Classificação

7.3
Interpretação
7
Argumento
7
Realização
7.7
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

Regressamos hoje com uma dose dupla de reviews de Legacies, compreendida pelos episódios Life Was So Much Easier When I Only Cared About Myself e Facing Darkness is Kinda My Thing – os 15.º e 16.º episódios desta 2.ª temporada da série, respetivamente.

Surgindo no rescaldo dos eventos de There’s A Place Where The Lost Things Go, Life Was So Much Easier When I Only Cared About Myself traz-nos as celebrações do 17.º aniversário de Lizzie e Josie. Quando tudo dá para o torto, Lizzie é forçada a tomar uma decisão difícil. Entretanto, Hope toma medidas drásticas após entrar em confronto com Alaric sobre como lidar com Josie e Rafael faz uma descoberta desoladora.

Como seria de esperar pela sua sinopse, este penúltimo episódio de Legacies coloca o foco sobre as nossas gémeas favoritas: Lizzie e Josie. Após destruir parte da escola no episódio anterior, Dark Josie está de regresso com um novo plano para antecipar a sua fusão com Lizzie, o que leva a que o tempo deste episódio esteja repleto de tensão não só entre as irmãs, mas também entre várias outras personagens que, de uma ou outra forma, tentam fazer o possível para emendar a situação precária em que todos se encontram.

A performance de Kaylee Bryant neste episódio é das suas melhores e é inegável que esta versão maligna da sua personagem é capaz de cativar qualquer um. Há simplesmente algo de delicioso em ver Josie agir de forma fria e calculista, sem qualquer tipo de preocupação pelos outros. Desde logo, a personagem coloca as suas (más) intenções em aberto, apanhando a sua irmã (e todos os seus amigos) completamente de surpresa. Ora, ainda que Josie seja o elemento catalisador para todo este episódio, acaba por ser Lizzie a grande personagem de destaque ao ultrapassar, com a ajuda de MG, todo um drama interno para no fim emergir como a heroína que todos sabemos poder ser.

Imediatamente após o regresso de Dark Josie, são várias as personagens que pensam em como lidar com a situação e, de igual modo, são várias as soluções apresentadas. Rapidamente, Hope toma a decisão de enviar Alaric para um jogo semelhante ao que as personagens enfrentaram no episódio anterior quando este sugere uma abordagem com a qual a tríbrida não concorda. Kaleb é o próximo a juntar-se ao professor neste cenário reminiscente de um filme de Indiana Jones, quando propõe uma solução que coloca em perigo a vida de Josie.

Conhecendo Hope, facilmente percebemos o porquê das suas decisões. Desde o final da 1.ª temporada que a nossa heroína tem zelado pela segurança das gémeas e este episódio não é exceção à regra. Assim, ao mesmo tempo que não leva a cabo qualquer ação que possa vir a magoar Josie, Hope engendra um plano para recuperar Josie e manter Lizzie a salvo, tudo de uma só vez. É interessante a forma como Legacies tenta explorar os vários loopholes mágicos a seu favor e, como seria de esperar, o plano de Hope acaba por funcionar às mil maravilhas e o episódio termina com Lizzie a salvo (ainda que, para todos os efeitos, esta não tenha sobrevivido à fusão com a sua irmã).

Enquanto tudo isto se passava, a série confirma ainda as suspeitas dos fãs em relação a Rafael, que efetivamente foi morto pelo Necromancer e está a ser usado por este como se de um fantoche se tratasse. Este nosso lobo de muitas faces acaba por matar Landon com a temida flecha dourada, concretizando assim a profecia de It Will All Be Painfully Clear Soon Enough.

Já em Facing Darkness is Kinda My Thing, Hope infiltra o subconsciente de Josie numa tentativa de a salvar de si mesma e dá de caras com um mundo de conto de fadas repleto de magia negra. De volta à Salvatore School, Alaric, Lizzie e os vários membros do Super Squad seguem em frente com o seu próprio plano para recuperar Josie, independentemente das suas potenciais consequências.

