Classificação

7
Interpretação
6
Argumento
6.5
Realização
6.5
Banda Sonora

[Pode conter ligeiros spoilers]

Minissérie

Número de Episódios: 3

A Netflix voltou a apostar em mais uma série espanhola, no caso um minissérie, e acrescentou ao seu catálogo Alguien Tiene que Morir. Esta decorre nos anos 50, durante o regime de Franco, e acompanha, em particular, a família Falcón, pertencente à alta sociedade, extremamente tradicional e conservadora, composta por Amparo (Carmen Maura), a matriarca da família; pelo seu filho Gregorio (Ernesto Alterio) e a sua esposa Mina (Cecilia Suárez); e pelo seu neto Gabino (Alejandro Speitzer). A família vê a sua reputação posta à prova quando Gabino volta para Espanha depois de passar anos no México, e traz consigo um amigo bailarino de nome Lázaro (Isaac Hernández). Como devem imaginar, numa Espanha dos anos 50, sobre o regime de Franco, isto não foi visto com bons olhos, não só porque Lázaro era mexicano e bailarino, mas especialmente porque surgiram rumores de que eles poderiam ser mais que amigos, e a homossexualidade, naquela época, era vista como uma doença e tratada como crime.

Tenho que começar desde já por confessar que o principal motivo que me levou a decidir ver esta minissérie foi a participação de Ester Expósito, que interpreta Cayetana Almansa, a pretendente a esposa de Gabino, e por muito que me custe escrever isto, se não fosse por ela, e também pelo facto de a minissérie ser composta por somente três episódios, Alguien Tiene que Morir iria acabar por ficar no final da lista de séries que tenho para ver.

Isto porque o primeiro episódio não conseguiu prender a minha atenção e/ou despertar o mínimo interesse a ponto de fazer com que eu quisesse ver os restantes dois sem pensar duas vezes. Mesmo não tendo grandes expectativas para a série, a verdade é que senti que esta não conseguiu corresponder ao que eu estava à espera, mesmo que não estivesse à espera de muito.

Mesmo assim decidi ver o segundo episódio, com a esperança de que este pudesse ser melhor, e apesar de ter sido ligeiramente melhor que o primeiro, ainda assim não conseguiu mudar a maneira como me sentia em relação à série. Continuava, a meu ver, a faltar algo. O plot até poderia estar a seguir uma boa direção, mas mesmo assim ainda não me tinha convencido.

Assim, depositei todas as minhas esperanças no terceiro episódio, e estava confiante que este pudesse salvar, por assim dizer, a minissérie, mas, mesmo que os momentos finais tenham conseguido surpreender num ou outro ponto, não mudou em nada a forma como eu me sentia. No final, continuei a sentir que o plot ficava a desejar, que este não me conseguiu convencer, e que ter visto Alguien Tiene que Morir, ou não, pouca diferença fez. Não sinto que me tenha acrescentado muito, ou mesmo que me tenha impactado. Senti também que faltava algo para esta se diferenciar de tantas outras séries que andam por aí.

Não vou dizer, contudo, que não apreciei a história, ou que esta não conseguiu despertar em mim qualquer tipo de reação relativamente ao que estava a ser narrado. Tanto é que, especialmente no segundo episódio, algumas cenas conseguiram deixar-me desconfortável e com um sentimento enorme de raiva, dado a forma, em particular, como eles mostraram como é que a homossexualidade era vista e tratada naquela época. Apesar de termos uma ligeira noção de que as coisas eram assim, é difícil não ficarmos abismados com essa realidade. No entanto, para mim, isso não foi o suficiente.

Posto isto, para aqueles que tinham interesse em ver a série, não quero que se sintam desmotivados, pois a minha perceção pode ser diferente da vossa. Mas para aqueles que estavam na dúvida aconselho a que vejam só mesmo se não tiverem mais nada para ver. É certo que não perdem nada em ver Alguien Tiene que Morir, mas também não acho que percam muito caso não vejam.

Episódio de Destaque:

Apretar el gatillo (Episódio 3) – Apesar de ter ficado indecisa entre escolher o segundo episódio ou o terceiro, os minutos finais de Apretar el gatillo fizeram com que a minha decisão recaísse sobre este. Eu já estava à espera que algo assim acontecesse, ou não fosse o nome da série Alguien Tiene que Morir, contudo ainda me consegui surpreender com algumas coisas, algo que eu não estava à espera.

Melhor Personagem:

Amparo Falcón – tenho que começar por admitir desde já que foi bastante difícil para mim escolher uma persoangem de destaque pois considero que todas elas se destacaram, quer fosse pela sua história, quer fosse pela interpretação. Também não houve assim nenhuma de quem eu tenha gostado particularmente, o que dificultou ainda mais a minha escolha. Mas como tenho que escolher uma, acabei por escolher Amparo Falcón, a matriarca da família. A capacidade que ela tinha de não olhar a meios para proteger o seu legado e o facto de ela ter sido uma chave fundamental para os acontecimentos finais, levaram-me a escolhê-la. Mesmo não gostando dos seus ideais e das suas atitudes, tenho que admitir que a personagem dela está bastante bem criada, conseguindo até despertar em nós sentimentos negativos, sendo que considero impossível não detestá-la do início ao fim da minissérie.

Cármen Silva