Mr. Robot torna-se cada vez mais intrigante e complexa em Debug, o terceiro episódio da temporada, quando Elliot decide depurar a sua vida de Mr. Robot, Evil Corp e qualquer coisa que o faça sentir desconectado do mundo real.

Composto por voltas e reviravoltas, este episódio tem como co-protagonista Tyrell Wellick, o suposto “vilão” da série, que tem um estilo de vida bastante bizarro e os traços de um psicopata. Wellick é perfeccionista, charmoso, porém aborrece-se com facilidade e mente sem dificuldade nenhuma. E a sua esposa é igualmente apavorante!

Num episódio só, os escritores conseguiram expor a sua personalidade retorcida em apenas um apanhado de cenas: Wellick preparando-se à frente do espelho para a entrevista com um dos seus superiores na esperança de ser promovido a Chief Technology Officer, batendo em si próprio como castigo sempre que errava; pagando um sem-abrigo para lhe agredir, ao lhe ser negado a chance para a dita entrevista por causa de um outro (e supostamente melhor) candidato e ainda perseguindo e seduzindo o assistente do seu superior somente para hackear o seu telemóvel para obter informação acerca do seu competidor. Tyrell Wellick é um homem que quer atingir os seus objectivos, não importa os meios que usa para chegar lá!

Paralelamente ao “Um dia com Tyrell”, Elliott decide, depois do incidente do episódio passado, desinfectar-se de todos os “insectos” da sua vida. Isso incluia o seu passado turbulante, a complicada relação com a vizinha Shayla, a existência da fsociety e a sua aversão à sociedade. Esta mudança providenciou a cena mais engraçada do episódio, em que Elliott compra Starbucks, vê os filmes da Marvel e aceita ir jantar com o chefe e os seus colegas de trabalho.

A minha cena favorita do episódio foi a do jantar: o nível de desconforto entre os convidados ao princípio foi hilariante, apesar de reduzir ao longo jantar, quando as personagens começam a ficar cada vez mais amigáveis e mais abertos uns aos outros.

Obviamente, algo teria de estragar o ambiente agradável do jantar, uma reviravolta que abala Elliot a ponto de desistir da sua nova faceta, senão não seria um episódio de Mr. Robot! Elliott recebe uma mensagem (nunca descobriremos de quem), e estupefacto, liga a televisão para ver as notícias: dentre o amontoado de informação que a fsociety tinha roubado da Evil Corp existiam e-mails confirmando que a empresa estavam completamente cientes do perigo que os seus funcionários (incluindo o pai de Elliot e a mãe de Angela) estavam a correr ao trabalhar com produtos radioactivos. Elliott, como se despertasse de um transe, sai disparado jantar e dirige-se ao quartel da fsociety, para começar o seu trabalho como mais um membro do grupo anarquista, totalmente motivado a destruir a E Corp.

A série certamente ficou ainda mais interessante, mas será que a última cena retrata a criação de um vigilante justiceiro, ou de um anarquista sem limites? Logo saberemos a resposta!

O episódio foi quase perfeito, à exceção do que é na minha opinião o elo fraco da série: a relação entre Angela e Ollie, que não encaixa bem com os outros elementos da estória. Porém, a série continua a impressionar, e neste episódio fiquei especialmente intrigada com a natureza de Mr. Robot: a cada episódio aparecem mais provas de que a personagem de Christian Slater é fruto da mente danificada de Elliott: ao visitá-lo no seu trabalho, e ainda quase sendo agredido/ameaçado pelo engenheiro informático à frente de toda a gente presente no escritório, ninguém parece reparar nele ou perguntar sobre o que se estava a passar. E ainda, quando os dois vão “fazer as pazes” num bar, o barman totalmente ignora Mr. Robot. Espero não ser a única a criar esta teoria maluca!

E os leitores, o que acharam do episódio?

 

9/10

Cátia Neto