Classificação

7.5
Interpretação
7.2
Argumento
7.4
Realização
8
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

Legacies regressou na semana passada com There’s A Place Where The Lost Things Go, o 14.º episódio desta temporada e o primeiro após um breve hiato.

Neste novo episódio, Emma sugere que os alunos participem numa simulação de grupo que os transporta para um mundo film noir, de modo a ajudá-los a lidar com os seus mais recentes traumas. Rapidamente, os estudantes percebem que têm que confrontar os seus problemas diretamente, ou arriscam sofrer as catastróficas consequências deste jogo.

There’s A Place Where The Lost Things Go tem assim por base mais uma ideia um pouco fora do registo normal da série, sem nunca deixar de ser algo a que esta se pode dar ao luxo de fazer, dada a sua natureza imprevisível. A possibilidade de usar uma simulação (que, ultimamente, acaba por ser uma espécie de jogo) para lidar com problemas reais que as nossas personagens estão a sentir ou têm de resolver é, de facto, uma boa ideia por parte de Emma, ainda que não corra como esperado.

A ideia do jogo é simples. Os vários participantes adotam papéis enquanto personagens num determinado contexto (neste caso, Mystic Falls numa versão film noir típica da década de 40), não estando cientes de que esta não é a sua realidade. Neste cenário, são colocados em situações que evidenciam os problemas com os quais se debatem na vida real, sendo que se tornam cientes da posição em que se encontram e podem sair do jogo quando os conseguem reconhecer. Parece simples o suficiente, certo?

Bom, nada em Legacies é simples. Aliás, Legacies parece ter um certo talento em complicar o que é fácil e simplificar o que é difícil, mas sobre isso falaremos no próximo artigo. Como seria de esperar, Dark Josie faz das suas e resolve sabotar aquilo que é suposto ser um momento de terapia para todos, tornando-o, em vez disso, numa espécie de pesadelo. Em típico estilo noir, os personagens passam a lidar com um murder mystery, com Milton Greasley a liderar a investigação.

Este tipo de expressão pode não ser apreciado por muitos, mas, pessoalmente, sou fã deste género e adoro quando séries modernas dedicam algum do seu tempo de antena a homenageá-lo. Ainda assim, tenho desde já a dizer que este é um episódio que apreciei muito mais numa segunda visualização – algo que não é necessariamente mau e, aliás, sinto constantemente com obras dentro deste género. O modo de falar, a música, os cenários e caracterização são todos merecedores de apreciação e, a esse nível, não tenho quaisquer críticas a apontar à série. Acredito que todos os envolvidos fizeram um bom trabalho, tendo um particular apreço pelos atores da série que facilmente entraram no espírito e produziram boas performances.

Começo, no entanto, por falar sobre Josie, que acaba por estar no centro de toda a ação deste episódio. A personagem desempenha o papel de publicista de Lizzie (que, por sua vez, aparece como sendo uma atriz nesta simulação), sendo que o seu lado negro é responsável pelas várias mortes que acontecem ao longo deste episódio. Dark Josie altera as regras do jogo e elimina os vários intervenientes com o objetivo de deixar apenas Lizzie para trás, de modo a que a sua irmã fique presa nesta situação até ser inevitavelmente absorvida na altura da fusão entre as duas. Os seus planos são interrompidos por Hope, que elimina a bruxa da equação, salvando Lizzie no processo.

Este episódio marca a chegada definitiva de Dark Josie a Mystic Falls, colocando esta faceta da personagem a público após o final inquietante de You Can’t Save Them All. Apesar de começar o episódio a aparecer apenas a Josie, importunando o seu momento com Jade, a personagem termina There’s A Place Where The Lost Things Go com um bang – literalmente. Dada a proximidade de Josie às restantes personagens da série (e, assim, a relutância das mesmas em lutar contra ela), a vilã poderá ser a maior ameaça até à data para as personagens de Legacies e estou bastante curiosa em ver de que forma a série lidará com o assunto.

Entretanto, os restantes alunos da Salvatore School aproveitaram para lidar com os seus próprios problemas, sendo que este foi um dos meus aspetos favoritos deste episódio. Lizzie percebe que estava cega para os problemas da sua irmã, enquanto Hope chega à conclusão que a sua relação com Landon está destinada a falhar. Já Rafael descobre a sua conexão ao Necromancer, e Milton admite que é incorrigivelmente perdido de amores por Lizzie. O verdadeiro Vardemus (Alexis Denisof) faz a sua primeira aparição após ser aprisionado por Clarke, e Jade admite a sua atração por Josie. Apesar de algumas destas revelações parecerem irrelevantes, acredito que a sua grande maioria desempenhará um papel importante em episódios vindouros e aprecio imenso algumas conexões criadas neste episódio, nomeadamente entre a palavra-chave de cada personagem e a sua significância para a sua situação em específico. É a atenção a detalhes como estes (e, já agora, alguém reparou no cameo do Merman da primeira temporada?) que renova a minha fé em Legacies, ainda que acredite que a série não está a viver o seu pleno potencial, neste momento.

Por fim, tenho a dizer que a cena entre Lizzie e MG, de volta ao mundo real, foi facilmente uma das minhas preferidas em todo o episódio. Há algum tempo que aguardava um pedido de desculpas sincero por parte da bruxa para com o vampiro, pelo que gostei que Lizzie assumisse responsabilidade pelas suas ações e pela maneira como usa a paixoneta de MG a seu favor. Sempre gostei da dinâmica entre os dois e fiquei um pouco desiludida com a atitude de Lizzie quando Sebastian surgiu, mas quem sabe o que o futuro aguarda para a relação entre os dois. Pessoalmente, acho que têm ainda algum caminho a percorrer antes de entrarem numa relação romântica, mas não me oponho a tal.

Com esta temporada de Legacies encurtada devido à pandemia com a qual todos vivemos, aproximamo-nos rapidamente da nossa season finale, com data marcada para o próximo dia 26 de março.

Inês Salvado