Em Mystic Falls, a Salvatore School prepara-se para dizer adeus a Lizzie Saltzman, personagem que finge a sua morte após os acontecimentos do episódio anterior. Em típico estilo Lizzie, nada é capaz de deter a bruxa de planear o seu próprio funeral – algo que, é claro, requer um disfarce. A gémea resolve dois problemas com apenas uma solução ao fazer-se passar por Hope, que jaz adormecida num armário escondido no gabinete de Alaric (já lá vamos). Esta troca surge como uma excelente oportunidade para Danielle Rose Russell, que nos traz uma excelente performance enquanto Lizzie a fingir ser Hope. 

Apesar de esta ser indubitavelmente uma componente bastante engraçada deste novo episódio, Lizzie rapidamente descobre que, ao contrário do que pensava, nem todos os alunos da Salvatore School a viam como uma amiga. Na verdade, muitos deles não gostavam de todo da bruxa e são vários os alunos que tornam claro esse desagrado para com Lizzie nesta altura delicada. Por mais triste que isto seja, esta surge como uma excelente oportunidade de crescimento para Lizzie, que começa a pensar um pouco sobre a forma como trata os outros. Graças a MG, no entanto, a personagem percebe que existe também um grande número de indivíduos que gosta dela assim como ela é.

Entretanto, no subconsciente de Josie, Hope vê-se presa num mundo construído pela gémea, reminiscente de uma história de contos de fadas. Aqui, Hope encontra Josie e, de forma muito resumida, fá-la perceber que o seu lado negro faz parte de si e que o pode derrotar caso o deseje. Josie aprende que pode ser poderosa e, ainda assim, uma boa pessoa e que essas suas facetas não são mutuamente exclusivas. Ainda assim, a personagem resolve colocar de lado os seus poderes de absorção de magia, algo que pode vir a prejudicar Hope, que se mantém aprisionada na sua mente.

Por fim, Alaric é colocado numa posição complicada quando se vê incapaz de salvar Josie por si só. Assim, o diretor da Salvatore School é pressionado a aceitar um simples acordo com Necromancer: o último ajuda Alaric a recuperar tanto a sua filha como os seus estudantes que haviam falecido e Necromancer fica com a magia negra de Josie. Ainda que seja demasiado cedo para fazer esta afirmação, podemos adivinhar que esta não terá sido a melhor ideia, ainda para mais quando Alaric verifica que Landon continua morto no final do episódio.

A verdade é que, ao contrário do que se verificou na 1.ª temporada da série, Legacies parece perder um pouco o seu rumo com esta segunda installment. Ainda que o seu início tenha sido bastante promissor, rapidamente nos apercebemos que, por qualquer razão, a ideia original para esta temporada não foi seguida e as repercussões dessa decisão são sentidas de forma severa até ao último episódio. Entre as várias ofensas decorrentes dessa mudança, talvez uma das mais sentidas se prenda com a falta de envolvimento de Hope (que, para todos os efeitos, é a personagem principal desta série) no panorama geral da história, fora das suas capacidades enquanto mulher-maravilha de serviço. Se a 1.ª temporada foi capaz de desenvolver a personagem de modo significante, interligando os seus traumas e problemas pessoais com a história a ser contada, a segunda não teve o mesmo sucesso, deixando demasiado a desejar nesse departamento.

Outro dos grandes problemas que veio afligir esta temporada diz respeito ao enorme talento que Legacies tem em complicar o que é fácil e simplificar o que é difícil. A série parece ter uma certa tendência em demorar-se com narrativas de pouco interesse para o grande esquema das coisas e, de forma inversa, em apressar outras tantas que requerem uma abordagem mais demorada e cuidada de modo a atingir a carga dramática pretendida. Infelizmente, muitos dos supostos “momentos-chave” desta 2.ª temporada não conseguiram gerar o impacto desejado devido ao seu mau desenvolvimento. Entre estes destacamos o regresso abrupto de Hope à Salvatore School, o recomeço da sua relação com Landon, a narrativa entre Alaric e os estudantes que enviou para o mundo-prisão de Kai (e mesmo a morte do personagem) e, mais recentemente, a fusão entre as gémeas e a própria execução da história de Dark Josie. É frustrante perceber que algumas das situações que se têm vindo a desenvolver ao longo de vários episódios, temporadas, ou mesmo séries, foram concretizadas de forma relativamente rápida de modo a dar lugar a narrativas de menor importância para o panorama geral, produzindo resultados profundamente anticlimáticos.

