Classificação

8
Interpretação
7.5
Argumento
7.7
Realização
8
Banda Sonora

[Contém spoilers]

“You shot an innocent, unarmed, black man. The fight is in my DNA.”

Batwoman regressa esta semana com Armed and Dangerous, o mais recente capítulo da sua 2.ª temporada. Neste novo episódio, enquanto a vida de Luke Fox se encontra por um fio, os eventos que conduziram ao acontecimento e as suas repercussões levam a que aqueles à sua volta tomem a decisão de mudar as suas próprias vidas drasticamente.

Após o final chocante de And Justice For All, assim como todo um hiato entre os dois capítulos, achamos justo referir que as nossas expectativas para Armed and Dangerous eram bastante altas. Afinal de contas, depois do sucedido, esperávamos um episódio emocionante, focado principalmente em Luke, no qual todas as personagens da nossa bat team colaboram de modo a salvar este seu membro. Se, por um lado, é verdade que vimos as nossas previsões concretizadas, por outro, este novo capítulo não é isento de desilusões, deixando muito a desejar. Ainda assim, Armed and Dangerous surge como um bom episódio para a série, funcionando como capítulo preparatório para o próximo arco narrativo das várias personagens.

Antes de entrarmos em previsões sobre o futuro da série, vamos debruçar-nos sobre este episódio. Quando Batwoman regressa da sua mais recente pausa, encontramos Luke entre a vida e a morte, estando agora numa espécie de coma depois de os médicos de Gotham General terem tentado de tudo para o salvar. Ao mesmo tempo que Tavaroff – que, sabemos, é o responsável pela atual condição do jovem Fox – é interrogado por Jacob e outros membros dos Crows, numa espécie de investigação interna repleta de mentiras e enganos, Mary partilha as novidades com Ryan, que parte de imediato para a ação. A nossa protagonista recorda o seu encontro com Eli no episódio anterior, encontrando o carjacker após o seu mais recente roubo. No entanto, o confronto revela novas informações à personagem, que descobre que o ladrão não está por detrás do tiroteio e que um membro dos Crows é, na verdade, quem colocou Luke nesta posição.

Assim, Wilder deixa Mary encarregue de produzir um sérum de desert rose capaz de curar Luke, usando o seu próprio tempo para procurar Tavaroff. Não tarda muito a encontrar o agente, que tenta alvejar a nossa Batwoman quando esta o aborda (sem qualquer sucesso, uma vez que o fato de Ryan é completamente à prova de bala). Apesar da sua aparente vantagem, o agente consegue escapar quando os seus capangas atropelam Ryan, levando consigo Tavaroff e deixando a nossa protagonista regressar à bat cave para curar as suas mazelas. É aqui que a personagem se reúne com Sophie, descobrindo que os Crows partilharam o vídeo da body cam do seu agente com os media. Não tarda a perceberem que este mesmo vídeo foi alterado eliminando Eli da imagem e colocando uma arma na mão de Luke. Adicionalmente, a agência fabrica um anterior assalto à mão armada por parte do nosso personagem, pintando assim Luke como o autor do crime ao invés de sua vítima.

Estas falsas alegações aparecem como um ponto de rutura para Ryan, tornando inevitáveis os pensamentos que a assombram desde que descobriu o que aconteceu a Luke. A verdade é que a nossa protagonista sente alguma responsabilidade sobre o que levou a este incidente, recordando a sua conversa com Fox no dia anterior. Se bem te lembras, Ryan criticou a aparente inação de Luke quando foram feitos prisioneiros pelo GCPD, algo que certamente causou um efeito estilo ‘bola de neve’, que nos traz a este novo episódio. Este sentimento de culpa leva Ryan a perder o controlo com Sophie, acusando-a de ser cúmplice em circunstâncias semelhantes, nas quais os Crows se viram envolvidos, no passado. No entanto, a ex-agente Moore não se deixa intimidar pela atitude da personagem, que rapidamente cede e admite sentir-se responsável por Luke. Ao invés de permitir a Ryan continuar nesta linha de pensamento, Sophie reconforta-a, abraçando-a até que esta se acalma. É um momento satisfatório entre as personagens – um de muitos, em episódios recentes – que demonstra o quanto a sua relação mudou desde Whatever Happened to Kate Kane?. Surge também como uma ótima confirmação e lembrança da posição de Sophie enquanto novo membro da bat team, pelo que esperamos continuar a ver a personagem na bat cave em episódios futuros.

