Vikings – 05×10 – A Simple Story
| 21 Jan, 2018

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Vikings ofereceu-nos esta semana um episódio centrado nas personagens que poderia ser bem revelador, permitindo aprofundar motivações num momento em que se aproxima a derradeira batalha. Contudo, o episódio dispersou tanto entre diversas cenas e personagens, não dando o tempo devido a cada história. O resultado foi então demasiado rápido, forçado, por vezes sem explicação ou sentido, superficial… enfim, um episódio com uma premissa com potencial, mas que acabou por ser desperdiçado.

Num momento em que o centro das atenções está na guerra civil em Kattegat, fomos também aos núcleos externos:

Em Wessex, Aethelwulf tinha a vontade de operar um plano para contrariar a superioridade do exército pagão sobre os territórios ingleses, mas, inesperadamente, vítima de uma picada de abelha, subitamente o forte guerreiro caiu no leito e deu o seu último suspiro, perante os seus filhos e mulher. Despoletou-se assim a discussão da sucessão. Aethelred, como filho mais velho, e tendo sido preparado a vida toda para ocupar o lugar do pai, era o natural sucessor. Contudo, a vontade de Judith falou mais alto, ordenando ao filho que abdicasse em detrimento do seu irmão Alfred, pois Judith não queria um rei à imagem de Aethelwulf, mas sim um rei mais sábio, à imagem do que foi Ecbert. E no momento do anúncio do candidato pensei que Aethelred pudesse decidir por si e contrariar a vontade da mãe, considerando-se mais capaz. Mas Aethelred abdicou mesmo, ainda que a sua expressão denote um descontentamento que poderá vir a ser uma ameaça para o reinado de Alfred. Sinceramente, foi tudo rápido demais neste núcleo, passou-se do plano de contra-ataque para a morte de Aethelwulf e desta cena para a discussão da sucessão demasiado rápido, ainda mais num momento em que o núcleo inglês já havia perdido quase todo o seu interesse.

Fomos também até à terra santa de Floki, que perdeu a sua essência sagrada. Os últimos acontecimentos já faziam antever que o conflito, os confrontos, a morte, estariam para breve. O grupo de Eyvind começa a ganhar mais seguidores e o confronto com o grupo principal começava a tornar-se insustentável. Restava perceber quem seria o primeiro a ceder e cair em pecado. Neste episódio, os homens de Eyvind queimaram um templo erguido em homenagem ao espírito de Thor e esse ato gerou a revolta no povo. O resultado foi a primeira morte neste território sagrado. E agora? Que futuro há para esta missão? Para esta terra? Haverá solução? Relativamente a este núcleo, continuo a achá-lo bastante desnecessário; apesar de ter vindo a ganhar mais tensão dramática, não tem acrescentado muito à série e tem privado os fãs de ver uma das suas personagens principais no centro da ação. Não seria tão melhor termos Floki como uma das figuras principais num dos exércitos da guerra civil? A mim parece-me que seria um modo muito melhor de aproveitar uma personagem tão relevante.

E em Kattegat? Depois de uma estrondosa derrota para Ivar na batalha anterior, a balança começa a inverter quando recebe reforços numerosos para o seu exército. Esse reforço é justamente uma das razões para a história estar a perder a consistência a que nos habituou. Hvitserk sugere pedir ajuda a Rollo, minutos mais tarde; uma frota de barcos franceses está chegar e Rollo não vem à bordo. Em primeiro lugar, a última vez que vimos Rollo ele estava lado a lado com os vários filhos de Ragnar, contra os ingleses, tendo-lhes oferecido ajuda caso necessário; essa ajuda não seria apenas para Hvitserk e Ivar. Aliás, conhecendo o passado conjunto com Bjorn e o pouco contacto com os restantes sobrinhos, conhecendo a relação com Lagertha, não faz nenhum sentido que Rollo escolhesse ajudar Ivar em detrimento de Lagertha e Bjorn. Depois, este exército é uma versão low-cost, uma vez que não podemos ter neste momento Clive Standen em cena, que está comprometido com outros projetos.

Tivemos também avanços na relação de Ubbe com Torvi. Ubbe confessa-se arrependido da relação com Magrethe, afinal ela  não era quem ele esperava. E, com esta decisão, Ubbe sobe uns pontos na minha consideração. No entanto, esta relação está fortemente ameaçada, não só pela própria Magrethe, que não seria inesperado que se vingasse matando um deles ou ambos, mas também porque a batalha final promete deixar vidas pelo caminho. Magrethe tem à sua guarda os filhos de Torvi e a vingança pode, infelizmente, começar por aí. Esperamos que alguém termine a vida de Magrethe antes que ela possa tomar alguma atitude vingativa.

E finalmente, o duo Haemund-Lagertha. Quando se juntam dois bons atores, o resultado é sempre apetecível de assistir. No entanto, acho que ambos mereciam uma escrita melhor para os seus papéis brilharem mais. Haehmund e o seu papel de bispo pecador facilmente cabe no seu desejo por mulher, mas daí ao fascínio por Lagertha depois de mal a ter conhecido, promessas de lutar por ela e morrer por ela, e tendo em conta as circunstâncias em que se encontram, parece muito forçado. No entanto, não deixa de ser também um bom reforço para a força armada de Lagertha.

E foi um pouco isto, um episódio atabalhoado e mal sustentado. Mas acho que isso não invalida que possamos esperar do final da próxima semana, um episódio com grandes batalhas, com traições, com rivalidades, com morte e desespero para os derrotados e com glória para os vencedores.

André Borrego

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