Intimamente relacionado com este problema, está o facto de Legacies ter introduzido, ao longo desta sua 2.ª temporada, todo um repertório de personagens que, apesar do seu potencial (em determinados casos), ficaram aquém das expectativas ao não serem desenvolvidas o suficiente para se tornarem relevantes. Este leque abrange tanto personagens que, de forma geral, os fãs acharam desinteressantes, como também personagens que foram abraçadas pelos mesmos, uma vez que, tanto umas como as outras, ou dispuseram de pouco tempo de ecrã ou roubaram tempo precioso a outras narrativas mais relevantes. Várias destas personagens foram ainda largadas pela série sem qualquer tipo de explicação, como é o caso de Maya e Ethan (que, supostamente, iriam desempenhar um papel importante para a narrativa de Hope) ou com explicação insuficiente e pouco satisfatória, como aconteceu com Kym. Infelizmente, não foram apenas as personagens secundárias à série que viram o seu tempo de antena contribuir para o decréscimo na qualidade desta temporada. Também algumas das nossas personagens principais foram vítimas de histórias pessoais de pouco interesse narrativo que melhor funcionariam como um B plot ou, talvez, devessem ter sido exploradas num outro momento. Este é o caso de Landon, cuja jornada de herói não esteve à altura das expectativas, apesar do seu potencial para a série.

Não é segredo que a relação entre o personagem e a nossa protagonista deu uma volta de 180.º na minha consideração, com estes novos episódios, pelo que certamente não será surpresa que esta venha também a ser mencionada como um ponto negativo desta 2.ª temporada da série. Acredito que a pressa por parte dos escritores em retomar a relação entre Hope e Landon veio a prejudicar de forma significativa o natural decorrer da história, contribuindo para que determinadas narrativas que mereciam um pouco mais de atenção fossem aceleradas ao ponto de fazerem pouco sentido ou terem pouco impacto. Adicionalmente, a lembrança constante de que é suposto que os dois sejam o “amor épico” um do outro nada mais faz do que transparecer a falta de segurança que os escritores e as próprias personagens têm na relação, algo que, por sua vez, a faz parecer pouco genuína e, por vezes, algo enfadonha. Neste departamento, tenho a dizer que Legacies tem bastante sorte em ter atores capazes de carregar a relação pela química que partilham, uma vez que essa é a única razão que me impede de odiar por completo este casal.

Apesar das nossas muitas queixas em relação a esta nova temporada, esta teve, também, os seus bons momentos. Ainda que muitos dos elementos explorados nesta 2.ª temporada da série não tenham funcionado bem no contexto geral, existem vários episódios que funcionam bem por si sós e muitas boas ideias que, de melhor ou pior forma, foram exploradas. À semelhança de Josie, Lizzie sofreu também várias e importantes mudanças ao longo dos episódios, muitas delas relativas ao seu desenvolvimento enquanto personagem, e tornou-se numa melhor pessoa pelas suas experiências. Já a sua relação com MG finalmente viu algum desenvolvimento, pelo que estamos ansiosas por ver aonde a série os levará. Por fim, mesmo quando Legacies colocou Landon, Hope e Josie num triângulo amoroso, Hope nunca se posicionou contra a sua amiga, nem mesmo quando Josie foi desagradável para com a tríbrida. Ao invés, Hope procurou remendar a sua relação, o que produziu uma narrativa bastante mais interessante que o estereótipo já conhecido neste tipo de triângulos. E, é claro, a jornada da Dark Josie foi simplesmente deliciosa de se acompanhar.

Assim, resta-nos apenas terminar esta review com as nossas esperanças para esta próxima temporada e, quem sabe, talvez temporadas seguintes. Em primeiro lugar, gostaríamos que a série se focasse mais nas (muitas) personagens que já tem, ao invés de recrutar novos nomes para a série. Ainda que não seja necessário que se foque em todas as personagens ao mesmo tempo, acreditamos que existe definitivamente espaço de manobra para que todas as personagens possam gozar de algum tipo de desenvolvimento, sem que isso prejudique a narrativa ou personagens principais.

Em seguida, vemos uma necessidade em centralizar o plot. Este desejo passa por abandonar em grande parte o formato de monstro da semana em favor de narrativas mais complexas, preferencialmente que possam ser seguidas por vários episódios, a par e passo com a narrativa principal da temporada.

