Classificação

7
Interpretação
8.5
Argumento
7
Realização
6
Banda Sonora

[Não contém spoilers!]

Hilde Lisko é uma jovem de nove anos apaixonada por jornalismo de investigação. Sendo filha de um jornalista conceituado, herdou desde cedo a paixão pelas reportagens, escrevendo já o seu próprio jornal e realizando as suas próprias entrevistas. Isto tudo de forma amadora, claro. Quando a família é forçada a mudar-se de Nova Iorque para a pequena cidade onde o pai cresceu, são confrontados com um homicídio no bairro onde vivem. A polícia afirma que foi um acidente, mas Hilde deteta pistas que indicam o contrário e, com a ajuda de uma amiga na polícia, começa a sua própria investigação.

Home Before Dark é uma série baseada em factos reais, inspirando-se na história de Hilde Lysiak, uma jovem repórter americana que, com apenas sete anos, criou um jornal, originalmente apenas de âmbito amador e familiar, chamado Orange Street News. Este jornal acabou por se tornar uma publicação mais séria, abrangendo notícias locais. Ganhou o respeito da população após Hilde Lysiak, com nove anos, ter sido a primeira repórter no local de crime de um homicídio e ter sido a primeira, de entre os jornais locais, a escrever sobre o caso, adiantando-se aos restantes por várias horas.

O episódio, apesar dos seus mais de 50 minutos, nunca foi aborrecido. É uma série que combina o mistério da descoberta do assassino com o drama da vida de Hilde, uma pré-adolescente, com todas as suas peripécias e conquistas pessoais, tanto no ambiente da escola como em casa. A sua relação com a família foi um ponto alto do episódio. Todos a querem proteger dos perigos da investigação, ao mesmo tempo que percebem a importância de Hilde resolver este caso e ser ela própria a explorar o seu caminho como jornalista.

Para mim esta seria uma série semelhante a tantas outras se não fosse pelo facto de a personagem principal ter nove anos e a atriz ser mesmo adorável. É daquelas personagens demasiado crescidas e maduras para a sua idade, mas que querem desesperadamente ser levadas a sério. A linha entre ser uma personagem com que o público se pode identificar e ser uma personagem irritante, por achar que sabe tudo, é de fácil transgressão e acho que fizeram um trabalho extraordinário em torná-la uma personagem humilde e ao mesmo tempo ambiciosa. Identifiquei-me bastante com o sentimento de querer crescer para ser levada a sério, porque era algo muito presente na pessoa que eu era aos nove anos.

A série tem potencial para ser boa, talvez não extraordinária, mas algo para ver e passar um bom bocado. Recomendo bastante, principalmente se gostarem de uma mistura de mistério e drama familiar.

Ana Oliveira