Classificação

10
Interpretação
10
Argumento
10
Realização
10
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Começando pelo mais importante: adorei o episódio. Em geral, julgo que foi um final de temporada muito bom e sólido, apesar de termos tanto a acontecer. Admito que não chorei, mas fiquei chocada algumas vezes, triste e feliz noutras tantas. Embora não tenha caído uma lágrima, tenho de dizer que a banda sonora e a edição neste episódio estiveram perfeitas e ofereceram-nos dois momentos catárticos muito bons: quando Jack estava a celebrar o seu primeiro aniversário e quando é pai e vemos todos aqueles arquivos de Rebecca (já agora, fui a única que pensei que a filha de Jack se ia chamar Rebecca e fiquei um pouco à toa com o nome Hope?). Uma das razões para não ter tido “tempo” de chorar foi o facto de me ter forçado a estar super atenta. Sejamos honestos, na maioria dos episódios de This Is Us há elementos escondidos e que estabelecem ligações e claro que é preciso atenção, mas ao longo das temporadas tenho-me apercebido que o episódio final é um clímax e eu dediquei-me a ele a 100% para que nada me passasse ao lado.

Vou ser sincera, não sei muito bem por onde começar esta review, sendo que só me apetece saltar para teorias. Falemos em algo que a série já tem feito e que, na minha opinião, o faz sempre com grande mestria, a introdução de estranhos e o seu impacto na vida da família Pearson. Muita gente ficou confusa com o aparecimento de Sadie, a filha do médico de Madison e imaginam que existe qualquer coisa mais a explorar. Por muito que possa haver, acho que ela cumpriu a sua missão neste episódio – as palavras sábias que disse ao pai tiveram tanto impacto que o mesmo as utilizou para convencer Madison a contar a Kevin da gravidez. Há também quem especule que o médico possa ser um filho (tenho lido teorias bem estranhas, do género “Kyle nunca morreu, o Dr. K ficou com ele e agora ele é o médico de Madison”) ou genro do Dr. K; mas fico-me pela teoria de que ele é um estranho por completo e que talvez seja um símbolo do Dr. K; tal como este guiou Jack e Rebecca (e que lindo que foi o flashback), este guiará Madison e Kevin.

Também Madison e Kevin são estranhos um para o outro, referem várias vezes ao longo do episódio não saberem nada um sobre o outro e, mesmo assim, é cada um deles que proporciona ao outro uma mudança radical na vida – outra vez a mostrar a importância que os estranhos têm na nossa vida e a importância de sabermos estar abertos a recebê-los (com isto não estou a aconselhar abrir a porta a estranhos e afins; acho que perceberam!).

Quanto à gravidez, mal vi Madison no consultório percebi logo tudo. Não sou das que ficou chateada com a notícia, especialmente depois de ouvir o que Madison sente e tendo em conta o que ela passou. Ainda assim, concordo que possa ter colocado Kevin numa posição constrangedora. Ele não é o tipo de pessoa que estaria bem sabendo que um filho dele andaria aí no mundo e que não o conhecia, quanto mais dois… Embora ache que foi um pouco encostado à parede, também acho que foi algo necessário para o seu crescimento enquanto pessoa (já agora, parabéns por estares um ano sóbrio!). O romântico que sempre procurou a sua história de amor encontra-a nos seus filhos. Aqui surgiram mais questões: mas e porque mostram Sophie? Porque mostram Cassidy? Na minha opinião, elas aparecem quando Kevin está a desabafar sobre estar cansado de perseguir fantasmas, por isso acredito que elas sejam os fantasmas e que estejam enterradas até data indeterminada. Se gostava que ele ficasse com Sophie? Sim, porque é um amor épico – mas às vezes as coisas não são para ser e há mais do que uma maneira de encontrar a felicidade.

Sobre Cassidy, quando Nicky menciona Kevin ela parece ficar abalada… daqui surgem teorias de que ou ela teve um relapso na bebida ou está também grávida. Confesso que não formei uma opinião neste tema. Já com Nicky, vemo-lo ao lado de Rebecca no futuro e está a usar uma aliança. Casou com Cassidy? Estará a fingir ser Jack porque Rebecca atingiu um estado mesmo mau? E onde está Miguel nesta cena toda do futuro? Quanto a isto, gosto de pensar que ele não casou com Cassidy porque parece-me estranho tendo em conta a personalidade de cada um dos personagens e talvez a segunda teoria seja a mais acertada… Ou então, quem sabe encontrou mesmo o amor? Miguel provavelmente falece nos anos seguintes. O que me leva a…. Kate.

