Classificação

8.8
Interpretação
8.4
Argumento
9.8
Realização
9.2
Banda Sonora

Atenção, esta review contém spoilers.

O segredo para uma boa história nem sempre está no conteúdo, mas sim no modo como a história nos é contada. Esta semana tivemos um episódio um tanto ou quanto minimalista, sem grandes surpresas ou progressos significativos no desenrolar da trama de This Is Us. Mas houve um cunho muito pessoal que desmontou este episódio em pequenos contos que compuseram este Storybook Love.

Assim foi, com separadores a anunciar o início de cada pequena cena, cenas essas sempre com direito a nota introdutória Jack-Rebecca aquando da sua mudança para a então “casa nova” e logo depois transportando-nos para o pós-Jack, pouco depois da mudança para a seguinte “casa nova”. Belo balanço que foi conseguido entre essa dinâmica entre os dois períodos, com os momentos ternurentos Jack-Rebecca a deixarem-nos de sorriso no rosto e preparados para o ambiente “enevoado” do outro tempo, numa altura em que, precisamente, todos tentam seguir em frente com as suas vidas!

Neste livro de contos de paixonetas, parece que todos se suportaram no romance para concertar os corações despedaçados. Uns acertaram, outros precipitaram-se e outros estavam só à descoberta, mas os três irmãos estavam em sintonias diferentes, cada um a construir a sua própria história. Ao leme do barco nesta fase atribulada, uma super Rebecca e uma doce Mandy Moore que nos brinda mais uma vez com a sua voz melodiosa e com todo o seu talento que sempre me convence desde o carinho e química com Jack até à dura realidade da época mais complicada.

Quanto a mim, o episódio podia ter-se ficado por essa dualidade que funcionou na perfeição. De qualquer dos modos guardaram ainda tempo para não nos esquecermos do atual momento de Kevin, Cassidy e Nick (que acho que mereciam ter um episódio somente focado neles), problemas de hereditariedade com Randall e uma grande surpresa para Kate e para o seu filho que deverá ter muito impacto no seu futuro.

A hereditariedade e a genética são de facto curiosas – Randall sofre com o facto de ver na filha a sua característica que mais o atormenta: os ataques de pânico. Já William (que tivemos o prazer de rever em cena) tinha passado pela mesma mágoa. Mas esse é o reverso da medalha, porque se pensarmos bem em tudo o que já conhecemos, sabemos que Tess herdou muito mais e melhor de Randall, tal como este herdou do seu pai biológico.

A simplicidade foi o ingrediente que tornou Storybook Love num agradável episódio. E sabem quem foi o responsável pela abordagem distinta, sabem a quem foi entregue a realização deste episódio? Ao próprio Milo Ventimiglia, que nos convidou a entrar em cada cena com as suas breves “notas introdutórias” – não está nada mal neste novo papel.

André Borrego