Classificação

7.5
Interpretação
6.5
Argumento
8
Realização
9
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Temporada: 4 (parte 2)

Número de episódios: 6

The Bold Type regressou à sua segunda parte da 4.ª temporada após ter tido uma pausa nas gravações devido à pandemia mundial da Covid-19. A temporada deveria ter tido mais oito episódios, mas foram lançados apenas seis, ficando esta segunda parte da temporada um pouco aquém das expectativas.

Esta série é de longe uma das minhas favoritas, aborda assuntos importantes que devem ser debatidos em televisão, para além das histórias diferentes, estilo de vida das personagens e de conseguirmos perceber como é viver nos dias de hoje: a pressão do dia a dia laboral, como nos aceitamos a nós próprios e aos que nos rodeiam.

Tínhamos terminado o décimo episódio com Jane (Katie Stevens) a dar entrada numa clínica para fazer uma dupla mastectomia. Começamos o início desta segunda parte da temporada de The Bold Type com Jane a fazer a recuperação dessa intervenção. E pode-se dizer que Stevens merece uma ovação de pé. A prestação da atriz neste primeiro episódio foi excelente e conseguiu demonstrar o que as mulheres que são sujeitas a este tipo de cirurgia passam. Mas já pensaram o que é perder uma parte do vosso corpo? Literalmente. A banda sonora e a construção deste primeiro episódio foi realmente muito bem feita e foi um grande pontapé de saída neste retorno, sem dúvida.

Um outro acontecimento que marcou este início de temporada e que acabou por ter um grande impacto nos restantes episódios foi que (spoiler!) Sutton (Meghann Fahy) descobre que está grávida. Toda a descoberta, as reações de Jane e Kat (Aisha Dee), e a felicidade de Richard (Samuel Page) davam precedentes de que algo poderia não correr bem.

Os episódios desta última parte da temporada estão bem construídos com storylines interessantes e, como tem vindo a ser hábito, com temas que devem ser debatidos e falados. Claro que é uma série com tendências mais familiares e romantizada em que a amizade acaba por ser o principal conceito. Exemplo disso é a história de Jane, que neste momento começa a ter química com o “empregado” Scott (Mat Vairo). Os relacionamentos entre patroa e empregado, e depois do drama que foi no que diz respeito à relação de Richard e Sutton, acaba por ser um plot demasiado batido tendo em conta todo o contexto da nossa little Jane.

Mas pior que este está a história de Kat. Kat perdeu o emprego por seguir os seus princípios e não querer ficar calada por ver injustiça a acontecer, acaba por arranjar um trabalho como bartender no clube onde Jane é membro, e a sua “arqui inimiga” acaba por se tornar o interesse amoroso. Todo este enredo tem vindo a tornar-se chato e infeliz, pois Kat era aquele rapariga independente sem medos e de repente é vulnerável e já não liga aos “ideais” liberais? Não se percebe.

Um ponto alto da temporada foi a atenção dada a Alex (Matt Ward). Alex é aquela personagem secundária que dá aquela ideia de ser um player no campo feminino; o que é facto é que a storyline deste personagem tem vindo a ficar cada vez mais interessante. Alex tem agora uma namorada que está num patamar diferente do dele, ela é independente, forte e destemida, sendo um verdadeiro desafio para Alex conseguir lidar com ela. Existe muita curiosidade deste lado para saber como a história vai desenrolar.

Tal como mencionado acima, toda a história estava clean e tudo parecia estar em modo “felicidade”, até que algo comum acontece, e Sutton perde o bebé. Foi de facto uma gravidez apressada, pois são um casal recém casado e Sutton queria focar-se na vida profissional, no entanto um descuido poderia sempre acontecer, o que nunca os espectadores pensaram (eu) é que ela fosse ter um aborto espontâneo.

Até que chegamos ao auge desta segunda parte da quarta temporada de The Bold Type. Após ter sofrido a perda do bebé, Sutton, dá conta da sua realidade atual e percebe que nunca vai querer ter filhos. Desde já apresento as minhas desculpas pelo enorme spoiler, mas este assunto tinha de ser mencionado aqui.

Imaginem que estão numa relação já com algum tempo, casam, e o passo seguinte “normalmente”, não que isso tenha de ser regra para toda a gente, é ter filhos. Isto foi o que Richard sempre quis e sempre o disse a Sutton, Sutton, após perder o bebé, dá conta que a vida dela não precisa de mudar, que ela é feliz com o trabalho que faz e com Richard a seu lado não precisando de mais nada e achando que o auge da sua felicidade é o presente, dando conta que não quer ter filhos. Todas as mulheres têm esse direito, sendo uma decisão que pode ser tomada pela própria, o que neste caso está mal é o facto deste assunto não ter sido discutido entre o casal antes de “darem o nó”.

Ficou muita coisa por dizer, e as atitudes de Sutton, a meu ver, não foram as melhores. A diferença de idades veio agora fazer das suas, pois ambos estão em patamares muito diferentes das suas vidas, e inevitavelmente iam acabar por perceber isso, apesar de sempre pensar que iam conseguir resolver as diferenças. Em qualquer relação tem de haver compromissos de ambas as partes, o que é facto é que há mais compromissos do lado de Richard do que de Sutton.

Neste momento quero pensar que a série é renovada, nem que seja por mais uma temporada, para poder haver um desfecho deste acontecimento, porque ainda há muita tinta para correr.

Em tom de conclusão resta apenas dizer que a quinta temporada não está ainda garantida, e que apesar desta quarta season não ter tido um excelente desfecho, a continuação é merecida e, mais que isso, necessária.

Melhor Episódio: 

Episódio 15 – Love À semelhança da review anterior, o melhor episódio desta segunda parte foi o quinto episódio, não só pelas histórias das nossas três protagonistas se terem desfasado, pois de vez em quando é importante haver episódios focados exclusivamente na vida de cada uma e não na amizade que as une; mas pela maneira como está realizado. Por norma não gosto de coisas que andam para trás e para a frente no tempo, o que é facto é que os realizadores deste episódio conseguiram-no fazer de uma forma excelente, com uma banda sonora ainda melhor. Foi diferente, irreverente e muito bem conseguido. Tinha sido um melhor desfecho de temporada que o episódio seguinte, just saying

Personagem de Destaque:

Jane Sloan (Katie Stevens) – O prémio vai de novo para Jane. Não só pela excelente interpretação no início de temporada mas também pelo facto de ser a personagem mais honesta e forte dos últimos tempos. Jane não se deixa ficar pelo que lhe dizem, vai à luta para descobrir injustiças e tenta ao máximo ajudar pessoas com o seu trabalho; é discreta mas continua a ter um papel na história muito bem construído; é dedicada, e pela primeira vez vemos a interação/relação que tem com o pai (pessoalmente e não pelo telefone) que foi muito importante para Jane para que conseguisse desprender-se dos próprios preconceitos e abraçar a sua nova realidade.

Margarida Rodrigues Pinhal