Classificação

7.2
Interpretação
6.5
Argumento
6.7
Realização
8.5
Banda Sonora

Temporada: 1

Número de episódios: 16

 

Atenção: esta review contém spoilers!

Em outubro de 2018, Legacies, o spin-off de The Vampire Diaries The Originals, chegou pela primeira vez aos ecrãs americanos (podem ler aqui a nossa review do episódio piloto da série), tendo posteriormente a sua estreia no nosso país em fevereiro de 2019, através do serviço de streaming HBO Portugal.

Pertencendo ao universo de The Vampire Diaries (TVD-verse?), a série desenvolvida por Julie Plec leva-nos à Salvatore School for the Young and Gifted, um colégio privado para crianças e adolescentes sobrenaturais, onde reencontramos Hope (Danielle Rose Russell), Josie (Kaylee Bryant), Lizzie (Jenny Boyd) e Alaric (Matt Davis) nas suas novas aventuras.

Como referi na review do primeiro episódio, não tinha qualquer interesse em começar a ver esta série, de início. Estava já saturada com as suas antecessoras, e a última coisa que queria fazer era começar outra série semelhante. Após o primeiro episódio, no entanto, senti alguma curiosidade e continuei a ver Legacies. Muito mudou desde essa primeira impressão com a série (nomeadamente, resolvi acabar de ver The Originals, apesar de estar ainda a tentar encontrar coragem para terminar TVD), e algumas das opiniões que tinha em relação à mesma já não se verificam.

Pessoalmente, acredito que uma série não precisa de ser boa para ser uma boa série. Percebi, com o tempo, que Legacies não se leva demasiado a sério e, mais importante ainda, que não é suposto ser levada a sério. Legacies é para as suas antecessoras o que Legends of Tomorrow é para o Arrowverse: um tempo bem passado, geralmente leve, um pouco mais profundo do que aparenta ser à superfície, e com o seu ocasional momento triste ou sério aqui e ali para relembrar a audiência que, no final de contas, continua a ser uma série dramática. Estes momentos parecem até ter um maior impacto no contexto da série, contrastando de forma clara com as cenas mais leves e o tom geral de bom humor que predomina nos episódios.

Este ambiente é conferido, em grande parte, através das personagens e das situações caricatas em que se encontram no seu dia a dia. Afinal de contas, são um monte de miúdos do secundário que se veem obrigados a encarar ameaças que nunca pensaram ser reais, ao mesmo tempo que lidam com os seus problemas pessoais, muito típicos da sua idade. Existem personagens a lidar com sentimentos de perda, enquanto outras curam corações partidos. Há ainda quem aprenda a enfrentar problemas psicológicos, e muitos procuram simplesmente encontrar o seu lugar no mundo. É a humanidade das personagens de Legacies que faz com que a série seja completamente deliciosa. Mesmo personagens que começam por ser insuportáveis (o caso de Lizzie e Kaleb – Chris Lee –, para mim) acabam por encontrar o seu caminho para os corações da audiência, e a diversidade de personagens, com diferentes etnias, sexualidades, e até mesmo problemas psicológicos, apenas contribui para isso.

O elenco de Legacies é, como seria de esperar, relativamente extenso e, apesar de a maioria destes atores ser relativamente nova na indústria, devo dizer que foram poucas as performances de que não gostei. Consigo contar pelos dedos momentos que me deixaram de pé atrás e acredito que, com algum tempo e trabalho, muitos destes membros podem chegar longe. Destaco, nesta temporada, atuações por parte de Danielle e Lulu Antariksa (Penelope Park na série e, na minha opinião, uma das melhores atrizes de Legacies), ainda que esta última não faça parte do elenco principal.

Apesar de pertencer ao universo de The Vampire Diaries, a série consegue distanciar-se de forma positiva das restantes, marcando um tom e ritmo muito seus sem quebrar por completo a sua ligação ao passado. Destas séries, herda a sua apelativa banda sonora, a maior parte da qual já se juntou à minha playlist pessoal. A sua cadência é marcada pelo aparecimento do vilão da semana, algo muito típico das séries de super-heróis deste canal, e que acaba aqui por funcionar razoavelmente bem. Está ainda repleta de referências a cultura popular, como vilões e heróis de banda desenhada e, seria de esperar, obras como Harry Potter e afins. Ainda que seja bom que a série tenha encontrado a sua identidade própria, tenho uma pequena crítica a apontar a Legacies, que tende a partir do princípio que a sua audiência é a mesma das duas outras séries. A verdade é que, enquanto isso se aplica a grande parte da audiência, muitas das referências a eventos passados podem facilmente passar ao lado de quem nunca viu The Originals ou TVD. Regra geral, não é algo que impeça o entendimento da série, mas ainda assim estas referências deveriam ser feitas com mais cautela. É ainda por esta razão que não gosto particularmente que personagens do passado façam a sua aparição em Legacies, ainda que esteja curiosa em relação ao retorno de Freya (Riley Voelkel) nesta próxima temporada.

Por fim, a série mantém um nível de qualidade bastante bom durante a grande maioria da temporada, com a exceção de um ou outro episódio um pouco mais “morto”. O orçamento para efeitos especiais nesta primeira temporada deixou algo a desejar, especialmente no que toca à representação física dos lobisomens, quando em forma de lobo. São problemas que espero que se resolvam na segunda temporada.

 

Melhor episódio:

Episódio 6 – Se houve um episódio que fez um bom trabalho em mostrar o que de bom Legacies tem, então Mombie Dearest foi esse episódio (ainda que There’s a World Where Your Dreams Came True seja um forte concorrente a melhor episódio). Aqui, celebramos o aniversário de Lizzie e Josie com o regresso de Jo (Jodi Lyn O’Keefe) do mundo dos mortos, o que despoleta toda uma jornada emocional pois, como seria de esperar, Jo não pode permanecer viva. Sei que disse que não gosto particularmente de personagens do passado intrometerem-se nesta série, mas Jo é sem dúvida a exceção à regra, por aquilo que trouxe à história de Josie, Lizzie e Alaric.

 

Personagem de destaque:

Hope Mikaelson (Danielle Rose Russell) – É verdade que todas as personagens desta série ocupam um lugar no meu coração, mas Hope ocupa um lugar especial. Estando já familiarizada com a personagem de The Originals, vê-la crescer ao longo de Legacies tem sido uma verdadeira aventura. É das personagens que mais mudou ao longo da primeira temporada, passando de uma rapariga que, após a morte dos pais, sente dificuldade em relacionar-se com outras pessoas, a alguém que é adorada por todos e, por fim, se sacrifica por aqueles de quem gosta.

Inês Salvado