Classificação

7.7
Interpretação
7.2
Argumento
7.3
Realização
8.5
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

Uma nova semana trouxe consigo um novo episódio de Legacies, o 12.º desta temporada.

Kai Parker Screwed Us marca o aguardado regresso de Chris Wood ao TVDverse. O ator volta a interpretar Kai Parker num episódio que coloca o personagem cara a cara com Lizzie, Josie e Alaric, após uma série de eventos que leva os últimos três ao seu mundo-prisão.

Não é segredo que este regresso de temporada de Legacies me tem vindo a desiludir, com episódios que pecam pelas suas storylines dispersas e uma geral falta de direção. Ora, será fácil perceber a minha surpresa quando aquele que considerei um dos piores episódios de toda a série é seguido por um dos melhores – se não mesmo o melhor.

Ainda que o seu personagem não tenha sido, de todo, um dos meus favoritos em The Vampire Diaries, é inegável que Chris Wood brilha neste episódio. Kai Parker regressa tão irritante, perverso e cruel como antes, sem nunca deixar de ser completa e totalmente magnetizante. Inicialmente, a audiência é levada a acreditar que Kai mudou um pouco ao longo dos vários anos em que esteve banido neste mundo-prisão, através da sua parceria com Josie. No entanto, qualquer um que esteja minimamente familiarizado com o personagem consegue perceber que é tudo representação e que Kai apenas está a usar a sua sobrinha para regressar ao mundo real.

Infelizmente, e apesar dos esforços de Josie para enganar o seu tio, Kai acaba por conseguir o que quer de forma um pouco inesperada. Ao invés de usar meios convencionais para escapar – até porque, nesse departamento, Josie consegue enganá-lo com bastante sucesso –, Kai recorre a Malivore para o transportar para outra dimensão. Apesar de as probabilidades não estarem a seu favor (afinal, o que previne Malivore de simplesmente o voltar a enviar para o mundo-prisão?), o híbrido de bruxa e vampiro acaba em Mystic Falls, onde é recebido pelo Necromancer. A chegada de Kai ao mundo real é algo que me deixa bastante ansiosa, tendo em conta a natureza do personagem. No entanto, estou de igual forma curiosa em ver o seu resultado, e questiono-me sobre as implicações do seu regresso para as restantes personagens da série.

De entre as várias personagens, Josie é talvez aquela que mais diretamente sofre as consequências de se aproximar de Kai. O build up da sua longa história com a magia negra culmina, por fim, com a bruxa a partir o mora miserium, libertando toda a magia que este em si continha e absorvendo-a. Não é uma decisão que Josie toma de ânimo leve, mas sim algo que lhe é sugerido por Kai antes de partir como sendo a única forma de conseguir, posteriormente, regressar ao seu mundo – o que, por si só, é o suficiente para levantar algumas suspeitas. Este acontecimento é algo pelo qual espero há já bastante tempo, pelo que tenho um grande interesse em ver o que irá acontecer daqui em diante com Josie.

Igualmente interessante será o futuro de Lizzie, que nos deixa num enorme cliffhanger no final deste episódio. Ainda que as suas cenas com Sebastian tenham sido, na sua grande maioria, desinteressantes, a carga dramática das mesmas vai-se intensificando. O vampiro acaba por demonstrar que, na realidade, não gosta de Lizzie necessariamente por quem é, mas sim por se tratar de uma substituta de Cassandra, o seu verdadeiro amor. Sebastian engana Lizzie a beber sangue de vampiro com a intenção de a transformar, ainda que contra a sua vontade. Por sorte, Lizzie usa os seus poderes para sugar a magia de Sebastian (e, devo dizer, adoro que Lizzie seja uma personagem que faz o que tem de ser feito) e parte em busca da sua família. No entanto, acaba por desmaiar ao volante como consequência da magia negra de Josie, sofrendo um acidente que, espero eu, não a tenha morto. Parte de mim quer acreditar que os escritores da série não fariam isto à personagem, despojando-a da possibilidade de escolher o que quer para o seu futuro, mas, tendo em conta que são os mesmos que nos trouxeram The Vampire Diaries e The Originals, as minhas esperanças não estão muito elevadas.

Ao longo desta temporada tenho-me vindo a queixar do facto de Legacies ter tantas personagens secundárias como parte do seu repertório que, ultimamente, não consegue produzir histórias satisfatórias, quer para estas personagens, quer para as personagens principais. Este episódio parece inverter um pouco esta tendência com a introdução de três novas faces: Jade (Giorgia Whigham, The Punisher), Wendy (Ronni Hawk) e Diego (Carlos Sanson), três ex-alunos da Salvatore School que foram enviados para o mundo-prisão por Alaric após terem cometido atos atrozes.

Se a narrativa entre Kai e as gémeas é uma que antecipava e desejava, a história entre Alaric e estes miúdos é algo que não sabia que queria até a ter. Esta foi primeiro apresentada em This is Why We Don’t Entrust Plans to Muppet Babies e, apesar de ter captado o meu interesse de imediato, nunca pensei ficar tão investida. Grande parte deste sentimento tem a ver com Jade, uma ripper que desligou a sua humanidade e aparece agora como figura principal deste trio. É, claramente, a personagem com quem mais facilmente criamos algum tipo de empatia, não só por ter mais tempo de antena que as restantes, mas também pela natureza quase trágica da sua história. Trata-se de uma personagem que não parece estar para além de redenção e parece apresentar a oportunidade perfeita para Alaric redimir os seus erros – para além de aparentar ser uma boa adição à série.

De volta a Alaric, a sua escolha tem tido um efeito bastante polarizante nos fãs da série, com a grande maioria a condenar o ex-caçador de vampiros pelas suas ações. Se é verdade que acredito que, enquanto Diretor da escola, Alaric tem a obrigação de cuidar e reabilitar todos os seus alunos, também percebo o porquê da sua decisão. Com Jade, Wendy e Diego a não mostrar qualquer tipo de remorsos pelo que fizeram, parto do princípio de que Alaric temia que as suas ações viessem a expor o mundo sobrenatural e, por conseguinte, a escola e os seus alunos à fação humana. Tendo em conta o que vimos numa das realidades alternativas visitadas por Lizzie na 1.ª temporada, em There’s a World Where Your Dreams Came True, é seguro afirmar que os medos de Alaric são justificados. Assim, ainda que não concorde com as suas ações, também não o posso condenar.

No geral, este foi um bom episódio para Legacies que, ao abandonar o registo do monstro da semana, se aproximou um pouco mais das suas antecessoras sem nunca perder a sua identidade. Ainda que não queira que a série descarte por completo este seu formato tão característico, acredito que é necessária uma mudança para que o nível de storytelling presente neste episódio se mantenha. Com apenas seis episódios até ao final desta 2.ª temporada, preocupo-me com o que ainda está para vir para as nossas personagens e de que modo a série começará a configurar a sua 3.ª temporada.

Inês Salvado