Classificação

8.7
Interpretação
8.7
Argumento
8.6
Realização
8
Banda Sonora

[Contém spoilers]

“You carry the torch for the great Fox family. You stand for justice. You’re going to need anger to win that fight.”

Regressamos esta semana com um novo episódio de BatwomanRebirth, o mais recente e emocionante capítulo desta 2.ª temporada. Quando um inimigo familiar regressa à cidade de Gotham, Ryan e Mary vem-se mais do que nunca forçadas a depender uma da outra. Entretanto, Alice embarca numa nova missão e consegue que um inesperado aliado se junte a ela.

Com o final da sua temporada a aproximar-se a olhos vistos, após esta ter sido encurtada para um total de 18 episódios ao invés de 19, Batwoman continua a preparar as suas personagens para um novo capítulo nas suas vidas, sendo o título deste mais recente episódio um descritivo apropriado para as situações em que se encontram. De facto, Rebirth faz um excelente trabalho neste sentido, apresentando-se como um capítulo cativante para a série, capaz de aumentar as nossas (já razoavelmente elevadas) expectativas sobre a sua 3.ª instalação.

Surgindo no seguimento dos eventos de Armed and Dangerous, episódio que viu Luke entre a vida e a morte, este novo capítulo da série dedica uma porção da sua duração ao personagem que, de forma compreensível, precisa de algum tempo longe da batcave e das suas responsabilidades enquanto membro da Bat Team para recuperar do seu encontro com Tavaroff. Ao descobrir que o ex-agente responsável pelo seu tiroteio foi libertado sob fiança, Fox resolve lidar com este seu problema, fazendo-se passar por um agente de segurança de modo a poder confrontar Russell no seu estabelecimento de eleição. Após uma breve troca de palavras, o nosso personagem desafia Tavaroff para um jogo de póquer, sendo acompanhado por John Diggle (David Ramsey), que se encontra em Gotham sob contrato da ARGUS. Ainda que Tavaroff não jogue de forma justa, é Luke quem vence a casa, para desagrado do agente. 

A vitória cerimoniosa do personagem é vista como uma provocação por Russell, que tenta acertar contas com Fox à saída do bar. No entanto, Diggle não tarda a interferir, neutralizando com facilidade a ameaça que é Tavaroff. Segue-se uma cena entre John e Luke, na qual o personagem de Arrow partilha a sua experiência no que diz respeito à perda do seu próprio pai durante a juventude, assegurando a Luke que não tardará a ver Lucius. Reforça, também, a importância de fazer o melhor que pode com a sua vida antes que esta chegue a um fim, encorajando o jovem Fox a utilizar a raiva que carrega consigo para lutar por aquilo que realmente importa. O momento partilhado pelos personagens surge com naturalidade, dentro do registo do que vimos a esperar de Batwoman e certamente da memória que temos de Diggle. Adicionalmente, representa um agradável e subtil crossover entre séries, apesar de Arrow não se encontrar mais no ar, e irá sem dúvida influenciar a decisão de Luke de adotar um novo propósito enquanto Batwing. Aparece também com muito mais naturalidade do que os eventos anuais das séries da DC, pelo que não nos opomos a cameos futuros – desde que neste mesmo registo.

Entretanto, Alice e Jacob embarcam na sua própria aventura. Armados com a suspeita de que Kate continua viva, o duo rapta Circe Sionis da sua própria casa, levando-a até à antiga sede dos Crows. É aqui que confirmam a sua tese, submetendo a personagem a um teste de ADN que atesta a sua verdadeira identidade como Kate Kane. Assim, Alice e o seu pai podem agora passar à segunda fase do seu plano: recuperar as memórias reprimidas de Kate sem a orientação de Enigma. Para este efeito, Alice procura apelar à ligação emocional que partilha com a sua irmã gémea para trazer ao de cima as suas lembranças, o que resulta numa tocante cena na qual a personagem relembra um doce gesto que teve para com Kate quando esta lhe tentou contar a verdade sobre a sua orientação sexual, em criança. Apesar de se tratar de um dos momentos de maior destaque de Rebirth, o plano de Alice não funciona por completo, resultando numa recuperação parcial das memórias de Kate, mas mostrando-se incapaz de quebrar toda a lavagem cerebral levada a cabo pela Dr.ª Rhyme. 

Enquanto Alice dá o seu melhor para ultrapassar as barreiras mentais que separam a sua irmã de Cersei, Jacob coloca Mary a par das novidades. Dizer que as notícias sobre Kate surgem como uma surpresa para Mary é um autêntico eufemismo, uma vez que a personagem sente uma enorme dificuldade em perceber como isto é possível depois de Julia ter afirmado encontrar os restos mortais da sua irmã (relembramos os últimos minutos de Survived Much Worse e os acontecimentos que se seguiram). Embora assoberbada, a jovem Hamilton não tem muito tempo para processar o sucedido, uma vez que Tatiana e vários membros da False Face Society capturam o seu pai e, de seguida, Alice, sendo que Kate tem a vantagem de conseguir escapar no processo.

Felizmente para a personagem, a sua sorte não termina por aqui. Ao fugir da cena, Kate dá de caras com Ryan, que se dirigia à sede dos Crows depois de descobrir o que aconteceu. A nossa protagonista dá meia volta e parte em direção à Wayne Tower, onde se torna dolorosamente claro que as memórias do passado de Kate são escassas e dispersas. A personagem não consegue sequer reconhecer Mary, a sua própria irmã, ainda que as suas memórias de Sophie regressem de imediato quando o seu olhar se cruza com o da ex-agente (e, é claro, seu antigo interesse amoroso). Esta é talvez a altura errada para dizer que temos tanto interesse em que a série retome o romance entre Sophie e Kate, como em ver uma potencial nova relação amorosa entre a ex-agente dos Crows e a nossa atual Batwoman. Recusamo-nos a escolher entre as duas, pelo que estamos completa e totalmente à mercê das decisões dos escritores da série.

