Classificação

6.5
Interpretação
6.5
Argumento
7
Realização
6
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

No dia 14 de novembro, estreou, na HBO Max, uma nova minissérie dinamarquesa que contará com oito episódios, Kamikaze. É um drama que se centra na vida de uma jovem rapariga, Julie Holm Forsberg (Marie Reuther), que de um momento muda por completo a sua perspetiva em relação à vida. Confesso que quando vejo que uma série é nórdica, é meio caminho andado para eu a querer ver e esta não foi exceção. Assim que a descobri, esperei ansiosamente pela data de estreia e finalmente consegui ver o episódio piloto.

O primeiro episódio apresenta-nos de forma eficaz vários traços da personalidade da nossa protagonista. Julie tem 18 anos e vive numa boa casa com a sua família abastada. É influencer de moda, centrando-se nas áreas da maquilhagem e vestuário. Tem um grupo de amigos com quem se diverte muito, sendo uma pessoa bastante alegre e esperta. Tem uma relação próxima com a sua família que de momento está em viagem, no Ruanda, deixando Julie sozinha em casa. Como a maioria dos adolescentes, Julie aproveita a oportunidade para se divertir e planeia uma festa. No entanto, de um momento para o outro, acontece algo inesperado, que vira a sua vida ao contrário e descobrimos a sua faceta mais filosófica.

“Há um antes e há um depois em tudo.” É assim que a nossa protagonista nos começa a narrar a ação. É uma Julie do presente, que em nada se parece com a influencer que costumava ser e que nos conta com algum detalhe os acontecimentos que precederam o derradeiro acontecimento. Vemos então a ação do presente a ser narrada alternadamente com os acontecimentos do passado até que entendemos o que poderá ter levado Julie a aparecer no deserto com o cabelo rapado, sozinha e a ter um acidente de avião. Ao longo do episódio, a nossa protagonista reflete sobre a forma como tudo estava “perfeito” na sua vida e do nada tudo deixou de fazer sentido. Mas o que pode abanar a vida de uma pessoa desta forma? Deixa a questão pairar na tua cabeça até veres este episódio piloto fantástico e encontrares a resposta.

Vemos aqui abordados temas como a independência, a responsabilidade, a capacidade de lidar com a distancia, a juventude, a diversão, o luto e a morte. Relativamente as aspetos técnicos, predominam cores frias, paisagens citadinas e do deserto e uma banda sonora bastante discreta e calma.

Este episódio não me desiludiu, tem o estilo e a vibe tão típicos das séries nórdicas e que me apaixonam. O enredo é interessante e cativante, uma verdadeira reflexão sobre o sentido da vida, de forma leve, pelo menos até agora. Pelo que já vi parece que será uma boa série, mas não espetacular como outras que vi no passado. Mas talvez me surpreenda pela positiva. Recomendo a todos os que gostem de séries nórdicas e apreciem uma boa reflexão filosófica num momento de descontração. Está na hora de começares esta série.

Inês Rodrigues