Nem todas as séries têm o condão de nos conquistar logo ao início, nas tão importantes primeiras impressões. Das que o conseguem, desejamos que mantenham a qualidade inicial, mas a verdade é que isso é o trabalho mais difícil. As histórias desgastam-se, começam a entrar por caminhos que já percorremos em tantas outras séries, começam a usar sempre a mesma fórmula, tornam-se apenas mais uma no meio de tantas, perdem a magia com o tempo. Com esta crónica, aquilo a que nos propomos é apresentar uma lista de dez séries que nos prenderam de forma especial nas primeiras temporadas, mas das quais acabámos por nos cansar. Não quer dizer que sejam séries que já não apreciamos ou que deixamos de ver, mas sim que perderam a sua essência.

American Horror Story

AHS cast Jessica Land, Kathy Bates, Sarah Poulson, Angelea Bassett and exec producers Brad Fulchuck and Ryan Murphy (in cap). Phortographed on the set of season 3 'Coven' in New Orleans 9/29/13

A primeira temporada de AHS, Murder House, começou com alguma calma, apalpando terreno para poder começar a dirigir-se para campos mais ‘ousados’. É precisamente esta a abordagem que aprecio numa série, que as coisas não se precipitem logo para grandes revelações ou para acontecimentos muito estranhos. A história da família Harmon, entrelaçada com a vizinha Constance e a empregada Moira, mais os flashbacks do passado e a introdução de Tate, tornaram tudo bastante interessante. Interessante ao ponto de uma pessoa que, como eu, não é apreciadora de terror ou de sobrenatural, ter continuado fã da série. A segunda temporada, Asylum, superou largamente a qualidade da primeira temporada e viciou-me como poucas séries foram capazes. Escusado será dizer que as minhas expectativas para Coven eram mais que muitas! A temporada começou bem, mas nem me façam falar da segunda metade! Parecia que não estava a ver a mesma série. Assim sendo, depois do sacrifício de levar Coven até ao fim, não me atrevi a ver Freak Show. Voltei a aventurar-me na série nesta estreia de Hotel, mas não podia ter gostado menos, para ser sincera. Nem mesmo com Lady Gaga e com Sarah Paulson sou capaz de continuar a ver, depois de um piloto que considerei uma tortura!

Dexter

Dexter

Dexter é uma adaptação dos livros de Jeff Lindsay com o mesmo nome e centra-se em Dexter Morgan, um inteligente anti-herói, assassino em série, com quem acabamos por criar uma certa empatia e até desejar que não seja descoberto. A série é bastante promissora e marca a origem de várias séries em que o protagonista é um criminoso. Contudo, podia ter sido perfeita se tivesse tido menos temporadas. Dexter podia ter tido apenas as temporadas um, dois, quatro e mais uma para dar um desfecho à série. Não havia necessidade de oito temporadas, de tal forma que a certa altura temos a sensação de déjà vu em várias cenas. E para quem viu Dexter até ao fim e esperou por um final digno ao nível da série, não podia ter estado mais enganado.

Heroes

Heroes

Hoje temos muitas opções para ver séries com super heróis, mas quando Heroes estreou, não era bem assim e a série acabou por ter bastante sucesso no início. A primeira temporada tem uma qualidade fora do vulgar e podia muito bem ter terminado por aqui. Cheerleader salva. Mundo salvo. Missão cumprida! Contudo, a série continua por quatro temporadas até ser cancelada, também afetada pela greve dos argumentistas, que ocorreu na altura. Os personagens são outro problema, que os argumentistas não souberam solucionar. Criaram Sylar, um vilão mais carismático que os heróis, então decidiram torná-lo num herói, depois vilão novamente, depois herói novamente e até chegou a ser outro personagem, tudo para continuar na série. Hiro e o seu fantástico poder, a certa altura fantástico de mais, então resolveram colocar entraves ao seu poder, inclusive dar-lhe amnésia e comportar-se como uma criança. No fundo, os argumentistas não tiveram coragem de matar personagens principais só por serem adorados pelo público (nitidamente nunca conheceram George R. R. Martin).

