Classificação

9.7
Interpretação
9.2
Argumento
9.1
Realização
9.2
Banda Sonora

Number Three marca o final de midseason desta segunda temporada e encerra o trio de episódios centrados em cada um dos irmãos. Depois de um serão com Kevin e outro com Kate, o protagonista da semana foi mesmo Randall que, mais uma vez, demonstrou ser uma pessoa com um coração enorme, tremendamente generoso, valores herdados dos seus pais.

A mãe de Deja saiu da prisão e isso deixa Randall à beira de um grande dilema. Por um lado não quer dizer adeus àquela menina para quem já olha como uma filha; tem receio que esteja a devolver Deja a um cenário que pode ser muito mais prejudicial para o seu desenvolvimento. Tem também Beth totalmente contra a hipótese de entregar Deja à mãe e as suas duas filhas também não querem perder a nova “mana”. À mistura temos ainda o desejo de Deja de voltar à companhia da sua mãe biológica e o parecer favorável da assistente social para que isso aconteça. A balança está muito equilibrada… na cabeça de Randall e Beth, o amor a Deja e o descontrolo emocional evidente de Shauna fez pender a balança e recorrer a advogados é uma hipótese em cima da mesa. Quem ajuda a resolver o dilema na cabeça de Randall? Bem, um dos grandes influentes nessa decisão poderemos dizer que foi William que, mais uma vez, mesmo ausente, não deixa de continuar com uma marca bem patente no desenrolar dos acontecimentos. Assistimos a uma das últimas conversas entre Randall e William, na qual este lhe revela ter seguido uma vez Rebecca no passado até à casa onde viviam. Esteve a um pequeno momento de determinação e ousadia de conhecer o seu filho e, até quem sabe, fazer parte da sua vida.

Aliás, somos brindados com aquela que poderia ter sido a presença constante de William ao longo do crescimento de Randall se tivesse decidido avançar. Mas não reconheceu direito a si próprio de se intrometer na vida daquela família e poder desequilibrar a harmonia que rodeava o seu filho naquele momento. Também Randall, no presente, se colocou nessa posição, e depois de assistir à paixão de Shauna na preparação do regresso da filha, também ele se sentiu como o outsider neste processo e generosamente decidiu não complicar a reunião de mãe e filha, por mais que isso lhe custasse e a Beth.

No passado fomos até ao mesmo momento em que já tínhamos estado centrados em Kevin e em Kate nas semanas passadas e tivemos contacto com um sentimento de Randall que também ajudará a perceber a sua decisão no presente. Randall estava à beira de entrar para Harvard, uma faculdade predominantemente preenchida por gente branca. Mas Randall decide que quer ir para a Universidade de Howard, faculdade essa que vai visitar com o pai Jack. Nessa faculdade, contrariamente a Harvard, pessoas brancas eram a exceção, Randall estava entre pessoas com o mesmo tom de pele e finalmente sentia-se integrado. Ele sempre crescera com essa sensação de ser olhado de um modo diferente, de não estar entre os seus e, claro, nunca por culpa dos pais, que sempre fizeram tudo o que podiam para lhe revelar que era exatamente como eles. A alegria na cara de Randall durante a visita nem deixava espaço para palavras, nem era necessário, ali sentia-se muito bem. Tivemos ainda uma bela conversa entre pai e filho durante a viagem de regresso a casa, na qual Randall exprimiu a sensação que sempre o acompanhara e o porquê de querer ir para Howard e Jack a partilhar a confiança de que Randall tomaria a decisão correcta, como sempre fazia.

De um modo geral, este trio de episódios foi algo inovador e permitiu-nos focar atenções em personagens específicas e conhecê-las ainda melhor. Quantas vezes não sentimos falta de pormenores noutros episódios de outras séries! Este modelo levou-nos ao detalhe em cada período e foi para mim uma fórmula de sucesso que poderá ser replicado. Sou suspeito para falar dos três irmãos, Randall tem vindo a definir-se como o meu preferido, mas é inegável que Sterling K. Brown, num cast cheio de talento, consegue sempre elevar ainda mais o nível.  Contudo, em termos do modelo utilizado neste arco de três episódios, penso que o primeiro foi o que melhor funcionou, centrando-se verdadeiramente e somente em Kevin, permitindo chegar a camadas mais “profundas” da personagem e do seu momento atual. Já os episódios de Randall e Kate tiveram outros personagens e avanços na história que de certo modo dividiram o palco com estes dois protagonistas.

Na sequência final e de volta ao presente, a poucos dias do Thanksgiving, e um ano depois de um dia bem atribulado, este promete sê-lo também. Kate acaba de perder o bebé, está a reerguer-se das cinzas com Toby e o apoio da família; Randall e Beth enfrentam a perda de Deja, mas focados em tornar a ajudar outra criança, quiçá um rapaz desta vez; e Kevin está ocupado a destruir a sua vida. Porém, desta vez, não é apenas a sua vida que coloca em risco ao conduzir alcoolizado com a sobrinha mais velha no carro. Pode até, muito bem, ter sido a sua presença a evitar males maiores.

Antes de terminar, aquela engraçada metáfora da vida: a vida é como o Pacman, estamos sempre no mesmo cenário de jogo, os fantasmas vão estando lá, apenas temos de trilhar o nosso próprio caminho, evitar os fantasmas e chegar às “cerejas” que a vida nos oferece.

O próximo episódio promete, mas teremos de esperar durante a pausa do período das festas. Boas Festas aos fãs de This Is Us!

André Borrego