Continuamos sem saber se está viva ou não no futuro, se ela e Toby se divorciaram ou não. Tendo em conta as linhas temporais, sabemos que Jack é um pouco mais velho que os gémeos de Kevin, que no futuro não parecem ter mais de doze anos, logo numa cena de outro episódio em que o Toby diz que “eles estão a caminho”, nunca poderia ser Jack e a sua mulher. Poderá ser Jack, Kate e Hailey. Há também quem especule que Hailey, a irmã adotiva de Jack, possa ser mais velha do que ele e, por isso, o “eles” possa referir-se aos dois. Não sei muito bem, mas pressinto que na próxima temporada vamos finalmente descobrir o destino de Kate.

Fiquei muito contente com a notícia da adoção e toda a correlação de os Pearson terem um bom historial nesta matéria. Admito que não adivinhei que a rapariga do museu seria a irmã de Jack, só mesmo quando saiu a correr em direção ao hospital. Estou curiosa por saber mais sobre ela, até porque adoro a atriz. Quanto a este assunto surgem as questões: porque é que quando ela descobre que é uma menina diz “obrigada, Deus, por ser uma menina” e porque é que não há sinal de Toby e Kate neste segundo futuro onde o seu filho está a ser pai? Para isto não tenho qualquer resposta e lanço-a a vocês. Há quem ache que Jack não parece estar cego e que Kate morreu e lhe deu os seus olhos, mas acho que não é assim que as coisas funcionam. Ainda sobre este tópico, adoro Jack e Lucy enquanto novo casal que nos foi introduzido nesta temporada e espero ver muito mais da sua dinâmica.

Vamos lá entrar na reta final: Kevin e Randall. No meio disto tudo, a minha personagem favorita de sempre mantém-se: Beth. Tal como já todos devemos ter concluído, o que Randall fez com a mãe foi uma manipulação ao mais alto nível e injustificável e obviamente muito derivado de complexos de controlo e não só, com o seu próprio irmão. Beth consegue distanciar-se e ver que o que o marido fez está mal, mas mantém a sua lealdade, pois sabe que é um momento delicado na vida do mesmo. A discussão entre os irmãos tinha de acontecer e já foi tarde. Não me quero alongar muito nesta parte porque vimos todos o mesmo e não há muito por onde conspirar. Embora continue a achar que a gota de água foi mesmo a ação de Randall e que a mesma é quase “imperdoável”, tudo o que foi dito por ambos foi terrível. Acho que não vale a pena dizer: Randall foi pior ou Kevin é que foi. Randall chamou falso ao irmão, acusou-o de abandonar a família, disse-lhe que o pai tinha vergonha dele e que ele estaria para sempre não na sombra do pai, mas na do próprio Randall… Kevin assumiu que se estivesse lá na noite do incêndio tinha salvado o pai (aqui eu só disse para o ecrã: adivinha? Não estavas…) e a última fala: o pior dia da vida dele foi quando trouxeram Randall para casa. Tudo isto pode parecer uma discussãozinha de irmãos e deitado da boca para fora. Embora possa ser uma discussão de irmãos, paremos de romantizar os laços familiares e admitamos que eles sentiram mesmo tudo o que estavam a dizer e que já o armazenavam há muito tempo. Claro que têm amor um pelo outro, mas isto era inevitável. Falta saber quais serão as consequências, até quando dura a zanga. Pela cena do futuro não dá para perceber totalmente se estão bem ou não. Nunca voltarão a ser os mesmos, resta saber se recuperam disto mais fortes ou mais afastados. Algo que me deixou a pensar… Rebecca aceitou ir para a clínica e sabemos que são nove meses e que ela estava quase de partida no aniversário de Jack. No entanto, na celebração dos 40 anos dos Big Three na cabana, ela está presente. Será que não foi para o tratamento? Será que foi e é possível fazer intervalos para ir a festas? Não sei.

Este episódio fez um equilíbrio perfeito sobre o que é a vida: no meio de todos os momentos maus, há sempre esperança (Hope) e céus azuis pela frente (tal como na canção que o Dr. K apresentou aos Pearson).

O elenco está de parabéns pelas performances maravilhosas que nos ofereceu durante toda a temporada, mas em especial neste episódio e toda a equipa de maquilhagem também (se bem que achei Rebecca muito acabada mesmo, tendo em conta os anos que passaram). Agora é esperar que o coronavírus não estrague muito os planos e em setembro tenhamos esta série que nos é tão querida de volta. Caso tenham outras teorias não se esqueçam de comentar!

Ana Leandro