Servant – Review da 1.ª Temporada
| 31 Jan, 2020

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Temporada: 1

Número de episódio: 10

[Contém spoilers]

Servant foi uma das primeiras apostas da Apple TV+ e a estreante no género do terror do novo serviço de streaming. Focada num casal ao qual aconteceu algo terrível e na chegada de uma babysitter ao seu seio familiar, Servant promete 10 episódios recheados de suspense, de expectativa e de muita curiosidade para perceber as causas de tudo o que vemos. Diria mesmo que o único ponto negativo da série foi o facto de os episódios não terem sido disponibilizados todos de uma vez. Ainda assim, termos de esperar uma semana pelo próximo capítulo só serviu para aguçar mais todos os sentimentos mencionados.

Desconhecia a premissa, mas terror e suspense atraem-me, e dada a qualidade de outra série do canal que vi, The Morning Show; assim como de outras como Dickinson ou See, que não vi, mas das quais também ouvi falar muito bem, tinha a certeza que não ficaria desiludida com esta. E não fiquei mesmo. Não posso dizer que o terror esteja presente em Servant, porque não está, mas a quantidade exorbitante de suspense bem utilizada colmata qualquer falta de terror que se possa ter sentido.

De todos os filmes e séries de terror que já vi creio que nunca me tinha passado pelos olhos uma como a que é contada aqui. O filho recém-nascido de um casal morre (de uma forma que só descobrimos no final da temporada) é substituído por um boneco semelhante para que a mãe recupere do choque (coisa que nunca se verifica) e para ajudar é contratada uma ama para tomar conta do boneco. Depois da sua chegada o boneco ganha vida e outras coisas igualmente estranhas começam a acontecer. Realmente, para mim, esta história foi uma novidade e isso é um grande ponto a favor de Servant.

Do início ao fim da temporada a sensação que tive durante os 30 minutos que cada episódio durou é que estive sempre à beira do sofá na expectativa do que se seguiria. O mistério que circunda o bebé Jericho e aquilo que lhe aconteceu envolve-nos de tal forma que, como referi, tornava-se um suplício ter de esperar mais uma semana pelo próximo capítulo. Dava por mim compenetrada no que estava a ver, quase como se estivesse naquela casa com aquelas personagens. Mais um grande ponto a favor da série.

Apesar de a história se desenvolver de forma lenta (apenas no nono episódio descobrimos o que afinal acontecera ao bebé) nunca é aborrecida ou desinteressante. Como o suspense e o mistério estão quase sempre presentes, as chances de se ficar entediado a ver Servant são nulas. O ambiente da casa, que embora não seja, à primeira vista, a típica casa das histórias creepy, à medida que a narrativa avança percebemos que todos os elementos de uma residência assustadora estão lá: luminosidade sempre baixa, uma cave, a dimensão gigante da casa, uma escadaria que por vezes parece interminável, um quarto com um aspeto meio esquisito que pertence obviamente à personagem mais esquisita da série. O lar dos Turner, além de ser o espaço onde mais de 90% do enredo decorre, é ela própria quase que uma das personagens. Não fosse o carisma do que está dentro daquelas paredes e talvez a história não tivesse tanto impacto.

Com exceção de Rupert Grint (Julian) e de Nell Tiger Free (Leanne), que conhecia de Harry Potter Game of Thrones, respetivamente, não conhecia o trabalho de Toby Kebbel nem de Lauren Ambrose (vi somente o episódio de Black Mirror no qual Kebbel entra – 01×03 – The Entire History of You). Contudo, o casal Turner é trazido à vida de forma bastante vívida pelo par de atores. Cada um com as suas peculiaridades, Sean e Dorothy são incrivelmente interessantes. O facto de a produção ter introduzido nos episódios pequenas cenas onde vemos cada um a exercer as suas respetivas profissões e até mesmo os seus trabalhos fazerem parte da história que é contada só abonou a favor de Servant. Ver Sean a cozinhar as suas receitas inovadoras e Dorothy a protagonizar reportagens no mínimo caricatas deu o ar da sua graça a uma série cujo ingrediente principal é o suspense.

A personagem de Grint, Julian, o irmão de Dorothy, é provavelmente a mais desinteressante de toda a temporada. Sempre com um copo de vinho na mão e um ar frenético na cara, Julian não surpreende. Já Tiger Free, que podem reconhecer como a jovem Marcella Lanninster de GoT, intriga-nos uma e outra vez ao longo da temporada com a sua prestação enquanto Leanne. O seu olhar compenetrado, a sua postura rígida e recolhida, o seu instinto introvertido fazem desta personagem um enigma do primeiro ao último episódio. Tiger Free fez uma interpretação de louvar.

Servant chegou aos ecrãs de forma silenciosa e sem grande alarido, mas arrasou na premissa que prometeu entregar aos espectadores. Séries de terror/suspense com qualidade não são fáceis de produzir, contudo, M. Night Shyamalan, o realizador, é um pro dos enredos contemporâneos com um toque de sobrenatural e o resultado final desta primeira temporada não poderia ter sido melhor. Muitas perguntas ficaram por responder e a parte sobrehumana presente na série só no final foi totalmente abordada, criando ainda mais questões na nossa cabeça. É com muita expectativa que aguardo a estreia da 2.ª temporada.

Personagem de Destaque:

Sean Turner (Toby Kebbel) – Talvez Leanne ou Dorothy fosse a escolha óbvia para a personagem que mais se destaca. Contudo, Sean despertou-me a curiosidade desde o primeiro minuto. Pode ter sido a excelente prestação de Kebbel, mas este homem que concorda em colocar um boneco no lugar do seu filho morto para que a mulher recupere do choque, pondo em primeiro lugar os sentimentos da sua parceira, merece a minha atenção.

Episódio de Destaque:

Episódio  9 – Todos os episódios têm a sua relevância nesta temporada, coisa que não se pode dizer da maior parte das séries, e escolher um particular não foi tarefa fácil. Ainda assim, Jericho é o episódio que nos revela parte daquilo que nos andávamos a perguntar desde o primeiro episódio. A prestação de Ambrose neste capítulo é de deixar de queixo caído. Passamos o tempo a pensar “Não, ela não se esqueceu do bebé no carro” e a angústia é o sentimento que predomina. Quando finalmente revelam que Jericho ficou esquecido dentro do carro num dia bem quente de verão os nossos corações partem-se juntamente com o de Dorothy que mascara o seu choque com ilusão.

Beatriz Caetano

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