Classificação

6.5
Interpretação
4.5
Argumento
5.5
Realização
7.5
Banda Sonora

[Contém spoilers!]

Temporada: 5

Número de Episódios: 10

A série You Me Her chegou ao fim após cinco, progressivamente longas, temporadas.

Como fã das primeiras duas temporadas, tenho que dizer que a partir da 3.ª temporada esta série começou a tornar-se repetitiva, monótona e enfadonha. Devido a este motivo, eu não assisti à quarta quando saiu, e decidi esperar para a série estar completada para fazer um binge das últimas temporadas – e foi assim que o fiz.

Um dia, duas temporadas.

Eu adorei a 1.ª temporada, e estava com esperanças de que a última temporada me trouxesse o mesmo nível de entusiasmo, ou pelo menos, algum tipo de emoção – saí um pouco desiludida, com a exceção de alguns momentos que irei falar mais tarde.

Algo que eu sempre considerei um risco, desde o início, foi a escolha de focar a série somente na relação poli-amorosa entre Izzie (Priscilla Faia), Emma (Rachel Blanchard) e Jack (Greg Poehler).

Em 2016, quando a 1.ª temporada foi emitida, este tipo de relacionamento não era realmente representado em televisão, o que tornou You Me Her um sopro de ar fresco – mas, ter esse aspeto como a âncora da série funciona para uma série de duas, talvez três temporadas, não funciona para cinco temporadas. Para esta relação ser a âncora por tanto tempo tinha que ter algo mais forte a segurar, quer sejam personagens mais complexas, ou obter formas mais dinâmicas de explorar essa relação.

O que You Me Her sempre fez, e continuou a fazer na 5.ª temporada, foi tentar responder à questão “Será que relações poli-amorosas podem funcionar?” e ao fim de cinco anos a fazer sempre a mesma questão, torna-se maçador.

Pessoalmente, eu gostava que a 5.ª temporada tivesse sido mais focada na relação de Izzie com as gémeas, do que na dinâmica “Will they? Won’t they?” entre Izzie, Emma e Jack. Uma das grandes questões da 4.ª temporada foi Izzie tentar perceber qual seria o seu papel na vida das gémeas, visto que ela não iria ser a mãe biológica dos bebés e os papéis binários standard de pai e mãe já estavam preenchidos. Nós nunca chegámos a obter uma resposta a esta questão, e acho que teria sido algo mais interessante do que ver o trio separado pela milésima vez.

Devido a esta constante repetição de dinâmica – separam-se; estão zangados, mas ainda se amam; tensão; momento em que têm uma recaída; mais drama; e finalmente voltam a ficar juntos de novo – é difícil investir-me emocionalmente porque já vi o desenrolar dessa história e já sei o que vai acontecer.

Outro pecado que a 5.ª temporada cometeu foi encostar Emma e Jack para o lado. O único papel deles esta temporada foi ficar a “engonhar” um coração partido, tentar fazer ciúmes a Izzie e, no final, tentar conquistá-la de novo. Com Dave (Ennis Esmer) de volta, gostava de ter visto mais cenas entre os dois amigos de modo a que a inevitável revelação da quebra de pacto tivesse mais impacto do que o que acabou por ter.

E ao falar de Dave… Onde é que foi parar Carmen (Jennifer Spence)? Calculo que houvesse algum motivo por detrás das cenas para a ausência de Jennifer Spence na última temporada de You, Me, Her, mas é de mencionar que senti falta dela e a última temporada não foi a mesma sem ela.

Deixando o mal para trás, gostaria de falar sobre os breves momentos que realmente salvaram esta 5.ª temporada…As personagens secundárias! Um dos pontos fortes desta série é realmente um bom grupo de personagens secundárias. Desde o relacionamento de Nina (Melanie Papalia) e Shaun (Patrick Gilmore), Ben (Robert Moloney) e Lala (Enid-Raye Adams), e infelizmente, um solitário Dave – todas estas personagens, entre outras, melhoraram de forma significante a minha apreciação desta última temporada – especialmente Lala, que subitamente agarrou-me no coração e nunca mais largou… não estou a exagerar. Adorei todas as cenas em que Lala estava presente, mas em particular a belíssima conversa que ela teve com Izzie no quarto episódio Also, I Hate You, onde ela diz a Izzie que a presença de Ben no seu mundo, alterou esse mundo – algo que Izzie precisava de ouvir.

Nesta mesma conversa, elas também falam de Leo, um rapazinho que conquistou o coração de Izzie e que ela eventualmente acaba por adotar. Esta adição foi algo que eu não esperava, mas foi sem dúvida um dos highlights desta temporada (mesmo que um pouco conveniente).

Por fim, o último episódio!

Eu sei que esta review tem sido um pouco dura, mas um dos motivos pelo qual eu estou a ser exigente é o facto de eu realmente ser apegada a You Me Her desde que estreou. Esta é uma série para a qual eu tinha grandes expectativas, e que ao longo do tempo começou a dececionar, mas sempre torci para que ficasse melhor, porque eu gosto da série e eu adoro estas personagens. Portanto, quando o episódio 10 “Home Is Where the Flaiming Heart Is” começa com uma montagem do highlight reel de todas as temporadas… eu admito que fiquei emocionada, e talvez… só talvez (uh?!) possa ter libertado uma lágrimazita.

Esta temporada não foi perfeita, mas deu-nos o final que merecíamos – Izzie, Emma, Jack e os seus quatro filhos, com um final feliz. E para ser honesta… vou absolutamente sentir a falta desta série.

Personagem de Destaque:

Izzie Silva (Priscilla Faia) – Não interessa qual a temporada, Izzie tem sido uma constante personagem de destaque durante toda a série. É simplesmente a personagem mais complexa e mais interessante de se assistir, e Priscilla Faia fez um ótimo trabalho a interpretar Izzie durante estas cinco temporadas.

Melhor Episódio:

Episódio 10 – Home Is Where the Flaiming Heart Is – Visto que este foi o único episódio da temporada que me fez chorar… alegadamente! Foi fácil de classificar este como o melhor episódio. Este foi o episódio que esperámos anos para obter, e saber qual o final das personagens às quais ganhamos afeto e às quais nos apegamos durante estes últimos anos e esse final não desapontou.

Liliana Capucho