Não diria que sou propriamente do contra (embora algumas pessoas possam discordar), mas tenho a perfeita noção de que há certas personagens muito populares das séries que não me dizem nada. O que não quer dizer que as deteste, trata-se mais de não perceber a adoração generalizada em relação a algumas, assunto sobre o qual já tive a oportunidade de divagar por aqui. Depois de ter falado sobre personagens, desta vez decidi debruçar-me sobre dez casais do mundo das séries que conquistaram os fãs por todo o mundo, inclusive amigas minhas fanáticas por séries, e em relação aos quais eu não partilho o hype. Há casais aqui que confesso que não suporto, de todo! Em relação a outros o sentimento não é tão extremo, posso até dizer que não seja negativo, mas por razões várias que irei explicar, não me conseguiram cativar. Conheçam então as minhas escolhas.

Tate Langdon e Violet Harmon [American Horror Story: Murder House]: Tate é muito popular pela internet fora. Confesso que gosto de várias personagens do mundo das séries a quem se poderia apontar um bom registo criminal e uma moral muito duvidosa, mas Tate roça o psicopata e é aqui que estabeleço os meus limites. Eu sei que é suposto que American Horror Story seja um caso um pouco à parte pela sua temática do terror e não estou a discutir a relevância da personagem ou da sua história, mas acho simplesmente perturbador que as pessoas gostem de ver Tate e Violet juntos. Não porque a determinada altura são os dois fantasmas – ou estão mortos, é como preferirem -, mas mais porque ele foi o responsável por um tiroteio na sua escola que resultou na morte de uma série de pessoas. Acho que o porquê aqui não importa muito. Ok, é certo que o bullying é uma coisa horrível, mas pegar numa arma e disparar sobre uma série de pessoas por causa disso? Principalmente quando tantas vezes há vítimas que nunca fizeram nada de errado? E depois, mais do que tudo, há aquela grande questão de Tate ter violado a mãe de Violet. Creepy much, right? Acho que isto devia arruinar qualquer espécie de ship em relação ao casalinho. E toda aquela aura de Romeu e Julieta do século XXI que eles inspiram… Tragédia a mais para o meu gosto. Eu sei que os dois tinham uma espécie de ligação profunda, mas era tudo muito tóxico. Amavam-se, mas a relação não trazia nada de verdadeiramente bom a cada um deles. 

Kate Beckett e Richard Castle [Castle]: Bem, quando Beckett e Castle passavam o tempo a pegar um com o outro, a flirtar e a fingir que não estavam ansiosos por finalmente se envolverem eu adorava-os. Ele é demasiado apatetado, quase como uma criança grande, adora teorias da conspiração e fantasiar e Beckett é uma mulher de armas com os pés bem assentes na terra. O jogo de sedução entre os dois era muito divertido, com Kate a aproveitar o efeito que sabia que tinha sobre ele para o deixar completamente à toa. Durante muito tempo ela fingiu que Castle lhe era indiferente, mas sabemos bem que estava apenas a enganar-se a ela própria. Durante os primeiros tempo de relação a coisa até teve piada, mas depois… Não sei, não me pareceu que encaixassem realmente bem. Eram demasiado diferentes, não parecia haver nada em comum entre eles e depois de assentarem a maior parte da piada que a série tinha perdeu-se. Sinto que passei muito tempo a desejar que eles ficassem juntos e que, quando ficaram, a série deixou de ter propósito. Também já tinha sentido um pouco isto em relação a Bones, quando Brennan e Booth se tornaram um casal estável, mas esses eram perfeitos juntos, tinham uma ligação especial fundada por uma amizade muito especial que acabou por evoluir para algo mais.

Daenerys Targaryen e Khal Drogo [Game of Thrones]: Para mim, um dos piores casais desta lista. Eu sei que há muitas culturas onde é normal que jovens meninas se casem com homens feitos, mas ainda assim faz-me confusão. Se bem que o facto de termos Emilia Clarke, com cerca de 25 anos, no papel de Daenerys quando a série estreou nos faz esquecer um pouco que é suposto que a personagem esteja nos primeiros anos da adolescência. Anyway, aquela consumação do casamento é extremamente bruta. Chamemos-lhe violação! Khal pode ser um guerreiro experiente, mas Daenerys está a viver muitas coisas pela primeira vez. Estou perfeitamente ciente da evolução da relação entre os dois desde aí e que se amaram, mas nunca consegui gostar de os ver juntos devido àquele começo. Daenerys aprendeu a língua dele, procurou conselhos para o satisfazer sexualmente… Dany pode ter ganho o amor e o respeito de Drogo, mas foi sempre dela o esforço de ser para o marido aquilo que ele e os Dothraki esperavam que ela fosse. Ora, teria sido muito mais justo que cada um deles tivesse procurado uma forma comum de se adaptarem um ao outro.

