Em tempos, Grey’s Anatomy foi a minha série favorita. Nem sequer colocava a hipótese de outra lhe poder tirar o lugar e foi assim durante vários anos. Mesmo quando One Tree Hill – que considero a minha preferida de sempre – entrou na minha vida, o lugar de maior destaque ficou bem disputado entre a série médica e o drama adolescente. Sete ou oito anos passaram-se desde aí e a verdade é que Grey’s perdeu há muito o seu lugar na minha lista de preferências. Nada medalha de ouro, prata ou bronze. Top 5 também não. Do Top 10 provavelmente ainda faz parte, mas mais pelo que a série significou para mim e não por aquilo que é no presente.

Acho que foi a partir da 10.ª temporada que comecei a acusar algum cansaço. No entanto, durante várias temporadas, esse cansaço era muitas vezes alternado com alguma recuperação do entusiasmo, embora já não igual ao de outros tempos. Nestes últimos anos, contudo, o desânimo intensificou-se, deixei de ansiar pelos episódios e não me preocupava em vê-los assim que tinha oportunidade. Os meses de paragem entre temporadas e o hiato de inverno, que outrora suportava com muita dificuldade, são agora de satisfação para mim. Posso dizer de forma bastante sincera que o principal motivo para continuar a ver a série se prende com um sentido de lealdade para com ela e não propriamente por prazer. Por isso é que anseio pelo cancelamento, porque não sei se alguma vez serei capaz de abandonar Grey’s Anatomy de forma orgânica. Os bons episódios existem cada vez em menor número, embora não tenham deixado de existir. Aliás, aquele que para mim é o melhor episódio de toda a série aconteceu na 15.ª temporada e chama-se Silent All These Years, mas fora isso acho que não me consigo lembrar de nenhum que tenha sido verdadeiramente memorável depois de 2017.

Não se pode esperar que, ao fim de 16 temporadas completas, com a 17.ª a decorrer, uma série consiga captar o interesse de outros tempos ou manter a mesma relevância. No entanto, essa devia ser precisamente a dica de que os showrunners, produtores e argumentistas precisam para saberem quando devem parar. Grey’s continua a trazer-nos questões atuais e a ser socialmente relevante, mas muitas das vezes fica aquém do potencial das suas histórias. Algumas das coisas que tornaram a série especial nas primeiras temporadas perderam-se para sempre e temos repetições de dramas amorosos cansativos, com pessoas de 40 e tal anos, algumas mais, que agem de forma tão imatura como o mais imberbe dos adolescentes.

Já não me iludo, por isso tenho noção de que a série nunca vai conseguir voltar ao que era, mas podia certamente melhorar. Já me dou por contente se abandonarem, any time soon, o enredo à volta da pandemia para se centrarem noutras questões e seria inteligente dar mais tempo de ecrã a Jo, que se tem revelado uma verdadeira pérola. E sou eu, alguém que a viu como uma personagem completamente desnecessária durante muitos anos, que o digo. Amelia, que assumiu o papel de minha personagem favorita depois da saída de Sara Ramirez, é outra que ajuda a salvar a série. Mas vamos àquilo que me levou a escrever esta crónica: as coisas que recordo com imensas saudades em Grey’s Anatomy. Quais são elas então? Alguns clássicos das primeiras cinco ou seis temporadas, como as icónicas cenas passadas nos elevadores; nos balneários, quando os nossos médicos se preparavam para entrar ao serviço ou para sair do hospital; e os almoços na cafetaria.

A sério, quando me lembro das coisas que já se passaram naqueles elevadores… Há uns filmes chamados If These Walls Could Talk, mas aqui é caso para dizer “if these elevators could talk”, as coisas que eles teriam para contar! Aqueles elevadores já foram palco de cirurgias, de pedidos de casamento, de beijos apaixonados, de revelações de gravidezes, de momentos embaraçosos, com Derek lá enfiado com Addison, Meredith e Rose, para divertimento de Sloan (e meu, diga-se)… Aliás, se pensarmos em Addison, ela também continuaria a ter um historial com elevadores em Private Practice, mas gosto mais desses seus momentos em Grey’s e a verdade é que foram uns quantos. Qualquer cena é melhor quando Kate Walsh faz parte dela!

Os balneários também nos proporcionaram alguns bons momentos e não estou apenas a pensar em Jackson em tronco nu, embora não me oponha nada ao regresso dessas cenas. Também houve muito drama nos balneários e momentos entre os cinco elementos principais da série, Meredith, Alex, Cristina, Izzie e George, e depois já com Lexie e o novo grupo de internos, bem como com os médicos que vieram do Mercy West. Eram momentos propensos a confissões, desabafos e coscuvilhices. Já os almoços na cafetaria, também muitas vezes protagonizados pelos mesmos personagens que víamos nas cenas de balneário, serviam muitas vezes um propósito cómico. Quem não se lembra de Cristina, Alex e George a competirem para ver quem conseguia comer mais cachorros quentes ou de Alex a testar a capacidade dos amigos de tolerância à dor? Mais tarde, também os attendings, por exemplo Callie, Arizona, Mark, Teddy e Owen foram capazes de proporcionar grandes níveis de entretenimento à mesa. Eram momentos leves que permitiam uma pausa no trabalho e que tinham sempre a sua piada, traziam uma certa frescura à série.

Continua a haver elevadores, balneários e uma cafetaria, portanto porque é que não podemos voltar a esses momentos? E não, não me estou a esquecer das on-call rooms, mas o nível de random sex na série diminuiu exponencialmente e julgo que não faz tanto sentido revisitá-las como aos outros lugares. Nada disto ‘salvaria’ a série, mas porque não recuperar um bocadinho da fórmula que fez sucesso? Ainda para mais quando a generalidade dos fãs consideram as primeiras temporadas – nas quais estas cenas, na sua maioria, têm lugar – as melhores de Grey’s Anatomy.

Também sinto a falta de vários personagens, mas acho que esperar o seu regresso não é justo. Pelo menos, não na maioria dos casos. Callie pode ter sido a minha favorita, mas dou por mim com mais saudades de Addison. Mesmo quando só aparecia por um episódio ou dois por temporada, depois de ter saído do elenco para protagonizar o spin-off, era ótimo revê-la. Vou fazer do regresso da Addison, nem que seja por apenas cinco minutos, um dos meus desejos seriólicos para 2021. Fingers crossed!

Agora queremos que partilhes connosco: ainda continuas a ver, já desististe ou estás a pensar nisso? De que sentes mais saudades em Grey’s Anatomy?

Diana Sampaio