Classificação

9.2
Interpretação
8.8
Argumento
9.2
Realização
9
Banda Sonora

Atenção: contém spoilers.

Flip a Coin foi um episódio bastante calmo do ponto vista emocional, mais do que o habitual devo dizer, mas no que toca a entretenimento foi muito satisfatório. Foi um episódio leve e engraçado, que me conseguiu arrancar gargalhadas inesperadas de núcleo em núcleo e de tempo em tempo. Foi bem-sucedido ao demonstrar a incerteza de algumas decisões que por vezes tomamos “quase por moeda ao ar” e por instinto, mas que no nosso subconsciente são ponderadas de algum modo que pode escapar ao nosso controlo.

E o que melhor do que arrancar gargalhadas à custa de sogras/sogros? Sabemos que é um tópico recorrente para piadas, mas This Is Us deu-lhe uma roupagem nova para abordar estas relações tão características e ao mesmo tempo tão enigmáticas: o que me ri ao ver o interrogatório de Randall ao “potencial” namorado da filha – ao nível de interrogatório criminal. Randall é o melhor em tornar-se incrivelmente e awkward e em gerar momentos completamente desconfortáveis para as suas filhas, e tão engraçados para os espectadores.

E quando veio à baila o assunto de Malik já ter uma filha, tendo ele apenas 16 anos? Totalmente impagável a expressão de surpresa/colapso que se apoderou de Randall quando se apercebeu dessa informação que teimava em não processar. Não sei se há muito espaço aqui para Randall e Beth darem o beneficio da dúvida depois desta revelação bombástica, ainda que o restante episódio nos diga que podiam aprender algo com os erros de Carol em termos de avaliação de primeiras impressões.

Randall foi “o sogro” e “o genro” no presente e foi “o genro” no passado, no seu primeiro encontro com a mãe de Beth. Beth foi “a nora” no passado ao conhecer a sua sogra (sogras bem diferentes apesar de atravessarem momentos similares na vida). A dinâmica Randall-Carol passou da vergonha/educação máxima inicial típica de primeiro encontro para o à vontade para comentários de reprovação e picardia, e permitam-me dizer, com razão porque aquela Carol é cá uma peça…

Tenho uma relação quase de segunda mãe com a minha sogra e por isso não sinto na pele estes típicos arrufos sogros-genros, e talvez seja esse o motivo que me dá o desprendimento para continuar a achar tanta graça aos arrufos alheios e geralmente inofensivos. This Is Us conseguiu retratar este típico quadro com muita pinta. Já gostei bem mais deste episódio para Randall e Beth e o seu núcleo do que nos anteriores.

Gostei mais uma vez da dinâmica do trio Kevin-Cassidy-Nick, que está a ser, para mim, a parte do episódio por que mais anseio a cada semana e com a qual mais me divirto. Três inadaptados a ajudarem-se uns aos outros é hilariante. E este caminho de despedida do The Manny, algo do qual Kevin se quis largar com tanta veemência no passado e que agora o deixa tão nostálgico por ver que chegou ao fim foi algo de muito interessante

E a mensagem final de Kevin para a mãe no passado também permite explorar algo que tinha ficado no ar, mas com vários porquês por responder. Ou seja, acho que o arco de Kevin tem muito para explorar no presente e agora, também naquele exato momento do passado em que espontaneamente revela que se casou como se estivesse a anunciar algo tão banal como se tivesse comprado uma camisa nova ou algo do género.

No virar de um moeda, e julgo que a sorte aqui teve pouco que ver com o resultado, mas tivemos um episódio leve e muito engraçado, onde a principal tensão e emotividade esteve a cargo de Kate e diga-se de passagem que Chrissy Metz tem feito um trabalho extraordinário nesta temporada. Este episódio provou ainda que há muito para descobrir em termos do período de adolescência dos três irmãos no pós-Jack, onde o episódio nos situou cronologicamente com uma forte referência a uma série de culto, Buffy the Vampire Slayer. E vamos agora verter uma lágrima pelo cancelamento de The Manny – que parecia ser uma daquelas séries que desisto no piloto by the way.

André Borrego