The Good Fight tinha, à partida, um trabalho ingrato. Atingir o nível de qualidade a que a série-mãe nos habituou não é fácil, se bem que The Good Wife não começou de forma estrondosa. Aliás, The Good Fight conseguiu ser empolgante bem mais cedo do que a série que lhe deu origem, que só atingiu o seu pico aí pela quarta temporada, altura em que me apaixonei verdadeiramente!

É impossível não fazer comparações entre as duas e também há uma coisa a louvar em ambas. Quando, em 2009, The Good Wife estreou, Juliana Margulies, a sua protagonista, tinha 43 anos. Ora, na indústria televisiva, um mundo em que a idade e a aparência física têm tanta importância, não é muito comum ter protagonistas femininas e fortes com mais de 40 anos. Os papéis para mulheres dessa idade – ou superior – costumam ser os de mães de personagens mais jovens ou de esposas. Alicia Florrick era mãe e esposa, mas isso era apenas uma parte da sua vida e nem sequer uma assim tão grande. O papel de advogada foi o que ganhou força e vimos a personagem crescer profissional e pessoalmente, vivendo o amor com Will Gardner e a paixão com Jason Crouse. E tivemos direito a momentos sexy (dentro das limitações que um canal público impõe, claro), provando que o romance não está apenas reservado aos mais novos.

Christine Baranski era outro dos nomes fortes da série-mãe e, com mais de 60 anos, assume agora o papel de uma das protagonistas deste spin-off. Diane Lockhart não é mãe, tornou-se esposa já nos últimos anos de The Good Wife e a sua relação com Kurt McVeigh não é a mais tradicional. Diane prova que uma mulher se pode sentir completa estando sozinha. Sempre foi casada com o trabalho e com a carreira e, quando se preparava para se reformar, um escândalo financeiro estragou-lhe os planos. É esse o mote para The Good Fight, que junta a também brilhante Cush Jumbo, que já conhecíamos como Lucca Quinn, e apresenta-nos Maia Rindell, interpretada por Rose Leslie, representando o ‘sangue novo’ da série. Apesar de não começar mal, a história desta 1.ª temporada não é empolgante o suficiente! Pelo menos não tanto como nos habituou The Good Wife nas últimas temporadas. O elenco é irrepreensível – embora eu tenha uma embirração em relação a Bernadette Peters – e até traz alguns dos melhores convidados especiais, como Carrie Preston e Matthew Perry, mas o enredo não me agarra completamente ao ecrã. A série é competente a entreter, mas falta qualquer coisa que nem sequer consigo explicar.

No entanto, a verdade é que este final de temporada foi surpreendente e me deixou com aquele ‘bichinho’ de curiosidade para saber como as coisas se vão desenvolver. Só que não sei se os cliffhangers serão o suficiente por muito tempo. The Good Fight é uma boa série e que vale a pena ser vista, mas não me deixou a ansiar sempre pelo episódio seguinte e é exatamente isso que procuro. Talvez a 2.ª temporada faça a série amadurecer e a eleve ao estatuto de genialidade da série-mãe.

Diana Sampaio