Rory Gilmore e Jess Mariano [Gilmore Girls]: Segui Gilmore Girls durante muito tempo, mas numa altura em que uma pessoa via sobretudo as séries na televisão, sem a possibilidade que temos agora de pôr a gravar na box aquilo que não pudemos ver a determinada hora, nunca vi tudo do início ao fim e houve vários episódios que perdi. No entanto, aviso já que adorava Dean e não percebi porque é Rory haveria de preferir Jess. Eu era adolescente na altura e não revi a série desde aí, portanto o discernimento pode não ser o melhor. Dean era mesmo muito giro e alto e um namorado querido que construiu um carro para Rory, os dois tinham aquela coisa fofa de serem a primeira relação a sério um do outro. Jess, bem, ele aparece em Stars Hollow do nada e traz uma bagagem de rapaz problemático. É certo que tinha boas qualidades como ser bastante inteligente e partilhar com Rory a paixão pelos livros. No entanto, muito do envolvimento de Rory com Jess passa-se enquanto esta e Dean ainda namoravam, o que não soa nada bem. Apesar de alguns interesses em comum, a verdade é que Rory e Jess não têm nada a ver um com o outro em termos de personalidade e a adolescente tem atitudes completamente atípicas quando está com ele. Não culpo Jess, apenas Rory, mas é a prova de que há relações que fazem as pessoas serem coisas que não são. Não tinha muito como resultar. Do revival não vou falar porque não vi e não faço a mais pequena ideia de como estava a vida amorosa de Rory nessa altura. 

Rachel Berry e Finn Hudson [Glee]: Nada contra Rachel e Finn. Nenhum deles era dos meus personagens favoritos, mas não tinha nenhum desagrado em relação a qualquer um deles individualmente. Também nada a opor contra eles enquanto casal, mas nunca torci muito pela sua relação, era-me indiferente. Estava muito mais interessada em ver Santana a ser uma bitch e depois a vê-la envolver-se com Brittany. Ok, e as partes musicais também eram giras, mas Glee nunca foi uma série que me bateu muito forte no coração e quando o elenco principal foi substituído pelos novos membros do Glee Club deixei de ver. Apesar de Rachel e Finn até serem fofos, eram demasiado cliché. O rapaz popular, quarterback da equipa de futebol americano, namorado da cheerleader gira e também ela popular, que se envolve com a rapariga que tem grandes sonhos, mas em quem ninguém repara e que está no fundo da hierarquia de popularidade do liceu. Ok, ao menos Finn não é o típico desportista cruel e mau para todos e Rachel não é uma rapariguinha insegura do seu talento, mas nunca achei a história de amor entre eles muito cativante. Também nunca tive muita queda para os rapazes populares que fazem as raparigas suspirarem!

Chuck Bass e Blair Waldorf [Gossip Girl]: Favoritos de muita gente, não podia gostar menos deles. Chuck é um personagem absolutamente detestável; Blair nem tanto, mas é uma menina mimada que tem que ter sempre as coisas à sua maneira e acha que o mundo gira à volta dela. Pronto, mas poderiam não ser um casal terrível mesmo não gostando de nenhum deles individualmente. Sei que muitas meninas, algumas delas minhas amigas, veem muito glamour em Gossip Girl com todos aqueles adolescentes recheados de luxo: um guarda-roupa que certamente custa bem mais do que o carro das pessoas comuns, casas majestosas, liberdade para fazerem basicamente o que querem… Só que as roupas mais bonitas não escondem o quão distorcida é a personalidade de Chuck. Blair também é problemática que chegue enquanto personagem, mas enquanto casal os dois tornam-se verdadeiramente tóxicos. Tanto um como outro são extremamente manipuladores, magoam-se constantemente e fazem do amor que sentem uma espécie de jogo. Só porque duas pessoas se amam isso não significa que partilhem um tipo de amor saudável e pelo qual vale a pena lutar. Como seria de esperar, estes dois tiveram o seus felizes para sempre, mas serve-me de consolo que assim só se estraga uma casa.

Izzie Stevens e Denny Duquette [Grey’s Anatomy]: Tenho sempre um pouco de dificuldade em engolir quando duas pessoas se conhecem há cinco minutos (ou mesmo que seja um bocadinho mais, vá!) e as coisas escalam para um grande amor. Denny tornou-se um dos mais icónicos pacientes de Grey’s Anatomy e chegou ao Seattle Grace com um problema cardíaco. Ficou encantado com Izzie, flirtou com ela e espalhou o seu charme. A interna tem um bom coração e deixa-se apegar aos seus pacientes e, com Denny, levou as coisas ainda mais além. Começaram a passar algum tempo juntos, de uma forma amigável, e de repente estão profundamente apaixonados. Tão apaixonados que Izzie quase destrói a sua carreira e faz algo extremamente reprovável em termos éticos para o tentar salvar. No entanto, Denny acabou por morrer e Izzie ficou completamente destroçada emocionalmente. Não quero defender que duas pessoas que se conhecem há pouco tempo se amam menos do que outras que estão juntas há anos e tiveram uma vida em comum, mas acho que este enredo se desenrolou demasiado depressa e que depois o final foi o mais trágico possível para conceder o tão habitual dramatismo à série, sem que tenha havido uma preocupação em construir gradualmente a relação entre os dois. Então quando depois tivemos o fantasma de Denny a aparecer a Meredith quando esta quase morreu afogada e, sobretudo, quando Izzie começou a vê-lo e a agir como se ele estivesse vivo, foi muito mau. Acho que Denny teve tempo de ecrã e importância a mais para um paciente que nem sequer chegámos a conhecer bem, contrariamente ao que aconteceu com Henry Burton, por exemplo, um personagem que foi construído de uma forma muito mais interessante.

