Classificação

7.6
Interpretação
7.1
Argumento
7.2
Realização
8.5
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

Após um episódio repleto de emoção e reviravoltas, Legacies traz-nos a conclusão dos eventos de Kai Parker Screwed Us em You Can’t Save Them All, o 13.º episódio desta nova temporada.

De volta a Mystic Falls, Hope vê-se numa corrida contra o tempo quando a ameaça da profecia se faz sentir e a pressão para salvar os Saltzman aumenta. Entretanto, a tentativa de Alaric em manter a sua família segura força-o a tomar uma decisão difícil.

Mais uma vez, Legacies mostra-se capaz de produzir bons episódios com You Can’t Save Them All. Neste novo capítulo, é Josie quem rouba as atenções – ou, na verdade, Dark Josie. Há muito que os fãs da série aguardavam o momento em que a bruxa libertaria a magia negra contida no mora miserium, e esse momento chegou, por fim, no episódio anterior.

Pessoalmente, não sabia bem o que esperar de Dark Josie e, durante bastante tempo, isso deixou-me nervosa. Com todo o build up que temos vindo a sentir ao longo desta temporada em redor do assunto, cheguei mesmo a pensar que esta nova faceta da bruxa a viesse a tornar em alguém pior até que o seu tio. Assim, fiquei surpreendida pela positiva quando, na verdade, esta versão de Josie aparenta ser apenas mais poderosa e egoísta que a original, pensando de forma fria e calculada, ainda que sem causar o mal a outros.

Agrada-me que a série tenha escolhido tomar esta abordagem com Josie, pelo menos por agora. Dada a sua personalidade, acredito que Josie não lidaria muito com a possibilidade de ter magoado outras pessoas enquanto sob a influência de magia negra e, tendo em conta a tenra idade das nossas personagens, é algo que, pessoalmente, não quero que lhe aconteça. No entanto, parece que Dark Josie estará entre nós durante algum tempo e, com o Necromancer a precisar da bruxa para levar a cabo o seu plano, apenas o tempo dirá que tipo de atrocidades Josie poderá vir a cometer no futuro.

Ainda que Josie apareça como personagem de destaque neste novo episódio, Kai Parker volta a roubar a atenção na grande maioria das cenas de que faz parte. Apesar de o personagem não ter tanta importância para este episódio como teve para o anterior, é inegável que You Can’t Save Them All é um episódio relevante para Kai, [atenção: spoiler!] que vê a sua vida chegar a um fim pela mão (e espada) de Alaric. Conhecendo o universo de The Vampire Diaries, custa-me acreditar que este será um final permanente para o personagem, mesmo que assim o pareça. Pessoalmente, achei-o um pouco fácil e anti climático, tendo em conta tudo o que Kai já fez não só a Alaric e à sua família, mas também a outras personagens deste universo.

Mas a verdade é que Legacies continua a surpreender ao tomar decisões diferentes daquilo que seria o expectável nas séries que a antecederam. Mencionei, no episódio anterior, a minha preocupação relativamente ao futuro de Lizzie, que sofreu um acidente enquanto tinha sangue de vampiro no seu sistema. Ao ver a bruxa no início deste episódio, não consegui não imaginar o pior cenário. No entanto, a série resolve não despojar a personagem da sua capacidade de autodeterminação e, com alguma ajuda por parte de Jade, Alaric consegue salvar a sua filha daquilo que teria sido um futuro bastante diferente daquele que Lizzie imagina para si mesma. Aplaudo a série por esta decisão, ainda que tenha interesse em ver uma das gémeas como herege num futuro próximo.

De forma mais previsível, parece que alguns dos alunos que Alaric enviou para o mundo-prisão terão a oportunidade não só de se redimir, mas também de redimir Alaric. Novamente, Jade aparece como a personagem de maior destaque de entre os três alunos e, graças a Josie, a ripper vê a sua humanidade ser restaurada no início do episódio, desempenhando, posteriormente, um papel fundamental em salvar a vida de Lizzie. Enquanto a história de Diego chega ao seu fim quando este é forçado a ficar no mundo-prisão e Wendy não tem grande desenvolvimento no decorrer deste episódio, Jade parece envolver-se cada vez mais com as personagens principais, em especial Josie, com quem parece partilhar um momento no final de You Can’t Save Them All. Ainda que seja uma fã devota da relação entre Josie e Penelope, tenho bastante curiosidade em explorar outras possibilidades para a bruxa e mal posso esperar por ver o desenvolver desta relação.