Sem qualquer ideia do que fazer para ajudar Kate, Ryan e o resto da Bat Team chegam à conclusão que a sua melhor aposta será recuperar Alice, que se encontra sob custódia de Safiyah e seus súbditos, que procuram retaliação após a destruição de Coryana. Salvar a nossa anti-heroína favorita não acontece sem o seu preço, pelo que Ryan se vê forçada a abdicar do seu vaso de desert rose – a última lembrança que tem da mãe – em troca de Alice. Apesar de ser uma decisão difícil, Wilder relembra o impacto de Kate na sua vida, concluindo que o ganho que seguirá o regresso da ex-vigilante ultrapassará a dor do seu próprio sacrifício. Para alívio de Ryan, Safiyah aceita esta permuta, deixando Alice partir com um aviso. Para seu desagrado, no entanto, Alice tem de fazer um desvio antes de regressar ao lado de Kate, partindo em busca de Ocean que, para surpresa de ninguém, foi executado por Tatiana (que vê o seu próprio fim às mãos de Alice). Ainda que a morte de Ocean não chegue com grande espanto a pessoas que, como nós, suspeitavam que a nossa vilã favorita não viria a ter o final feliz de que tanto deseja, temos de admitir que a despedida ao personagem nos custou um pouco mais do que estávamos à espera, mesmo após os seus comportamentos mais problemáticos. Afinal de contas, o personagem é, também, uma vítima na sua própria história, e merecia muito mais do que uma morte prematura – da mesma forma que Alice merecia ser feliz a seu lado.

De volta a Jacob, descobrimos que o personagem é mantido cativo por Black Mask (ou, Jacob descobre agora, Roman Sionis). O vilão desta temporada tem o GCPD no seu bolso, levando a que os polícias de Gotham prendam o personagem pela sua colaboração com Alice, revelando a verdadeira identidade da anti-heroína. Durante a sua detenção, o ex-comandante dos Crows é entrevistado, utilizando o seu tempo de antena para reconhecer que Alice é, de facto, Beth, e apelando a que a cidade de Gotham se lembre da jovem que desapareceu anos antes e que teve de lutar toda a sua vida para conseguir sobreviver quando chegar a altura de a julgar pelas suas ações, ao invés da figura atroz que têm vindo a conhecer. As palavras de Jacob movem a sua filha, mas Alice não é a única a receber uma mensagem do seu pai. Na verdade, o personagem telefona a Mary a partir da prisão para informar a jovem Hamilton que irá pedir transferência para Metropolis. Sim, pessoal, parece que nos vamos ver livres de Jacob quando o personagem começava a ter o seu devido interesse (mas não iremos chorar sobre o assunto). Antes de partir, o patriarca da família Kane coloca ao encargo de Mary a tarefa de salvar as suas irmãs – tanto Kate, como Alice. O pedido final de Jacob abre caminho para uma nova etapa na vida de Mary Hamilton, que passará por perdoar a sua irmã pela morte de Catherine. Esta é uma das várias storylines que temos vindo a antecipar desde a 1.ª temporada da série e mal podemos esperar por a ver concretizada numa 3.ª temporada.

Por fim, resta-nos mencionar que o episódio culmina com o regresso de Kate à mansão de Sionis, onde a personagem exige saber a verdade sobre o que lhe aconteceu, chegando a esfaquear Roman na sua procura por respostas. O encontro é interrompido por Safiyah, que afirma poder ajudar Kate a recuperar as suas memórias, sem especificar de que modo isto a beneficia. Com dois episódios a separar Rebirth do final desta temporada (e tendo em conta o vídeo promocional do próximo episódio), achamos justo dizer que não sabemos quais as motivações de Safiyah para ajudar Kate. Teorizamos que a personagem procura recrutar a irmã de Alice para a sua equipa ou até mesmo usá-la como arma contra a sua antagonista. Ainda assim, tudo isto surge como especulação da nossa parte.

Como sempre, temos ainda que falar sobre alguns aspetos deste episódio que não se enquadram nos restantes parágrafos, sendo, por isso, deixados para o final desta review. Assim, referimos que a verdadeira razão que levou Diggle a Gotham é o facto de o personagem estar a sofrer de um problema neurológico que lhe tem vindo a causar lapsos de memória, procurando respostas para o sucedido com neurocirurgiões da cidade. Temos alguma curiosidade em descobrir o que perturba o personagem e qual será o seu futuro, ainda que tenhamos dúvidas que estas respostas nos sejam proporcionadas em Batwoman. Ficámos surpresas em ver que Mary e Ryan são capazes de se desenrascar com algum sucesso sem Luke em cena, mas a ausência do personagem no contexto da Bat Team é fortemente sentida. Agrada-nos que Mary tenha reforçado a importância de Fox para esta equipa, mencionando que não se arrepende de ter impedido a morte do personagem. Este duo continua a trazer-nos um enorme conforto, relembrando-nos do quanto a sua dinâmica mudou desde o seu primeiro encontro. Finalmente, também o desejo de Ocean de causar uma boa impressão sobre Jacob nos aqueceu o coração, ainda que os seus esforços tenham sido em vão. 

Batwoman volta já esta semana com um novo episódio em Kane, Kate, o penúltimo capítulo desta 2.ª temporada da série. Podes assistir a todos os episódios através da plataforma de streaming HBO Portugal.

Ana Oliveira e Inês Salvado