Regina Mills e Robin Hood [Once Upon a Time]: Este é, sem qualquer espécie de dúvida, o meu casal preferido desta lista. Passei muito tempo a desejar que Regina tivesse um grande amor que ajudasse a sarar, nem que fosse só por um bocadinho, a ferida que foi para ela a perda de Daniel, alguém que ajudasse a fazer dela uma pessoa melhor. Gosto de Robin também, é um bom homem. A química entre ele e a minha adorada Regina era boa e a história dos dois foi fofinha, mas a verdade é que Regina não precisava que outra pessoa fizesse dela alguém melhor. Apercebi-me que achava que Regina brilhava mais quando não tinha um relacionamento amoroso e que a sua relação com a irmã e com os heróis que outrora tinham sido os seus inimigos se revelou muito mais interessante. Sempre desejei um final feliz para a minha Queen, mas não achei muita piada quando pareceu que a felicidade da personagem tinha que estar relacionada com o amor de e por um homem. Regina evoluiu demasiado para que este crescimento tivesse que partilhar créditos. É claro que houve muitas pessoas a ter um papel importante nisto, não o vou negar, mas Regina precisava de percorrer o seu próprio caminho. Prova disso é que o final feliz de Regina foi o facto de se ter tornado a Good Queen, com todos os reinos reunidos, e não um “e foram felizes para sempre” com uma cara-metade. É assim que acabam todas as histórias de contos de fadas, mas os criadores redimiram-se de uma péssima temporada de despedida com um final muito girl power.

Shane McCutcheon e Carmen Morales [The L Word]: Quando The L Word: Generation Q estreou e descobri que Shane era casada, só me lembro de ter dito para o ecrã: “coitada da desgraçada que casou com ela”. Shane não é má pessoa, mas é péssima a assumir compromissos e, entenda-se lá porquê, há uma certa tendência para que as mulheres caiam aos pés dela. Carmen foi a relação mais marcante de Shane, encaixaram bem, mas casar? Estava destinado a correr mal. Não é que as pessoas não possam mudar, mas ninguém muda completamente. Era previsível que Shane recuasse antes de chegar à altura e foi isso mesmo que aconteceu. A tentativa – fraca – de explicar o porquê de Shane deixar Carmen plantada no altar é que está apenas a tentar poupá-la a um desgosto maior. Porque é que Shane não pensou nisso antes de terem decidido casar? Porque é que se permitiu envolver numa relação séria, iludindo a namorada acerca de um futuro em comum, se estava tão insegura de que não podia ser para Carmen aquilo que ela merecia? É claro que foi melhor não terem chegado a casar e cortar-se o mal pela raiz, mas era mesmo necessário esperar que a rapariga estivesse vestida de noiva? Recuso-me a encarar isto como Shane a ser altruísta, a fazer o que estava certo antes que as coisas avançassem ainda mais. Ela não foi outra coisa que não egoísta e magoou Carmen de forma inimaginável.

Ryan Atwood e Marissa Cooper [The O.C.]: Eles eram o casalinho querido de The O.C., mas nunca gostei muito de Marissa e, por isso, não me interessava muito pelas histórias que estavam ligadas à personagem. E quem estava mais associado a Marissa do que Ryan? Eu era adolescente na altura em que The O.C. estava no ar, mas já aí não tinha muita paciência para este tipo de relação. Ok, eles não eram terríveis e amavam-se, mas havia sempre tanto, mas tanto, drama pelo meio que era cansativo. Quando duas pessoas se amam porque é que perdem tanto tempo a ignorar isso quando afinal o que querem é estar juntas? Porque é que gastam tempo com outras pessoas que nunca terão para elas o mesmo significado? Porque é que parece que só sabem sabotar-se a elas mesmas? Dava a sensação de que as coisas entre estes dois nunca conseguiam resultar durante mais do que cinco minutos. Depois, com a morte de Marissa, esse tempo acabou-se. Não que eu me queixe. Sim, porque eu gostava muito mais de Taylor Townsend!

Quais aqueles casais que sentem que todos adoram e a quem não achas grande piada? Partilha connosco!

Diana Sampaio