Homeland

Homeland

Confesso que há séries que eu nunca imaginei sequer começar a ver, simplesmente porque não fazem o meu ‘género’. Só que depois há sempre um amigo a insistir para que veja e às vezes não há muito com que ocupar o tempo, portanto pensei: “Porque não?”. A verdade é que ao fim de dois ou três episódios de Homeland já estava completamente embrenhada na história de Carrie, Brody e a sua família. Fiquei completamente ‘agarrada’ e dei por mim a surpreender-me (as série costumam ser um tanto ou quanto previsíveis). Até a minha mãe estava viciada! Na segunda temporada, as coisas continuaram interessantes e dei por mim a nutrir sentimentos opostos em relação aos personagens: deixei de gostar de Brody e comecei a simpatizar com Carrie. Foi quando chegámos à terceira temporada que as coisas começaram a tornar-se menos interessantes para mim. Não que a série tivesse deixado de ser boa, mas os episódios passaram a ser mais aborrecidos e a trama em si deixou de me conquistar da mesma maneira. Depois, no final da terceira temporada, tudo tornou a ‘aquecer’ um bocado, mas um pouco por falta de tempo acabei por deixar de ver. No entanto, se a série tivesse continuado como aquela perfeita primeira temporada, nunca teria sido capaz de a abandonar.

Lost

Lost

A ideia inicial de Lost é bastante boa. Um avião despenha-se numa ilha tropical, supostamente deserta, e os passageiros têm que sobreviver, ao estilo de Robinson Crusoe, com a diferença de que ocorrem uns fenómenos fora do vulgar na dita ilha. Até aqui tudo bem. As primeiras temporadas da série são excelentes. Contudo, ninguém esperava a popularidade que a série teve e o canal ABC achou que as duas temporadas planeadas pelos criadores não eram suficientes. Então, decidiram esticar a série para seis temporadas! E esta não foi a única má gestão do enredo. Lost não tem um género definido. Inicialmente parecia uma série de ficção-científica (pois os criadores garantiram que todos os acontecimentos seriam explicados cientificamente). Mais tarde, teve fases em que podia ser considerada sobrenatural ou fantasia, ação, romance, aventura… A certa altura parecia que queriam agradar a toda a gente.

Prison Break

Prison Break

Prison Break centra-se em Michael Scofield, um engenheiro genial, que planeia a fuga do irmão, que está injustamente no corredor da morte. O mais interessante foi ter tatuado o plano no próprio corpo e ter arranjado uma forma de ser preso e colocado na mesma prisão do irmão. A partir deste ponto, Michael tem apenas quatro semanas para completar o seu plano antes de Lincoln ser eletrocutado. A primeira temporada de Prison Break é brilhante e se a série tivesse terminado com a fuga da prisão teria sido perfeita. Quanto muito ter mais uma temporada com Michael e Lincoln a tentar descobrir os mauzões, a The Company. As audiências, mais uma vez, interferiram na continuidade da série por mais duas temporadas, e rapidamente Prison Break se afundou. E no final, Michael, depois de passar por um inferno para salvar a sua família, é recompensado assim? Nem quero pensar o que vão fazer com mais Prison Break que aí vem.

Once Upon a Time

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Esta é mais uma série que eu comecei a ver por recomendação, porque o mundo da fantasia e da magia nunca fez bem o meu género (a não ser que estejamos a falar de Harry Potter). Ainda por cima uma história que se inspirava nos contos de fadas! A verdade é que bastaram poucos minutos para eu ficar interessada (bastante interessada) na série, com Regina (adoro um bom vilão) a interromper o casamento de Snow e Charming. Os elementos que sempre me tinham deixado reticente em ver a série, foram precisamente aqueles que me conquistaram. Foi muito interessante ver aquela luta entre heróis e vilões na Floresta Encantada e ver as suas diferentes personalidades em Storybrooke. Adorei o núcleo principal da série com Regina, Snow, Charming, Rumple, Henry e Emma! Para mim, era uma série verdadeiramente mágica, no real sentido da palavra. Com a introdução de vários personagens novos (essencialmente novos vilões), o elenco principal começou a ter menos destaque, perdeu-se demasiado tempo com tramas novas que se iam repetindo (estou a falar das maldições, das constantes perdas de memória e de todos os feitiços que nunca podiam ser quebrados, mas afinal podiam). A série perdeu alguma da sua originalidade, mas a introdução desta nova história de Emma como a nova Dark One está a trazer de novo ao de cima a minha paixão pela série. Só é pena que, por outro lado, em apenas três episódios, já esteja a cansar-me do reino de Camelot e de Arthur, que é tudo menos o que parece.

