando personalidades importantes do ramo, como Robert Koch, e seguindo o sonho de uma jovem que se quer tornar médica num mundo de homens. A 2.ª temporada concentra-se então no final da guerra de 1939-1945, nos ideais nazis e nos pecados considerados à época. Um retrato fiel da época, ambas as temporadas apresentam-nos cenários e caracterizações realistas, ao mesmo tempo que nos prendem à narrativa.

Morgen hör ich auf: Premiada, em 2017, com o prémio Golden Kamera para Melhor Minissérie, esta produção foi várias vezes equiparada pela crítica a Breaking Bad, pela premissa de um pai de família que põe a mulher e os filhos em risco ao produzir dinheiro falso para tentar consertar os problemas financeiros por que estes passavam. Esta série dramática consegue prender os espectadores logo no primeiro episódio pela história e pela curiosidade que nos impele a passar para o capítulo seguinte. Com alguns momentos cómicos à mistura, Morgen hör ich auf, livremente traduzida como “Amanhã eu paro”, mostra-nos como uma intenção, que parece inocente, se pode tornar um problema do qual pode ser muito difícil sair.

Deutschland 83/86: Mais uma série de época alemã que teve um grande sucesso além-fronteiras e que por cá é conhecida como Alemanha 83/86. Tal como o nome indica, a 1.ª temporada passa-se em 1983, a segunda, em 1986, e a terceira, que estreia dia 25 de setembro, em 1989, e segue a vida de Martin Rauch (Jonas Nay), um jovem alemão que vive na Alemanha de Leste (RDA) e que é obrigado a tornar-se espião na Alemanha Ocidental (RFA). A trama está muito bem construída, mantendo o telespectador agarrado ao ecrã e a série conta com um excelente desempenho por parte dos atores. A 2.ª temporada passa-se numa época em que o comunismo começa a perder terreno, a Rússia retira o seu apoio à Alemanha Oriental e o apartheid continua a ser uma realidade na África do Sul. Um aparte, mesmo se a série não fosse boa, valia a pena ver só para ouvir Jonas Nay a falar um português quase perfeito.

Mitten in Deutschland: NSU: Baseada em factos reais, NSU – Alemanha Proibida, em português, é uma minissérie de três episódios sobre uma série de ataques levados a cabo por um grupo neonazi, em que cada episódio é contado de um ponto de vista diferente, tal como o título de cada parte indica: as vítimas, os criminosos e os investigadores. Com um elenco de luxo, a série mostra-nos uma realidade que ainda hoje assola não só a Alemanha, mas todo o mundo: o racismo. Com imagens por vezes fortes, a série retrata sem pudor a desumanidade dos atacantes, a dor das vítimas e o medo de uma comunidade minoritária. Uma série que, apesar de retratar um acontecimento passado, é um exemplo de uma realidade continuamente presente.

Bad Banks: Em português, Crise, esta coprodução germano-luxemburguesa retrata os jogos de poder e de manipulação no mundo financeiro. Protagonizada pela jovem atriz já galardoada pelo papel em Bad Banks, e não só, Paula Beer, ao longo dos episódios vamos vendo como uma oportunidade de trabalho agarrada pela personagem principal leva a uma reviravolta enorme na sua vida, sendo levada ao limite e tendo de decidir aonde quer ir para ser bem-sucedida na sua carreira. Já com duas temporadas, a série mostra-nos os bastidores de um mundo que não afeta só as pessoas envolvidas no sistema, mas sim toda uma população global.

Quanto a ti, que séries alemãs achas que vale a pena ver?

Cláudia Bilé