Já a redenção de Alaric é um work in progress. Neste episódio, o Diretor da Salvatore School toma a decisão altruísta de permanecer no mundo-prisão como âncora para que as suas filhas, juntamente com os restantes três alunos, consigam regressar a Mystic Falls. No entanto, o louvável sacrifício de Alaric não chega a acontecer, uma vez que Sebastian aparece no momento certo para redimir os seus próprios erros, tomando o lugar do pai de Lizzie. É certo que não queria que Alaric fosse deixado para trás, mas espero que a série se dê ao trabalho de o fazer esforçar-se para ganhar e merecer novamente o respeito e confiança dos seus alunos.

Outro aspeto que, pessoalmente, achei positivo neste episódio, foi o facto de este colocar Hope numa posição aparentemente impossível, forçando-a a escolher entre salvar Landon e os Saltzman. Não é segredo que a minha apreciação pela relação entre a bruxa e a fénix já viu melhores dias, pelo que também não o será que me agradou bastante que Hope tenha escolhido as gémeas ao invés de Landon. Ainda que a série justifique a decisão de Hope ao afirmar que esta escolheu salvar o maior número de pessoas possível, a minha interpretação pessoal da decisão remete-me ao lema da família de Mikaelson, “always and forever”. Ora, sendo os Saltzman aquilo que Hope tem que mais se assemelha a uma família (e, aqui, ignoramos o facto de Hope ter ainda familiares vivos, uma vez que a série também parece esquecer-se disso de tempo a tempo), e sendo a família o mais importante para os Mikaelson, pareceu-me fazer todo o sentido que Hope decidisse salvar aqueles que considera ser a sua família.

Passando agora para aspetos que, na minha opinião, foram menos interessantes (sem querer com isto dizer que tenham sido maus), o regresso de Rafael foi definitivamente algo que me apanhou por surpresa, ainda para mais dado que este não tem qualquer memória dos eventos que o levaram a ser encontrado no meio da floresta. É algo, no mínimo, suspeito, pelo que me questiono se Rafael não virá a ser o lobo de muitas faces a que a profecia se refere.

Entretanto, Landon continua a desenvolver as suas habilidades, sendo que, finalmente, as vemos de forma mais clara – ainda que os efeitos especiais das séries da CW continuem a deixar bastante a desejar, sendo este um dos pontos fracos da série. Na minha opinião, Landon mantém o seu estatuto enquanto personagem por quem não sinto grande interesse, algo que me incomoda, uma vez que adoro a sua personalidade. Pessoalmente, sinto-me frustrada uma vez que quero gostar de Landon, mas simplesmente acho que a série tem personagens muito mais interessantes, carismáticas e complexas que a fénix, com as quais poderia passar mais tempo.

É impossível falar de Landon, neste episódio, sem falar também de Dorian. Legacies parece querer enganar os fãs ao apresentar o bibliotecário como o herói que cai pela flecha dourada, mas não acho que seja tão simples quanto isso. Sabemos já que o alvo dessa mesma flecha era Landon e que, na verdade, Dorian não morreu no ataque. Ao que tudo indica, esta porção da profecia será revisitada no futuro, e ainda que Landon esteja a salvo por agora, nada garante que terá a mesma sorte daqui em diante.

You Can’t Save Them All parece colocar ainda em andamento o arco de redenção de Alyssa que, apesar de, inicialmente, resolver ajudar a Kai, põe agora de lado os seus problemas com os Saltzman para salvar as suas vidas. Por fim, ainda que pareçam um pouco desapegadas do tom sério do resto do episódio, gostei da comic relief proporcionada pelas cenas entre MG, Kaleb e Jed.

Em suma, apesar de mais disperso entre personagens que o episódio anterior, You Can’t Save Them All demonstra, juntamente com Kai Parker Screwed Us, que Legacies é capaz de produzir episódios e narrativas ao nível de qualidade que era esperado de The Vampire Diaries e The Originals. Sempre fui da opinião que a série se distingue das suas antecessoras pelos mesmos motivos que Legends of Tomorrow se distingue das restantes séries do Arrowverse e, de igual modo, acredito que Legacies é assim uma boa série por tudo o que a torna diferente. Não a julgo pelos mesmos critérios que associava às séries do TVDverse, mas vejo em Legacies uma necessidade de começar a alterar o seu formato de forma a conseguir produzir melhores conteúdos, e acredito que existe bastante espaço para o fazer sem colocar em risco a sua identidade.

Legacies entra agora em hiatus, sendo que regressará no próximo dia 12 de março com There’s a Place Where the Lost Things Go.

Inês Salvado