King & Conqueror, da BBC, estreou em Portugal através da HBO Max, trazendo-nos, neste primeiro episódio, de volta ao mundo medieval e ao fascinante período que antecede a Batalha de Hastings. Para quem ficou órfão deste tipo de histórias depois do final de The Last Kingdom e do prematuro cancelamento de The Winter King, esta nova série surge no momento certo, recuperando a intriga política e o peso da história de forma convincente.
Invitation transporta-nos diretamente para o século XI, no reinado de Eduardo, o Confessor. É aqui que surgem Harold Godwinson (James Norton) e William da Normandia (Nikolaj Coster-Waldau), dois homens cujas ambições vão colidir e marcar para sempre o rumo da Inglaterra. Gostei de como o episódio não tenta acelerar tudo de uma vez. Estas séries nunca começam a abrir de imediato porque é preciso apresentar bem a trama e as personagens. Se tudo acontecesse ao mesmo tempo, muita coisa se perderia. São histórias que crescem e se vão tornando mais complexas à medida que as bases são estabelecidas, como aconteceu com The Last Kingdom ou até Vikings.
Claro que a série toma várias liberdades criativas. Apesar de se basear em eventos históricos reais, King & Conqueror não é um documentário, mas sim ficção pensada para entreter. Alguns puristas poderão criticar certas escolhas históricas, mas o objetivo é transmitir a essência do período e das personagens, mesmo que algumas cenas ou diálogos sejam dramatizados para criar tensão, emoção e ritmo narrativo. Ainda assim, é justo dizer que, em alguns momentos, o rigor histórico poderia ter sido mais cuidado. Existem algumas liberdades que podem incomodar quem procura mais precisão.
A produção é competente e sólida, mas não irrepreensível. Cenários e figurinos ajudam a sentir a época, a fotografia é eficiente e a banda sonora acompanha a narrativa na dose certa, mas podia ser mais ambiciosa em certos momentos para reforçar a grandiosidade da história. As batalhas apresentadas são um exemplo disso. Os atores, no entanto, são o ponto forte. Norton e Coster-Waldau conseguem transmitir intensidade e credibilidade, tornando as suas personagens interessantes e complexas.
Mesmo sendo só o primeiro episódio, já se percebem várias linhas narrativas e intrigas que prometem desenvolver-se nos próximos capítulos. As alianças frágeis, as promessas que podem ser quebradas e a tensão política dão a sensação de que as batalhas futuras serão tanto estratégicas como épicas, travadas nos corredores sombrios de um castelo ou em campo aberto. É um arranque sólido que cumpre bem a função de apresentar o universo e as personagens, mas não é brilhante nem o piloto mais espetacular de sempre. Deixa, no entanto, vontade de continuar a explorar aquele mundo.
Em resumo, King & Conqueror começou exatamente como eu esperava, tal como acontece com todas as séries deste género. Mergulha-nos no contexto histórico, apresenta as personagens de forma competente e deixa antever a intriga política e a ação que se podem esperar. Espero que, daqui para a frente, o ritmo seja crescente e que a série aproveite todo o potencial da história na produção, conseguindo equilibrar melhor o rigor histórico com a ficção.
O primeiro episódio de King & Conqueror já se encontra disponível na HBO Max com os restantes sete a serem lançados semanalmente.