O ator português Miguel Amorim dá cartas uma vez mais na Netflix, emprestando a sua voz a uma das personagens da 2.ª temporada de Love, Death & Robots, a série de animação antológica da plataforma de streaming.

A Netflix procurava vozes para a 2.ª season de Love, Death & Robots e a de Miguel Amorim foi uma das escolhidas. O ator afirma, em conversa com o Séries da TV, que ficou “muito entusiasmado” quando soube que teria mais uma oportunidade de fazer um casting para uma série da plataforma de streaming.

Miguel Amorim, de 23 anos, dá voz à personagem Oxo na nova leva de episódios da série da Netflix que recebeu críticas muito positivas na temporada de estreia, pela qualidade visual e gráfica dos episódios. O capítulo no qual o ator se estreia enquanto voice actor intitula-se Ice e conta a história de dois irmãos que vivem num planeta gelado, onde quase toda a população foi submetida a alterações genéticas para obter habilidades supra humanas. Um dos irmãos, porém, não está “modificado” e é gozado pelo restante grupo jovens, incluindo Oxo. Este grupo desafia-se a percorrer um campo gelado para observar as baleias que vêm à superfície respirar, mas será que todos conseguem atravessar antes de as baleias quebrarem o gelo?

O casting para dar voz a Oxo, assim como a outra personagem creditada como “Stoner Guy”, foi feito em casa, dentro do roupeiro, “para ter uma acústica melhor”, revela o ator. “Com o telemóvel gravei a voz que me pareceu mais aproximada [da personagem].” Depois de selecionado, Miguel Amorim fez a gravação num estúdio em Lisboa, com o criador, o realizador e a diretora de casting a assistirem através de videoconferência.

Embora o ator já tivesse trabalhado em dobragens, esta foi a primeira vez que fez a voz original de uma personagem animada e garante que “correu bastante bem”. Nas dobragens tem de acertar as falas com a boca do boneco e, neste caso, a animação e a fisicalidade de ambas as personagens foram criadas de acordo com os sons e a forma como dizia o texto. No que ao interpretar uma personagem só com a voz diz respeito, Miguel Amorim afirma que teve “bastante liberdade para explorar a personagem” e que mesmo não se vendo as suas expressões corporais e faciais, “a voz nunca está separada do corpo”. “O corpo funciona como ressoador da voz e a voz nasce do corpo. Não pode ser dissociada.”

As gravações para Love, Death & Robots foram feitas em algumas horas, no verão de 2020, já depois de terminadas as filmagens da série de ficção científica da Netflix, The One, onde deu vida a Fábio. Contudo, Miguel Amorim afirma que até ao momento ainda não sentiu que estas oportunidades de trabalho internacional lhe tenham aberto outras portas. “Todo o trabalho que eu tenho agendado, já tinha antes de as duas séries saírem.”

Trabalhar com a Netflix sempre lhe pareceu uma coisa muito distante e “nunca tinha sequer pensado em trabalhar fora do país”, mas espera que estas oportunidades lhe deem sorte. Por enquanto, dedica-se ao teatro, com a peça Hamlet, ao cinema, com o telefilme O Esqueleto, entre outros, e também à televisão, com a série Chegar a Casa.

Beatriz Caetano