Classificação

7
Interpretação
6.8
Argumento
7
Realização
6.5
Banda Sonora

Quantos de nós não desejaram já ter uma segunda oportunidade para fazer alguma coisa? Dizer a alguém o quanto gostamos dela? Dar aquele passo que tanto hesitamos? Ou simplesmente viver a nossa vida de uma forma completamente diferente?

É precisamente nisto que pega a nova série de ficção cientifica da FOX, Second Chance, inspirada na saga Frankenstein de Rand Ravich. Ela propõe-se a contar-nos a história de um ex-xerife corrupto que é morto durante um assalto à casa do seu filho, mas que ganha uma segunda oportunidade de fazer as coisas de forma diferente, ao renascer mais novo e mais poderoso fisicamente, graças a dois irmãos multimilionários.

Começando pelo protagonista, temos um ex-xerife de nome Jimmy Pritchard que se viu obrigado a reformar-se devido a um escândalo de corrupção e por forjar provas. O problema é que tudo isto era verdade e, como tal, Pritchard cai numa espiral autodestrutiva que, ao contrário da maioria dos casos, não é a principal razão da sua morte.

Já o que realmente causa a sua morte começa a ser um tema muito utilizado em televisão, a corrupção. Com o seu filho Duval metido no meio de uma investigação que envolve altos membros da instituição para a qual trabalha, o FBI, é o próprio parceiro de Duval que acaba por forjar, veja-se a ironia do destino, o suicídio de Pritchard. Sendo uma base correntemente utilizada pelas mais variadas produções, o tema terá de ser muito bem desenvolvido caso queira destacar-se da concorrência.

Grande parte deste piloto desenrola-se na adaptação de Pritchard à sua nova realidade. E aqui podemos encontrar algumas falhas. É normal que ele, ao acordar, na sua nova forma, não tenha um controlo muito adaptado das suas novas capacidades físicas. Contudo, ele parece conseguir dominá-las rapidamente, mal passa à ação na ajuda ao seu filho. Pode não parecer muito, mas dá-nos aqui uma primeira má impressão, que espero que possa ser corrigida com o avançar dos episódios.

Ele tem ainda um pequeno/grande problema de autonomia. Como pode acontecer em muitos implantes, o seu corpo reagiu mal a esta nova realidade, o que faz com que a cada doze horas ela tenha de regressar ao tanque gestativo, a fim de recarregar as baterias. Isto impõe algum limite aos novos poderes de Pritchard, caso contrário o homem certamente que andaria 24 sobre 24 horas rodeado de mulheres, festas e álcool, como tanto gosta.

A parte mais interessante do episódio é mesmo os irmãos Goodwin. Gémeos de nascença, o rapaz, Otto, tem claros problemas de adaptação social, mas é um génio em ascensão que cria a sua própria empresa do zero, com um algoritmo que faz algo muito idêntico ao Facebook. A sua irmã, Mary, que sofre de cancro terminal, é a ponte do irmão para o mundo real e que gere a empresa de ambos, a Lookinglass Technologies. A conexão entre ambos é tanta que Otto criou um dialeto próprio que apenas a sua irmã é capaz de compreender.

A eminência da perda da sua irmã faz com que Otto se envolva em processos regenerativos, por forma a tentar desvendar uma forma de preservar a vida da irmã. Mesmo com todas as reticências de Mary, Otto aproveita a singularidade genética de Pritchard para trazê-lo de volta à vida e assim aproveitar as células regeneradas dele para tentar salvar a irmã. Apenas um pequeno parênteses para o quanto a casa dos irmãos Goodwin me fez lembrar de Tony Stark.

Mas Otto é quem merece a nossa maior atenção. Os seus claros distúrbios psíquicos fazem dele um possível vilão, para contracenar com a nova realidade de herói de Pritchard. A aparente conexão que se vê ao fundo do túnel entre Mary e o rejuvenescido Pritchard pode ser um despertador para o vilão dentro de Otto, ou quem sabe a perda da própria irmã.

O piloto que nos foi apresentado consegue ser cativante o suficiente para estes 45 minutos, mas até que ponto conseguirão os produtores aguentar esta premissa, ainda para mais sobre o formato procedural? Provavelmente encaixaria melhor como argumento apenas para um filme. Second Chance pode muito bem vir a ser um bom exercício de entretenimento, mas quase que aposto que ao fim de uns episódios começará a ser repetitivo.

Carlos Oliveira