Agatha Christie’s Seven Dials (Os Sete Relógios de Agatha Christie), a nova minissérie da Netflix, chegou, mas sem grande entusiasmo, não trazendo grande novidade ao género do mistério policial.
A história é aceitável, mas raramente envolvente, e em vários momentos chegou mesmo a tornar-se algo aborrecida. Tendo apenas três episódios, esperava um ritmo mais rápido e uma narrativa mais incisiva, mas isso nem sempre acontece. A produção está OK, a recriação de época funciona e a realização cumpre, mas nada se destaca verdadeiramente. O mesmo acontece com a atuação, que é competente, mas sem qualquer elemento que sobressaia ou fique na memória. Mesmo a protagonista, Mia McKenna-Bruce, não me convenceu. Em narrativas de mistério, espera-se uma personagem central com carisma, sagacidade e até um certo grau de excentricidade. Algo que ajude a tornar a investigação mais interessante e imprevisível. Aqui, isso não acontece. A personagem é funcional, mas falta-lhe personalidade e magnetismo para carregar a série e nos manter verdadeiramente envolvidos.
Onde a série mais falha, para mim, é no argumento. Neste tipo de histórias, o que mais valorizo é a engenhosidade da escrita, a capacidade de me levar por vários caminhos, criar dúvidas constantes e fazer com que nunca seja totalmente claro quem é culpado de quê. Apesar de tentar introduzir algumas curvas mais acentuadas e falsas pistas, a verdade é que estas não são suficientemente eficazes. Gostando do género e já tendo visto muitas histórias semelhantes, acabei por não me sentir verdadeiramente enganado. Com um pouco de atenção, torna-se relativamente fácil antecipar o desfecho. O clímax acaba por ser morno e algo, bom, anticlimático, o que vai precisamente contra aquilo que procuro quando vejo uma série deste tipo. Para quem procura algo mais interessante dentro das investigações de época, temos Perry Mason, na qual os mistérios são mais envolventes, ou, para quem prefere uma abordagem mais disruptiva, A Murder at the End of the World acaba por ser uma experiência mais compensadora, isto só para nomear alguns exemplos de incursões mais acertadas pelo género.
No final de contas, Agatha Christie’s Seven Dials não é uma má série. Entretém e vê-se sem grande esforço, mas deixa a sensação constante de que podia ter sido muito mais interessante e ousada e uma experiência bastante mais estimulante.
Os três episódios da minissérie Agatha Christie’s Seven Dials já se encontram disponíveis na Netflix.