Esta centralização passa ainda pela conclusão da narrativa de Malivore como a conhecemos, assim como pela mudança do foco de novo para o trio que verdadeiramente levou e agarrou os fãs de The Vampire Diaries The Originals (e, é claro, novos fãs também) à 1.ª temporada da série: Lizzie, Josie e Hope, as personagens que herdam o legado histórico dos seus progenitores.

Achamos ainda que seria benéfico para a série fazer com que a narrativa externa e interna das personagens andasse lado a lado, com uma a alimentar a outra. Esta temporada pareceu um pouco superficial neste sentido, com vários eventos que simplesmente aconteceram às personagens, mas não as mudaram de forma significativa, ou instâncias em que a jornada pessoal das personagens não impactou a narrativa geral. Acreditamos também que existe espaço para que Legacies se torne um pouco mais séria e arriscada, sem com isso perder a sua essência enquanto série divertida do universo de The Vampire Diaries.

A série precisa ainda de fazer um reset à relação de Hope e Landon – ou, no mínimo, colocá-la em pausa. Ambas as personagens precisam de crescer fora desta relação antes de a retomarem, em especial tendo em conta que muitos dos problemas e inseguranças entre os dois que surgiram na 1.ª temporada da série ainda se mantêm. De forma inversa, seria interessante ver o surgimento de novas relações ou o desenvolvimento de outras tantas já existentes. Ainda que não acreditemos que as relações amorosas em si sejam prejudiciais à série, respeitamos que estas não devem ocupar um lugar principal num programa que tem tanto para dar noutros departamentos.

Gostaríamos ainda que Legacies se preocupasse em trazer à sua audiência mais storylines focadas nas várias fações sobrenaturais abrangidas pela Salvatore School, uma vez que estas últimas temporadas têm sido fortemente focadas nas bruxas. Talvez esse shift ocorra quando Hope ativar os seus poderes enquanto vampira – algo que estamos mortas por ver apesar de não o desejarmos à personagem devido às circunstâncias necessárias para o fazer acontecer. De forma semelhante, seria interessante que Lizzie tivesse uma narrativa sua nesta próxima temporada, fora da sua condição enquanto irmã de Josie e membro dos Gemini.

Por fim, o orçamento para efeitos especiais de Legacies continua a desiludir imenso, talvez mais até do que na sua 1.ª temporada. Assim, reforço o nosso desejo de um orçamento maior para a série – ou, no caso de tal não ser possível, evitar ao máximo situações em que este não será suficiente para concretizar de forma realista uma determinada ideia.

 

Melhor episódio:

Episódio 12 – Se, na temporada anterior, foi relativamente difícil escolher um episódio favorito, o mesmo não pode ser dito sobre esta temporada. Aqui, Kai Parker Screwed Us ocupa uma clara posição de destaque em relação aos restantes episódios, não só pelo facto de ter Chris Wood como convidado especial, retomando o seu papel enquanto Kai Parker no universo de The Vampire Diaries, mas também por ser, em termos técnicos e narrativos, o episódio mais bem pensado de toda a temporada. Kai Parker Screwed Us permitiu à série afastar-se um pouco do seu formato de monstro da semana, aproximando-a das suas antecessoras ao providenciar-lhe um verdadeiro vilão com quem lidar, ainda que por pouco tempo. Proporcionou também uma oportunidade de conhecer novas personagens ligadas ao passado de Alaric que, por sua vez, conferiram à série mais profundidade ao introduzir certas questões morais que, infelizmente, não foram exploradas de forma séria nos restantes episódios. Por fim, foi capaz de centralizar novamente a história que, até então, se encontrava dispersa, e colocou a atenção de todos sobre Josie – que, sabemos agora, veio a desempenhar um papel central no desenvolvimento da segunda metade desta temporada.

 

Personagem de destaque:

Josie Saltzman (Kaylee Bryant) – Apesar de esta nova temporada ter começado de forma bastante promissora para Hope, com performances incríveis por parte de Danielle Rose Russell,  com a progressão da temporada foi Josie quem tomou as rédeas e assegurou consistência ao longo dos vários episódios. Quer seja através da sua nova dinâmica com Hope, ao perder todas as suas memórias da tríbrida, ou a sua luta constante com a magia negra, o arco de história de Josie foi facilmente um dos mais bem pensados e consistentes da temporada (mesmo que a sua execução a nível narrativo pudesse ter sido melhor). 

