O Estranho Caso de Amanda Knox – Crítica da Minissérie
| 01 Out, 2025
8.6

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Já há algum tempo que uma série não mexia assim comigo. Foram vários os episódios e as cenas de O Estranho Caso de Amanda Knox (The Twisted Tale of Amanda Knox) em que dei por mim com aquele nervoso que a ficção consegue provocar quando nos importamos verdadeiramente com a história a ser contada. Temi pelo destino de Amanda, mesmo sabendo que, no fim, as coisas se resolveriam. Irritei-me profundamente com o quão parcial a polícia e a investigação se revelaram. Pelo quanto Amanda foi pressionada, em vários cenários, a dar um ‘passo em falso’. Senti revolta pelo quanto as pessoas conseguem ser horríveis, sempre prontas a condenar alguém no tribunal da opinião pública. Senti vergonha pela classe de pretensos jornalistas que não arredaram pé da casa daquela família que estava apenas a tentar sarar. Senti a dor daqueles que amavam Amanda e Raffaelle e que estiveram sempre ao lado deles e fizeram tudo o que puderam para os libertar. Em especial Edda, a mãe de Amanda, interpretada por Sharon Horgan, uma das minhas atrizes favoritas. Mãe e filha proporcionam-nos alguns dos melhores momentos da série, com destaque para uma conversa muito emotiva (mas necessária para ambas) que têm no último episódio.

O elenco é irrepreensível. Para o bem ou para o mal, nenhum personagem foi capaz de me deixar indiferente. Talvez os polícias tenham sido apresentados de forma um tanto ou quanto exagerada, mas o objetivo seria mesmo expor o quão negligente a investigação foi, portanto, funcionou na perfeição.

Li comentários sobre a série nas redes sociais a criticar que Meredith, a maior vítima deste caso, foi esquecida. Não concordo com essa opinião tão simplista. Só que esta é a história de Amanda, contada pela voz da própria. Ela vai ser sempre a personagem central, é inevitável. A culpa do ‘esquecimento’ em relação a Meredith atribuo-a à negligência do caso. Quando falo em caso, refiro-me a como foi retratado na série, uma vez que não tenho conhecimentos pormenorizados sobre como as coisas se passaram na realidade. Nem me cabe avaliar o quão fiel este produto de ficção é. Por isso, quando é tão óbvio que as provas contra Amanda e Raffaelle são fracas (ou inexistentes), este deixa de ser apenas um caso de homicídio. Há uma vítima, morta, mas há mais. Há as pessoas injustamente acusadas do crime. Há a própria justiça. Quando alguém morre, em especial de forma violenta, é natural que queiramos encontrar o responsável. No entanto, o que é que resta quando basta apontar o dedo para sentar alguém no banco dos réus? A série convida à reflexão sobre estes temas. Sobre o quanto há tantas pessoas injustamente acusadas, condenadas e até mortas por crimes que não cometeram. Amanda e Raffaelle tiveram a sorte, apesar de tudo, de contar com famílias que lutaram por eles. Se assim não fosse, não sei o que poderia ter acontecido.

Melhor episódio:

Episódio 6 – Amanda e Raffaelle têm, finalmente, um julgamento justo onde as muitas falhas da investigação são apontadas. Pela primeira vez em muito tempo, há esperança, mas a esperança também é uma coisa terrível que nos pode fazer acreditar que vai ficar tudo bem quando há uma real hipótese de assim não ser. Amanda e o padre estabelecem uma ligação muito importante que parece ser a única coisa a que ela se pode realmente agarrar para sobreviver durante o tempo em que está na prisão. No entanto, não há nenhuma garantia de que o veredito seja favorável e Amanda escreve uma carta à mãe a dizer o quanto a ama e que quer que continue a vida dela se for condenada. Ela está a dar permissão à mãe para seguir em frente. É um momento bonito e comovente ao qual é impossível ficar indiferente.

Personagem de destaque:

Amanda Knox (Grace Van Patten) – Há séries em que a escolha tem mesmo que ser a mais óbvia e aqui não havia maneira de ser outra que não Amanda. Van Patten é muito boa a transmitir-nos as emoções da sua personagem. É impossível não sentirmos empatia por Amanda, por tudo aquilo que ela passou. Posso até dizer que foi impossível para mim não gostar de Amanda, mesmo quando a ‘pintavam’ como a má da fita. A polícia via uma miúda idiota capaz de se divertir com o namorado depois de a amiga ser morta. Eu via uma miúda a ser miúda. Uma rapariga a quem a prisão roubou anos de vida e que, mesmo assim, não se tornou uma pessoa amarga e zangada. A coragem de Amanda durante estes anos de provação, o quanto ela se agarrou às pequenas coisas para sobreviver e o quanto foi capaz de confrontar os seus próprios medos, voltando ao país onde teve lugar o seu pior pesadelo, fazem dela uma personagem muito interessante de acompanhar.

O Estranho Caso de Amanda Knox - Crítica da Minissérie
Temporada: 1
Nº Episódios: 8
8.6
9.5
Interpretação
8.5
Argumento
8
Realização
8
Banda Sonora

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