Classificação

8.1
Interpretação
7.6
Argumento
8.2
Realização
7.7
Banda Sonora

Beer’o clock não aconselhado em quarentena

“Close Encounters” foi um episódio que me deixou meio reticente. Se por um lado a série começou a tornar-se um pouco mais sombria e fiel ao filme original, e muitas “sementes” foram lançadas que podem fazer dos próximos episódios algo muito interessante, por outro lado o episódio desta semana em si teve demasiadas falhas.

O caso da semana serviu apenas como pano de fundo, nada trazendo à história. A investigação sobre o blackout na cidade não foi de perto a mais original ou cativante e não houve grande desenvolvimento nem investimento nesse plot. No fim serviu apenas para pôr Rebecca e Brian fechados numa sala. Já que Brian, após descobrir na semana passada que Sands matou o pai de Rebecca, mas não podendo no entanto contar-lhe, anda a tentar evitá-la ao máximo. E assim chega o esperado conflito entre Rebecca e Brian.

Até agora tudo tinha sido mais ao menos arco-íris e rosas na relação entre os dois, mas os eventos passados apontavam que mais cedo ou mais tarde teria que haver um desentendimento. A emoção estava toda lá e sentia-se o atrito no ar, grandes interpretações pelas duas partes de Jake McDorman e Jennifer Carpenter. A discussão com Rebecca, apesar de ter sido um dos pontos altos, deixou a desejar no facto de Brian, estando sob o efeito do NZT, não ter dominado por completo a discussão e ter-se deixado levar mais pelos sentimentos do que pela razão. Mesmo assim foi entusiasmante vê-lo virar alguns dos argumentos de Rebecca contra ela: “Tu precisas tanto de NZT como eu e tu sabe-lo”.

Outros pontos negativos foram: primeiro o facto de Brian gastar um NZT para andar a resolver casos durante a noite, completo desperdício; e depois o esconder todos os comprimidos no mesmo sítio não foi, de todo, a melhor ideia. Acho que às vezes os produtores se esquecem que é suposto Brian ser super inteligente. E a parte infantil dele, sendo na maior parte das vezes engraçada, às vezes também revela uma parte de criança mimada.

O subplot do dinheiro roubado até que foi uma ideia inteligente, mas mal aproveitada. E o team-up entre Boyle e Brian também foi no fundo meio aborrecido e não fiquei particularmente entusiasmado para os ver a trabalhar juntos no futuro.

Passemos agora para os problemas familiares. No geral, tal como o desentendimento com Rebecca, foi um momento bastante dramático e bem realizado, mas que não deixou de ter os seus problemas. A irmã de Brian, já a vimos muitas vezes a fumar erva com o irmão sempre sem problemas, no entanto vê comprimidos e perde a cabeça! Isso é que não, obra do demónio. Para a relação que mostrou anteriormente que eles têm, o mais sensato seria ela falar direta e abertamente com Brian sobre as suas preocupações. E pior ainda foi o não guardar o segredo dele sobre o Sands ter aparecido lá em casa a sangrar. Shame on you, Rachel!

A intervenção familiar em si… o ponto de vista da mãe eu percebo bem, ser lançada com tantas pistas negativas sobre o comportamento de Brian, é normal ela não ficar contente. Quanto ao pai de Brian, foi de uma grande ajuda e teve uma grande ideia ao deixar a mãe desancar em Brian com os agentes do FBI presentes. Sabendo ele parte da verdade, podia ter pressionado para as coisas serem resolvidas de forma mais discreta.

Não foi uma boa semana para Brian, que foi atacado emocionalmente de todos os lados. Mas foram essas discussões e desentendimentos, com Rebecca e com a família, que salvaram o episódio, apesar do caso de investigação muito desinteressante e algumas falhas de escrita ao longo do caminho. O começo da investigação de Mike e Ike ao estranho agente secreto que apareceu a sangrar em casa de Brian também me parece que será muito interessante de acompanhar no futuro. A parte mais atraente foi sem dúvida o final, com Brian a deixar o FBI de forma incógnita e a partir misteriosamente à procura de Piper. 15 de março estreia o próximo episódio. Até lá, abram as vossas mentes.

Emanuel Candeias