Esta 2.ª temporada de Legacies veio a mostrar-nos um lado de Josie que, até à data, só tínhamos visto por breves instantes em episódios anteriores. Tivemos a oportunidade de conhecer o seu lado mais obscuro e explorar mais a fundo esta personagem que é regularmente classificada como a “gémea carinhosa”. A verdade é que Josie é perigosa e, para citar MG em Some People Just Want to Watch the World Burn, “quando alguém que não Lizzie se mete com Josie, a tendência é acordar com sarna”. Josie é uma bruxa extremamente poderosa que, durante a maior parte da sua vida, sentiu a necessidade de reprimir esse seu lado para passar a imagem da filha perfeita, uma vez que Alaric e Caroline tinham já muito com que lidar em relação a Lizzie. Tendo isso em consideração, faz todo o sentido que fosse ela a personagem a quebrar e mostrar o seu lado mais negro.

O desenvolvimento e a antecipação para a história de Dark Josie é provavelmente um dos melhores slow burns que Legacies alguma vez teve, uma vez que vimos a sua transformação progressiva para a sua natureza mais nefasta muito antes do mora miserium se partir. A conversa entre Josie e Hope em I Couldn’t Have Done This Without You tornou desde logo claro que a magia negra estava a tomar controlo das emoções da personagem e que esta não sabia como controlá-las. Este desenvolvimento levou-nos então àquele que consideramos o melhor episódio da temporada, referido acima.

Kai Parker Screwed Us apresentou-nos um lado mais calculista de Josie. Em todo o TVDverse, Josie foi a única personagem que, num curto espaço de tempo, conseguiu jogar o mesmo jogo mental que tornou Kai Parker num dos melhores vilões deste franchise. No entanto, Kai ultimamente fez o que faz de melhor e foi capaz de passar a perna à sua sobrinha, colocando-a entre a espada e a parede, o que a forçou a ter que quebrar o mora miserium e a absorver toda a sua magia negra. Com a Dark Josie em controlo total, finalmente conseguimos ver o quão malvada a ‘gémea carinhosa’ consegue ser – desde matar sem qualquer remorso a apressar a fusão e mesmo até matar a sua irmã gémea, vemos uma Josie completamente egocêntrica, preocupada apenas com os seus interesses e sem qualquer tipo de consideração pelos outros.

Achamos importante notar que a Dark Josie não é uma personagem diferente que simplesmente habita o corpo de Josie. A Dark Josie é, e sempre foi, a própria Josie. Esta representa o lado de Josie oprimido durante toda a sua vida e é também o lado de Josie que tem lutado pela sua autopreservação e que finalmente tomou controlo da sua vida. O facto de Dark Josie ser um lado real de Josie é o que, ultimamente, torna esta história tão boa de ver e vivenciar, uma vez que nos mostra o quão complexa esta personagem que adoramos realmente é (e, possivelmente, poderá abrir muitas portas para futuros enredos semelhantes).

O final da temporada traz consigo a conclusão da história de Dark Josie, com a nossa Josie a aceitar este seu lado mais negro. Legacies esclarece que esta jornada foi de aceitação e de amor próprio para a personagem e não somente uma história exterior ao seu conflito interno. Josie agora sabe que não precisa de ser sempre perfeita e que pode ter sentimentos negativos (desde que não deixe que estes controlem sempre as suas ações). Em vários aspetos, Josie começa agora a tornar-se na pessoa que Penelope sempre acreditou que ela poderia ser e que Hope reconhece sempre existiu e é esta a razão pela qual escolhemos Josie Saltzman como a nossa personagem de destaque para a 2.ª temporada de Legacies. Depois de tudo ser dito e feito, Josie lutou com unhas e dentes contra si própria e saiu por cima, não com um sentido erróneo de vitória contra este seu outro lado, mas sim com um sentimento profundo de autoconhecimento que poucos ganham ao longo da sua jornada.

 

Por agora, Legacies chega ao fim da sua 2.ª temporada, sem regresso marcado para um futuro próximo. Assim, gostaríamos de aproveitar este tempo para ouvir as vossas opiniões, boas ou más, sobre esta temporada, assim como quais os vossos momentos e personagens favoritos e esperanças para o futuro.

Inês Salvado e Liliana Capucho