Zoey’s Extraordinary Playlist é uma série de género musical que teve a sua estreia em janeiro pela emissora NBC. Criada por Austin Winsberg, é uma comédia romântica ao estilo musical que prima pela diferença no enredo e que conta a história de Zoey (Jane Levy), cuja maneira de ver o mundo muda, e muito, depois de uma ressonância magnética. Com um elenco que se pode considerar de luxo, com vozes excelentes e muito diversificado, aqui ficam sete das 70 razões por que devem ver Zoey’s Extraordinary Playlist.

[Poder conter spoilers!]

1 – Género musical

É um género um pouco controverso. Há quem adore, há quem odeie. Eu gosto. Há musicais e musicais. Este é um dos muito bons, pois não é aquele argumento típico a que estamos habituados. No primeiro episódio conhecemos Zoey, uma informática que não gosta de música e que tem fobia de sítios fechados até que tem de fazer uma ressonância magnética. Durante esse exame, dado o nervosismo, o enfermeiro diz-lhe que será melhor ela ouvir um pouco de música para que se acalme. Durante o exame há um curto circuito e a partir daqui a vida de Zoey muda por completo. Basicamente passa a conseguir ouvir os sentimentos das pessoas via canção. Literalmente.

2 – Banda Sonora/ Músicas

Ao longo de 12 episódios somos presenteados com várias músicas conhecidas e muito bem interpretadas por parte do elenco. Músicas que expressam todo o tipo de sentimentos, desde tristeza, alegria, euforia, amor… E Zoey tem de escrutinar e perceber todos esses sentimentos e tenta sempre ajudar as pessoas que ‘lhe cantam’ certa e determinada música. Essa parte foi interessante, pois como ela não gosta nem se interessa por música, nem sempre conhece aquilo que lhe é cantado e costumava perceber o porquê pela letra. Para a ajudar conta com Mo (Alex Newell), de género não-binário e vizinho de Zoey, artista por natureza, que tem a música no sangue, e que conhece agora uma nova forma de ver a vida graças a Zoey, que se torna a sua melhor amiga. As músicas ao longo do episódio não são saturantes e acabam por ser apresentadas de maneira diferente de outros musicais como Glee ou Crazy Ex-Girlfriend.

3 Performances

Nesta série não são apenas as músicas que são extraordinárias. Todos os episódios tiveram performances por parte do elenco que vão ficar na história dos musicais em televisão. Uma das primeiras músicas que Zoey ouve: Help, de The Beatles, é cantada por todas as pessoas por quem passa na rua e pensa que está maluca, pois todos cantam para ela, mas na realidade só ela é que consegue ouvir. A série conta também com várias performances de dança muito bem conseguidas, mas a que apenas Zoey consegue assistir devido aos seus “poderes” musicais. Essa parte acaba por ser muito interessante, com cenas muito bem feitas, pois o espectador é presenteado com ambas as versões, tanto o que acontece em estado “normal” como a performance em si.

4 – Elenco

É impossível escolher uma personagem preferida. São todos excelentes atores, cantores e dançarinos. Desempenham personagens com substância, que têm problemas na sua vida e é Zoey que os une e que consegue perceber o que estão a sentir através das canções, acabando por tentar usar os seus “poderes” para o bem e ajudá-los a lidar com as próprias emoções. O elenco conta com várias caras conhecidas do público, algumas delas que não tinham veia musical conhecida: Max (Skylar Astin), lord of friendzone de Zoey; uma das minhas personagens favoritas, Skylar, tem talento em todos os seus poros; Simon (John Clarence Stewart), colega de trabalho e crush de Zoey; Mitch (Peter Gallagher), o pai de Zoey que tem uma doença neurológica que afeta a comunicação; Maggie (Mary Steenburgen), mãe de Zoey e a principal cuidadora do pai; e Joan (Lauren Graham) – sim, a eterna Lorelai Gilmore! – é a patroa de Zoey e deixem-me dizer-vos que interpreta uma das melhores personagens da série.

5 – Argumento “Fora da Caixa”

Não é uma história complexa, nem tem um super argumento onde as personagens todas morrem durante a disputa de um trono, mas é diferenciador pela narrativa que adota. A personagem principal também tem poderes, mas não usa máscara nem capa e também não precisa de esconder a sua identidade. É uma história sobre pessoas reais com problemas reais e onde a música é uma forma de expressão, de sentimentos muitas vezes renegados e/ou que não devem ser revelados. É interessante ver o paralelismo que há em vários episódios, pois por norma era Zoey quem ouvia as canções, até que num deles ela própria canta os seus sentimentos a toda a gente. Hilariante!

6 – Vibe

É uma série que canta e encanta e que te emociona: ris e choras num só episódio. É um turbilhão de emoções onde a música te passa vibrações muito mais fortes do que se pode imaginar. Tem uma vibe leve, cómica e romântica, como já tinha referido, mas expressa dramas da vida real que são ultrapassados da melhor forma pela música, por canções fortes e explícitas dos sentimentos das personagens. De um momento para o outro uma pessoa pode passar de feliz a triste e a música é o ponto de ligação.

7 – Genérico (intro)

Numa série romântica, com dramas pessoais que acontecem muitas vezes na nossa vida, como perder alguém ou gostar de uma pessoa e esse sentimento não ser retribuído, não imaginamos que as introduções são sempre uma interrupção por uma guitarrada de uma asneira de qualquer um dos personagens. É uma forma super divertida de começar o episódio e que tinha de ser destacada aqui, pois é diferente do habitual e acaba por ser irreverente e cómica numa série que tem um tom mais dramático e familiar.

Para todos os amantes de séries musicais esta deve sem dúvida entrar na lista. É original, especial e é possível apaixonarmo-nos pelas histórias das personagens, com a música a ajudar a derreter corações e a transparecer emoções.

Margarida Rodrigues Pinhal