O Refúgio Atómico – Crítica da 1.ª temporada
| 19 Set, 2025
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A 1.ª temporada de O Refúgio Atómico (El Refugio Atómico), a nova série espanhola da Netflix, é a série que podia ser, mas não é. É a promessa de algo grande, mas que se dissolve antes de se concretizar. Cada episódio é um lembrete de que, com melhores escolhas narrativas, podia ter sido muito mais.

Queria ser La Casa de Papel. Poderia ter ousado, criado um universo próprio de tensão e estratégia, mas fica presa à sombra de algo que já conhecemos. Queria ser original, mas acaba quase como uma fotocópia em papel químico. Queria surpreender, mas prefere repetir fórmulas seguras. Podia ser mais interessante, mas não é.

Queria ser Berlín. Ao menos Berlín assume a sua ligação a La Casa de Papel e usa isso para crescer. Queria ter essa confiança, podia explorar a familiaridade e transformá-la, mas hesita. Queria ser segura e ousada ao mesmo tempo, mas não é.

Queria ser Sky Rojo. Queria ter loucura suficiente para nos prender, narrativa que nos desafiasse, mas mantém-se contida. Queria distanciar-se do previsível, mas volta sempre ao seguro. Queria divertir, queria provocar alguma tensão inesperada, ser selvagem, mas não é.

Queria ser Silo. Queria criar um mundo sólido e uma tensão crescente, queria arriscar e levar a história até onde podia ser verdadeiramente intensa. Mas acabou por se arrepender, hesitou e não conseguiu manter o rumo ousado que parecia prometer. Queria ir até ao limite, mas recuou, e isso deixa a sensação de oportunidade perdida. Podia ter sido consistente e impactante, mas não é.

Queria ser 1899. Queria tentar algo novo, explorar ideias diferentes, mostrar coragem narrativa. Queria quebrar barreiras, podia arriscar, podia ir mais longe. Ser uma continuação espiritual de La Casa de Papel como esta foi de Dark, mas não é.

A série até começa bem. O primeiro episódio cria tensão, mergulha-nos na história e desperta curiosidade. Podia manter esse ritmo, podia evoluir de forma audaciosa, podia ser memorável. Mas depois segue pelo caminho que, não sendo o mais óbvio, é sem dúvida o mais fácil a longo prazo. Cai na repetição, evita arriscar, regressa ao básico. Podia explorar mais, podia surpreender, podia ser mais consistente, mas não é.

Há pontos positivos: o último episódio recupera alguma tensão, consegue fazer-nos sentir algo, e alguns episódios isolados funcionam bem. Podia ser suficiente, podia salvar a série, podia deixar-nos satisfeitos. Mas não é. Dois bons episódios, produção sólida e premissa interessante, até certo ponto, não chegam. Podia ter explorado melhor o potencial, podia ter arriscado mais.

O Refúgio Atómico podia ser uma série mais consistente, podia aproveitar o seu potencial, podia ser diferente daquilo que já vimos. Mas não é. Podia ser, mas não é.

Todos os episódios desta 1.ª temporada de O Refúgio Atómico já se encontram disponíveis na Netflix.

Melhor episódio:

Episódio 1 – Voltar do Inferno – O primeiro episódio foi o melhor, porque ainda deixava antever que poderia ser uma série original ou, pelo menos, diferente. Não ia reinventar a roda, mas havia ali algo que despertava curiosidade e os momentos de tensão estavam bem conseguidos. Depois, com a reviravolta, isso perdeu-se e, quanto mais episódios via, mais se diluía o interesse.

Personagem de destaque:

Asia (Alícia Falcó) – A melhor personagem acaba por ser Asia, porque é a mais relevante. Todas as ações dentro do bunker passam por ela, está envolvida em múltiplos enredos ao mesmo tempo, interage com quase todas as personagens e isso faz com que sobressaia na história.

O Refúgio Atómico - Crítica da 1.ª temporada
Temporada: 1
Nº Episódios: 8
6
6
Interpretação
5
Argumento
7
Realização
6
Banda Sonora

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