Raising Hope

Esqueçam Modern Family, esqueçam qualquer outra série de comédia familiar, porque Raising Hope era a rainha delas todas! Com uma história algo original, personagens verdadeiramente engraçados e uma bebé fofa, tínhamos os ingredientes para umas ótimas gargalhadas! Assim foi, durante três temporadas, embora a série tenha durado quatro. Nem acreditei quando foi anunciado o cancelamento, mas assim que comecei a ver a derradeira temporada percebi que outra coisa não fazia sentido. Parecia que se tinham esgotado as piadas engraçadas e que só sobraram as foleiras para contar. Não sei se por falta de imaginação, mas a série perdeu-se completamente. Para recordar ficam as excelentes três temporadas iniciais. A série teria sido perfeita só com elas. Com a quarta, tornou-se uma série igual a tantas outras.

The Walking Dead

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The Walking Dead tem a melhor temporada de estreia que se pode pedir a uma série! Com um piloto fantástico, a série manteve o mesmo nível de qualidade durante toda a primeira temporada, com todos os elementos que são essenciais a uma série deste género. O grupo na estrada, a dar os primeiros passos na luta pela sobrevivência, enquanto se tornava cada vez mais ciente do que estava a acontecer e do que todos teriam de fazer para continuarem vivos, a esperança de chegarem ao CDC, onde pensavam encontrar uma cura para a epidemia zombie. Não queria que a temporada acabasse, de tão boa que foi! A segunda temporada também não frustrou muito as expectativas da primeira, manteve-se firme, empolgante o suficiente, com a adição de novos personagens. As coisas continuaram interessantes e o mesmo posso continuar a dizer sobre a terceira temporada. Foi a partir daí que comecei a apresentar os primeiros sinais de cansaço em relação à série. Parecia que já não trazia muito de novo, que era sempre mais uma questão de tempo até aparecer o próximo vilão com quem Rick e o grupo teriam de se bater. Também me cansa toda a história de que Rick é um herói, quando na verdade deixou de ser um bom homem há muito tempo, e se tornou apenas um ditador. É certo que, para manter o seu grupo vivo, isso resulta muito bem, mas haverá uma altura em que terão de começar a pensar em viver e não apenas em sobreviver.

True Blood

True Blood

Como é que algo tão bom consegue tornar-se tão mau? No espaço de sete temporadas, True Blood conseguiu esta proeza. True Blood, adaptado por Alan Ball dos livros de Charlaine Harris, é uma série de vampiros para adultos. A protagonista, com o poder de telepatia, apaixona-se por um vampiro e vice-versa (já vimos isto em algum lado, certo?). A diferença é que em True Blood há sexo, drogas, homicídios e mais sexo. O que pode correr mal? Várias coisas, tal como a protagonista tornar-se aborrecida, o vampiro apaixonado tornar-se ainda mais aborrecido que a protagonista e o vampiro supostamente vilão e super sexy perder a memória e ao mesmo tempo também perder tudo o que o tornava prefeito. True Blood introduziu histórias novas a mais ao longo das temporadas – lobisomens, fadas, grupos anti-vampiros, um vírus que mata vampiros através de sangue humano contaminado, bruxarias, Bilith… E por fim, passamos temporadas a mais a ver alguém atrás de Sookie por ela ser tão especial.

Querem contar-nos quais são as séries que, para vocês, perderam a magia ao fim de algumas temporadas?

Ana Velosa e Diana Sampaio.