[Pode conter spoilers]

Save the Cheerleader, Save the World“.  Todos os fãs de Heroes se lembram certamente desta mítica frase que tanto deu que falar quando estreou na NBC. Com o ‘inesperado’ final da série, cinco anos depois e após uma prequela online (Dark Matters – 2015) chegou Heroes Reborn, mas terá sido necessário “renascer” a série?

Lembro-me de passar os meus sábados à tarde sintonizado à TV a ver Heroes. Era uma série que abordava algo que sempre me intrigou, remetendo para a possibilidade dos seres humanos conseguirem exercer habilidades extraordinárias, o que impunha a questão de como seria o mundo. Regeneração, voar, teletransporte, controlo de mente e outras tantas habilidades que foram reveladas durante as quatro temporadas de Heroes. Enquanto uns tinham como objetivo salvar ‘o mundo’, outros tentavam impedir que isso acontecesse. As primeiras temporadas tiveram uma qualidade elevada, pois agarravam o telespectador e deixavam aquela ansiedade de ver o próximo episódio.

Contudo, a série foi perdendo ‘habilidade’ e acabou por chegar ao fim. Um fim que, por um lado, surpreendeu tantos milhões, mas por outro já se esperava que fosse acontecer: a revelação das habilidades aos seres humanos. Com o fim, era expectável que a série regressasse um dia, já que podiam voltar a pegar na história de alguma forma e assim foi. A chegada de Heroes Reborn este ano, com 13 episódios, prometia dar que falar, mas será que conseguiu?

Depois de Claire se ter revelado ao mundo como uma EVO (abreviatura para humanos evoluídos), existiram claramente alterações na forma de ver a série: em Odessa ocorreu a primeira convenção de humanos e EVOS, onde todo o mundo parece estar bastante feliz e crente na ideia de uma sociedade conjunta, enquanto em Heroes era impensável ver reveladas tais habilidades. Quando tudo parecia estar enquadrado para uma convivência entre humanos e EVOS, eis que a convenção sofre um grande ataque e, claro, para quem vão as culpas? EVOS, claro está. A partir daqui basta ver a série para saber o que irá suceder.

Confesso que quando vi a antestreia de Heroes Reborn, através do SYFY, esperava mais da série! Fez-me recordar os brilhantes momentos que vivi a ver Heroes, mas fiquei com um pé atrás sobre o que poderia estar para chegar. A juntar a isto, claro que já vinha o desânimo de nomes como Claire Bennet (Hayden Panettiere) e Peter Petrelli (Milo Ventimiglia) não estarem presentes nesta aventura. Ainda assim, continuei a ver a série, mas de episódio para episódio eram mais os motivos que me estavam a fazer perder a vontade de ver a série do que aqueles que me agarravam para continuar. E diga-se que aqui entre a equipa do SdTV, quem acompanhou a série tem uma opinião maioritariamente igual à minha.

Agora que a série terminou, é possível fazer um balanço geral do que se passou e para mim Heroes Reborn resumiu-se aos três últimos episódios, pois nestes mesmos episódios senti a presença de Heroes, fez-me recordar os bons velhos tempos de uma série que marcou gerações. Ainda que o último episódio seja a correr, onde a informação é literalmente injetada, notando-se claramente a ‘pressa’ para mostrar tudo aquilo que era preciso revelar, não deixou de ser emocionante recordar um certo e precioso momento… Se Heroes Reborn trouxe algo de novo? Possivelmente não. É claro que existiram novas habilidades (como o da Miko Otomo para os amantes de vídeo jogos, Phoebe Frady, que controla a luz e sombras, anulando habilidades, e ainda o da Malina, que controla basicamente todos os elementos); novos vilões (uns que eram bonzinhos e passaram a maus da fita e a tão falada Erica Kravid); novos interesses, histórias e emoções.

Se a série merece ser vista? Não é por 13 episódios que vão ‘perder’ grande tempo da vossa vida… Vão sentir a presença de Heroes e reviver alguns momentos, mas não criem muitas esperanças se ainda não viram a série. Dificilmente chegará aos pés da original, mas não estou com isto a dizer que não possam adorar a série, cada um tem a sua opinião e esta é a minha.

Colmatando tudo o que aqui disse, esperava mais de um regresso que tantos aguardavam com entusiasmo e no fundo não passou, para mim, mais de uma ansiedade de ver o que iriam fazer com a série do que outra coisa. Ainda que, e volto a frisar, os últimos episódios da série fizessem recordar a essência da mesma. Apesar de todas as falhas que podem ser apontadas, foi bom reviver, mas no fundo, ficamos na mesma… ou não?

E tu, o que achaste de Heroes Reborn?

Ricardo Santos