3000 Depois de Cristo é uma série de antologia de dez episódios disponível na RTP Play. Cada história, diferente da próxima, é passada no ano 3000. Em comum têm apenas dois pontos, um(a) narrador(a), que nos conta a história, e o facto de que a animação de cada episódio é gerada por sistemas de inteligência artificial. A série transmite sensações de Love, Death & Robots (possivelmente uma fonte de inspiração?), não só nas temáticas como no formato dos episódios e ainda mais vincada pela estrutura e música da intro dos episódios.
As temáticas e o tom absurdo das histórias de 3000 Depois de Cristo é profundo o suficiente para gerar desconforto e reflexão, embora alguns episódios sejam demasiado levianos, deixando a sensação de que poderiam ter uma “moral da história” ou um propósito de inquietação mais vincado. No entanto, a série tem-se como é, sem este peso de querer que todas as suas dez histórias tenham demasiada moralidade ou sentido, o que em si só a torna refrescante e agradável e é sem dúvida uma lufada de ar fresco no panorama da televisão portuguesa. Mais um bom produto do RTP Lab.
As animações geradas por inteligência artificial seguem o mesmo moto, não pretendem fingir que não o são. Notam-se bem as incoerências, imprecisões, quebras de continuidade, tanto nos cenários e pormenores, como nas características físicas das personagens. Estes “problemas” são particularmente evidentes no episódio dos Porquinhos do Plástico (um dos melhores da antologia!) e do Gene da Fortuna (um dos piores da antologia). Mas assim o pretendem ser e não deixa de ser fascinante como é possível a criação destas animações com recurso a estas ferramentas e não deve ser desconsiderado o trabalho humano que reside na sua produção.
Melhor Episódio:
Festa dos Umbabas (Episódio 9) – Apesar dos conceitos de praticamente todos os episódios serem refrescantes, originais e com um misto de absurdo e engraçado que é interessantíssimo, senti que alguns falharam na concretização, ou no seu culminar. A Festa dos Umbabas foi maravilhosa neste ponto. Era exatamente o que se esperava e era exatamente o final perfeito. Uma crítica, ainda que muito exagerada, à preocupação e ao exagero humano.
Melhor Personagem:
Fagundes – Não creio que dê para se aplicar muito bem uma avaliação de melhor personagem a uma série antológica como esta, com episódios de pouco mais de 10 minutos, mas se há personagem que se destaca (ou que a série destaca com honra de herói) é o cozinheiro Fagundes.