Classificação

7
Interpretação
6.5
Argumento
9
Realização
9
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Temporada: 2

Número de episódios: 8

A 1.ª temporada de Altered Carbon deixou-me perplexa pela qualidade incrível, a todos os níveis, da sua produção. Os 10 episódios passaram a correr e fiquei presa à história durante vários dias depois de ter terminado a temporada. Esperei ansiosamente que anunciassem a estreia da segunda e o entusiasmo por estes oito episódios era muito. Infelizmente, não posso dizer que estou contente com o resultado. Aliás, estou muito desiludida.

O genérico do primeiro episódio da nova temporada deixou-me imensamente entusiasmada. Apesar de estar um pouco na dúvida com Anthony Mackie a dar vida a Takeshi Kovacs ao invés de Joel Kinnaman, o facto de ter esperado dois anos por esta nova etapa fez-me colocar de lado essas incertezas e aproveitar aquilo que ia ver. Bom, devo dizer que tentei mesmo ignorar tudo o que me estava a incomodar em relação à interpretação de Mackie; esperei pelo final do segundo episódio para formular a minha opinião e a verdade é que não é nada positiva.

Esta é a conclusão a que cheguei: enquanto Kinnaman nos deu um Takeshi com uma bagagem enorme, com um claro character development relativamente ao Takeshi interpretado por Will Yun Lee, mas cuja personalidade e identidade continuavam a ser percetíveis, Mackie pareceu dar vida a uma personagem completamente diferente. Não consegui ver Tak em Mackie por mais que tenha tentado. As suas interações com Poe, Rei e Quell tiveram uma sensação deslocada, não consegui sentir empatia nessas cenas. Já com Kinnaman, e especialmente quando contracenava com Dichen Lachman, dava para perceber o historial entre as duas personagens que interpretavam, a tensão, a raiva, o amor entre os irmãos era palpável. Com Mackie? Não houve nada disso.

Mesmo em relação ao próprio argumento não me senti envolvida na narrativa. No meio disto tudo a única coisa que manteve a qualidade da temporada passada foi o visual, a excelência dos efeitos especiais e algumas cenas de luta (senti que as coreografias da 1.ª temporada eram melhores e mais impactantes). O regresso de Quellcrist, a descoberta do que os Anciãos fizeram, o jogo duplo de Danica e a obsessão de Jaeger deveriam ter-me colado ao ecrã do início ao fim. Contudo, não foi isso que aconteceu. A história inicialmente era confusa e senti que me esforçava para ver o episódio seguinte, enquanto na temporada anterior devorei os 10 episódios de uma vez só.

Poe e a sua evolução é das poucas coisas positivas nesta temporada. Já gostava da personagem, mas a atitude ridícula de Tak para com a AI fez-me aproximar ainda mais e acho que a sua evolução narrativa foi muito bem construída. Por outro lado, a adição de Trepp foi, a meu ver, uma má escolha. Se a temporada tivesse decorrido sem ela provavelmente teríamos tido o mesmo desfecho. Achei-a desnecessária e, uma vez mais, também a sua representação não foi a melhor. Simone Missick foi pouco orgânica e aquilo que transmitiu aos espectadores não foi o melhor.

No fundo, e como referi no início, a 2.ª temporada de Altered Carbon foi uma desilusão. Dois anos de espera para nos ser apresentada uma história fraca e pouco emotiva. Nem mesmo as cenas de ação deslumbraram inteiramente. Os ingredientes para uma temporada excelente estavam todos lá, mas simplesmente não foram misturados da forma certa e, como tal, temos oito episódios medianos ao invés de oito episódios soberbos. Talvez tivesse sido melhor termos somente uma temporada. Pelo menos podíamos relembrar esta série como sendo incrível a todos os níveis. Haverá uma terceira? Se sim, que seja igual ou superior em qualidade à primeira. Se for como esta, mais vale não se fazer nada.

Personagem de Destaque:

Poe (Chris Conner) – Sem dúvida que foi a personagem a brilhar mais nesta temporada. Sem Poe provavelmente não teria chegado ao 8.º episódio. Confesso que quando Tak disse que já não queria ter mais nada a ver com Poe tive vontade de desistir da série logo ali. Quem escreveu este guião não fez um bom trabalho de todo. É irónico como uma personagem que não passa de código e programação consegue evoluir mais do que um humano experiente e vivido.

Episódio de Destaque:

Episódio 8 – Broken Angels – Não posso dizer que tenha havido um episódio que se tenha verdadeiramente destacado, mas, a ter de escolher um, opto pelo último. É aqui que tudo culmina e onde temos indícios de que poderá haver outra temporada. A missão de Quell não está terminada; há agora o fator Takeshi Kovacs – o original; a consciência do outro Tak está provavelmente em Poe… Enfim, há pano para mangas, isso há. Mas que seja um pano elaborado com cuidado e dedicação. É só o que peço!

Beatriz Caetano