Classificação

8
Interpretação
8
Argumento
9
Realização
9
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Temporada: 3

Número de episódios: 8

É verdade, Sex Education está finalmente de volta à Netflix para uma 3.ª e épica temporada. Depois de uma pandemia e mais de um ano à espera de novidades sobre as nossas personagens preferidas, elas estão finalmente aqui. E, permitam-me dizer: não estão à espera das reviravoltas e surpresas que estes oito episódios vos reservam. A criadora da série, Laurie Nunn, oferece-nos gargalhadas, lágrimas e muita adrenalina.

Moordale High conhece, nesta temporada, uma nova diretora, Hope Haddon (Jemima Kirke), que promete revolucionar o ensino e o ambiente da escola. Contudo, nem tudo é o que parece, e rapidamente os alunos e docentes se apercebem de que Hope nada mais quer do que apelar a uma educação autoritária, rígida e que defende a abstinência sexual dos alunos. A nova diretora cria aulas próprias para assustar os jovens com “verdades” falsas sobre a vida sexual: os preservativos são perigosos, o aborto é imoral, não se devem praticar atividades sexuais com outro fim que não o de procriar, a homossexualidade não é “natural”, etc. A lista continua, mas terá certamente mais piada se virem com os vossos próprios olhos o desastre em que Moordale se torna com a presença de uma diretora conservadora.

Relativamente às personagens que já conhecemos, mais concretamente, creio que existe uma preocupação extrema em acompanhar o seu desenvolvimento mais de perto, o que me agradou bastante. Lily (Tanya Reynolds), por exemplo, passa por uma fase em que todos os seus valores e crenças são postos à prova, o que permite conhecer um lado da personagem totalmente diferente daquele que conhecíamos até agora. Ola (Patricia Allison), paralelamente, também sofrerá bastante, sendo, finalmente, mencionada de forma honrosa a morte da mãe e o impacto que isso teve na sua vida, nas suas inseguranças, e relações. Jackson (Kedar Williams-Stirling) e Viv (Chinenye Ezeudu) encontram também uma dinâmica interessante e divertida com Cal (Dua Saleh), que traz à conversa temáticas como a transsexualidade, o género não-binário, a incerteza e a desmistificação de certos tabus associados a esses temas. Jean (Gillian Anderson) e Jakob (Mikael Persbrandt), com uma gravidez inesperada e um bebé a caminho, vêem-se também obrigados a amadurecer, individualmente e enquanto casal. Aimee (Aimee Lou Wood), ainda traumatizada e atormentada pelo episódio de assédio sexual que sofreu, procura finalmente ajuda, e vemos que se reconstrói pouco a pouco, e que amadurece, preocupando-se mais com a sua felicidade e bem estar do que com os outros, pela primeira vez.

Se bem se lembram, a 2.ª temporada de Sex Education terminou, para grande indignação da maioria dos fãs, com a mítica mensagem de voicemail de Otis (Asa Butterfield) para Maeve (Emma Mackey) a ser apagada por Isaac (George Robinson). Um dos tópicos também explorados nesta nova temporada é exatamente esse: o que levou Isaac a apagar a mensagem, os sentimentos envolvidos e, acima de tudo, para que lado aponta o coração de Maeve. Entre verdades, mentiras e guerrilhas familiares, os dois jovens acabam por encontrar conforto na amizade que criaram. Mas será que tudo correrá como desejado?

Otis e Ruby (Mimi Keene), a rapariga mais popular de Moordale High, mergulham numa relação de sexo casual que dura desde o início do verão. Apesar de inesperada, creio que foi uma das storylines que mais me chamou a atenção nesta temporada. Por vezes as melhores coisas são aquelas de que menos estamos à espera. Nestes novos episódios iremos conhecer melhor Ruby, veremos um lado novo que, até agora, ainda não nos tinha sido apresentado. Mas até que ponto é que esta relação inesperada tem pernas para andar? Será que Otis já esqueceu Maeve? Há tantas perguntas, e só ao ver a série é que conseguiremos encontrar as respostas.

Outro dos temas mais esperados e ansiados desta 3.ª temporada de Sex Education era o desenrolar da relação de Eric (Ncuti Gatwa) e Adam (Connor Swindells). Posso dizer-vos que, apesar de maioritariamente interessante, a narrativa do casal não me satisfez por completo. A verdade é que Eric e Adam são pessoas extremamente diferentes: o extrovertido e o introvertido, o excêntrico e o tímido, o que respira liberdade e o que respira medo. Apesar de, muitas vezes, os opostos se atraírem, nem sempre é fácil lidar com diferenças tão acentuadas. É isso que esta terceira temporada reserva aos dois jovens: momentos bons, momentos maus, desilusões, viagens e muita paixão.

O melhor de Sex Education, na minha opinião, é a forma como fala de temas ainda pouco abordados noutras séries, filmes e formas de entretenimento. Os tabus associados às questões de género, à sexualidade e ao sexo, são expostos, nesta série, de forma bonita, explicativa e simples. Nem tudo é um bicho de sete cabeças, e creio que Sex Education é a forma mais transparente e honesta de o mostrar. Perfeita para adolescentes, jovens e até mesmo adultos, a terceira temporada desta série deixa-nos ainda mais agarrados às personagens, às storylines e, claro está, ao humor único e peculiar constantemente presente nos diálogos. 

Não esperem um desfecho perfeito nesta 3.ª temporada de Sex Education, nem como aquele que idealizaram. Muita coisa acontece e muita coisa fica por acontecer. Agora já só espero ansiosamente a 4.ª temporada.

Melhor Episódio: 

Episódio 7 – No sétimo episódio da terceira temporada de Sex Education há muita coisa a acontecer. Num enorme descontentamento causado por uma educação a favor da abstinência sexual, os alunos confrontam a nova diretora e provam, mais uma vez, que a união faz a força. Num espetáculo excêntrico, divertido e provocador, os alunos de Moordale tentam deitar abaixo a direção conservadora da escola, que tão injusta e humilhante foi para várias pessoas.

Personagem de Destaque:

Eric – é definitivamente a personagem que mais se destaca nesta temporada. Além de ser o Eric genuíno, divertido e carinhoso que conhecemos, é também a personagem que, muitas vezes, parece retrair-se mais, a personagem que sente que não “encaixa”. Numa viagem de última hora à Nigéria para um casamento de um familiar, o jovem depara-se com vários obstáculos, impossibilidades e, simultaneamente, com o mundo aos seus pés. Afastado de tudo, livre e com vontade de abraçar o mundo, Eric dá mais um passo crucial no seu desenvolvimento enquanto personagem e ficamos a conhecer uma faceta sua que ainda não conhecíamos.

Inês Ribeiro