Classificação

9
Interpretação
8
Argumento
9
Realização
10
Banda Sonora

White Lines é o nome sonante da Netflix hoje. Do criador da série badalada La Casa De Papel, Alex Pína traz desta vez um drama inspirado na realidade louca das festas, droga e negócio de Ibiza. Laura Haddock é Zoe, uma mulher que descobre que o seu irmão, DJ Alex, foi assassinado há 20 anos atrás e decide partir para Espanha em busca da verdade sobre a morte de Alex Collins.

Não quero entrar muito em detalhes que vos spoilem porque acho mais giro que tenham a experiência de ver a série como eu tive.

O argumento parece ter pernas para andar. Ao mesmo tempo que tem aquela pitada de suspense pela investigação, é regada de controvérsia e conflitos elitistas. Um bocadinho de Narcos, já que contamos com um óbvio esquema de tráfico de drogas,  com um bocadinho de Élite – no meio de gente demasiado rica e exibicionista, nesta perseguição a um fantasma que é o eventual assassino do famoso DJ Alex.  Bem sei que só me estou a apoiar de moleta em séries espanholas mas quando virem este episódio vão perceber.

Não podia deixar de sublinhar o quanto Nuno Lopes se encaixa perfeitamente neste ambiente. A personagem a que Nuno dá vida – Boxer – podia facilmente ser Bucareste e juntar-se ao bando de La Casa de Papel. A postura, a colocação de diálogo e todo o desenhar da personagem parece retirada de lá!

Ainda não tive oportunidade de ver Paulo Pires ou Rafael Morais – atores nossos que também participam na série – mas tenho a certeza de que não me vão dececionar!

Confesso ter tido alguma dificuldade em encaixar quem é quem. Entre Boxer, Marcus, Zoe, Andreus, King ou Kika, não consegui ainda encaixar socialmente quem está em que estratosfera e quem rodeia quem, e quem está nos mesmos círculos. Talvez tenha sido para mim o ponto menos positivo desta série: a dificuldade em perceber a ligação destas personagens – só posso pressupor que de alguma forma todos estejam envolvidos com a morte de Alex Collins (no passado quando aconteceu, ou com consequências presentes). Vou pressupor que será algo mais explorado nos próximos episódios.

Visual não falta a White Lines. Desde planos muito evidenciados de paisagem local, às cores quentes e convidativas da tonalidade latina, White Lines consegue prender logo o espectador pela beleza da imagem que traz. Se isso não chegar, ainda acrescenta um Frank Sinatra à banda sonora, ou um contraste com uma musica eletrónica que faz querer dançar, ou os icónicos Gipsy Kings.

Um dos pormenores que mais apreciei nesta série foi a mistura bonita entre o estilo televisivo britânico e o estilo televisivo latino. É possível, perguntam vocês? É. White Lines consegue um bom balanço entre a típica frieza e sarcasmo da Grã-Bretanha misturada com a sensualidade e o calor espanhol. As cenas em Ibiza são cem por cento sangue latino, mas a pseudo-quebra da quarta parede protagonizada por Laura Haddock é uma página tirada de um livro de realização teatral inglês. Dez pontos para Gryffindor, sem dúvida.

Em suma, e sem vos maçar muito mais, resta-me deixar a sugestão que eu própria vou seguir: vejam White Lines. Não prometo que o ponto de partida seja incrível e maravilhoso mas é entertaining. Por ser uma criação de Alex Pína tenho alguma expectativa que seja uma história de enredos intrínsecos e interligados entre eles e estou com bastante curiosidade para os descobrir. Se isso não é suficiente, quem sabe a paisagem instagramável ajude?

Joana Henriques Pereira