Apesar de não fazer mais parte dos Crows, tendo-se despedido da agência no episódio anterior, os conhecimentos adquiridos por Sophie sobre o seu antigo local de trabalho continuam a mostrar-se bastante valiosos para a nossa equipa. Neste caso em particular, Sophie sabe que o vídeo original, capaz de ilibar Luke e colocar pressão sobre o verdadeiro culpado, encontra-se algures nos servidores dos Crows, que apagam este tipo de ficheiros todas as noites a uma determinada hora. Assim, ela e Ryan encontram-se numa corrida contra o tempo para limpar o nome de Fox, tendo a sede dos Crows como próxima paragem. Isto leva a um breve confronto entre Sophie e Jacob, no qual Sophie expõe o comportamento de Tavaroff ao seu antigo empregador, ao mesmo tempo que critica a sua inação no que diz respeito a prevenir este tipo de conduta por parte dos seus agentes. 

As palavras de Sophie não surgem como uma surpresa para Jacob. Conhecendo Luke, o comandante dos Crows mostrou-se desde logo cético à defesa de Tavaroff, pelo que o relato da sua ex-agente serve apenas para confirmar as suas suspeitas. Enquanto Sophie e Ryan procuram o ficheiro de Luke, Jacob confronta Russell, expondo o seu histórico questionável e exigindo que o agente entregue a sua arma e distintivo até que a investigação esteja concluída. Sentindo-se sob pressão, Tavaroff ataca o seu superior, contando com a ajuda de alguns dos seus colegas para arrastar Jacob para uma sala de conferências, na qual planeiam matar o personagem com uma dose letal de snakebite. Felizmente para Jacob, Sophie assiste a este rapto enquanto monitoriza as câmaras da sede dos Crows, avisando Ryan acerca do sucedido. A nossa protagonista vê-se assim forçada a abandonar a sua missão de modo a poder auxiliar o pai de Kate, contando que este fará o correto por Luke depois de ser salvo.

Pela primeira vez em algum tempo, Jacob não desilude nem a audiência, nem as suas filhas. Após o sucedido, o comandante dos Crows realiza uma conferência de imprensa na qual reconhece a inocência de Luke, o seu resgate por parte de Batwoman e o facto de as suas palavras de arrependimento não terem qualquer significado sem ações que as suportem. Assim, e contra todas as nossas expectativas, Jacob resolve colocar um fim à sua agência, evitando que mais cidadãos de Gotham sofram às suas mãos. Contudo, em típico estilo Batwoman, as boas notícias não terminam por aqui. A verdade é que Jacob, um dos poucos personagens da série que não nos suscita grande interesse, acaba por se aliar a Alice, após a sua filha partilhar a verdade sobre o atual estado de Kate no final deste episódio. Avizinham-se momentos emocionantes para a família Kane e suspeitamos que não teremos de esperar muito mais pelo regresso de Kate Kane.

Enquanto tudo isto acontece, Mary tem os seus próprios problemas a resolver. Apesar de conseguir entrar em Gotham General, onde uma enorme multidão protesta o mais recente ato de brutalidade dos Crows (relembramos que, no episódio anterior, Tavaroff e os seus agentes mataram um grupo de civis sob o efeito de snakebite, antes de o agente disparar sobre o personagem), Hamilton vê-se incapaz de chegar a Luke, graças aos corvos que guardam o seu quarto. Assim, Mary recorre a um personagem do passado da série, marcando este episódio o regresso de Wolf Spider, visto pela última vez em Gore On Canvas. Como agradecimento a Mary por ter salvo a sua vida após os Crows o terem deixado como morto, Evan utiliza os seus talentos para entrar no quarto onde Luke se encontra hospitalizado, administrando com sucesso o sérum enquanto a nossa futura médica distrai os guardas. 

Após o inesperado assassinato de Enigma às mãos de Ocean, no episódio anterior, Alice continua a sua investigação. Folheando os documentos da psicóloga, acaba por descobrir que Roman Sionis tem intenções de desvendar os segredos ocultos da família Kane, mas não chega a perceber qual a razão para tal. Entretanto, Ocean entra de novo no escritório e voltamos a ter o mesmo tópico de discussão do episódio passado, pois Alice não pretende desistir da procura pela sua irmã e o seu interesse amoroso não desiste de a desencorajar. Como já tínhamos comentado, apesar desta relação ter os seus vários problemas (afinal, é de Alice e de um outro assassino que estamos a falar), consideramos que está a ser uma evolução positiva para a nossa anti-heroína. Mais tarde no episódio, assistimos ao confronto desta dupla e Alice admite que já não consegue estar aprisionada por ninguém e, assim, merece ter tudo: uma relação e, também, a sua irmã. Para uma personagem que estava tão separada de qualquer laço emocional, querer agora ter duas pessoas de volta à sua vida é um passo gigante. Admitimos que a possibilidade de a personagem ter tudo é mínima, mas só o facto de este ser o seu desejo é um desenvolvimento importante no arco narrativo de Alice.

De volta à narrativa principal, Alice dirige-se à Wayne Tower, surpreendentemente, para avisar Mary que Black Mask tem alguma espécie de vendeta contra a família Kane e para a médica – e sua meia-irmã – se manter próxima de Batwoman. Já há muito tempo que não tínhamos cenas com esta dupla e é sempre um prazer vê-las a colocar uma ‘máscara’ intimidante, quando na verdade até se ajudam com frequência. A pouco e pouco temos uma relação mais agradável, que reflete a ligeira mudança de temperamento de Alice, como refere Mary quando provoca a vilã.

Por fim, resta-nos falar sobre o elemento central deste episódio: Luke. Apesar de estar em coma e, assim, ausente para todas as personagens, Fox vive um atribulado momento interior. O personagem imagina-se numa versão fictícia da Wayne Tower, a partir da qual consegue ver o seu pai, de costas, ao fundo da sala (não, pessoal, ainda não é desta que descobrimos quem interpretaria Lucius Fox em Batwoman). No entanto, entre ele e o seu pai está Bruce Wayne, que lhe explica que tudo se está a passar no seu subconsciente. Entre os dois, assistimos a uma conversa interessante, revelando os sentimentos acumulados de Luke relativamente à vida de vigilante, numa cidade tão corrupta como Gotham. O personagem afirma mesmo que percebe o porquê de Bruce ter desistido de ser Batman, já que tentar fazer do mundo um lugar melhor é demasiado deprimente. Esta situação é muito importante não apenas para revelar o estado emocional de Luke e para mostrar as semelhanças com os problemas sociais atuais, mas também serve como o momento decisivo para a evolução deste personagem. O facto de Luke decidir que não quer continuar vivo é um breaking point chocante e arrepiante, mas já há muito previsto pela série e pelos sucessivos desafios lançados ao longo da temporada. Mudará completamente a forma como encara a vida e provavelmente a sua relação com a bat team – e cá estaremos para assistir a toda esta jornada. 

Como já é hábito, temos ainda umas notas de rodapé a mencionar, sendo que colocamos aqui um aviso de spoilers sobre capítulos futuros. Aqueles que seguem esta série de perto sabem que o próximo episódio de Batwoman irá contar com uma breve aparição de John Diggle (David Ramsey), o personagem de Arrow que visitará várias das séries deste universo, como crossover deste ano. A sua presença no episódio coincide com a revelação e divulgação de várias imagens de Camrus Johnson como o primeiro Batwing presente em qualquer live action da DC, algo que aguardávamos há imenso tempo (recordamos uma breve alusão a Batwing na nossa lista de desejos para esta temporada em Survived Much Worse). Assim, acreditamos que os eventos deste episódio e a influência de Diggle levaram a que Luke tome a decisão de ter um papel mais participativo na bat team, pelo que mal podemos esperar por ver o próximo episódio. Num tom mais especulativo, gostaríamos de ver Riddler como vilão numa próxima temporada, não só devido às inúmeras alusões feitas ao personagem ao longo da série, mas também ao facto de Ocean ter morto a sua filha, levando à mais direta referência a Riddler até à data por parte do personagem e Alice.

Podes acompanhar Batwoman todas as semanas através da HBO Portugal, com um novo episódio disponível na plataforma às terças-feiras.

Ana Oliveira e Inês Salvado