Estreou esta semana na HBO Max a minissérie Little Disasters, um original da Paramount+. Este drama é inspirado no livro, com o mesmo nome, da autora Sarah Vaughan, já conhecida do público televisivo por Anatomy of a Scandal. Alguns sites identificam Little Disasters como um thriller, mas não consigo concordar. Temos a parte do mistério, evidentemente, mas isso não chega para colocar a série no género. Pormenores técnicos à parte, este primeiro episódio é sólido e tem a capacidade de prender a atenção. Fiquei com vontade de ver tudo de seguida, mas ainda só foi lançado um episódio na plataforma. O que também não é mau, visto que a espera acaba sempre por elevar a experiência. Sei que agora estamos habituados a consumir temporadas de enfiada e sou culpada de também gostar disso, mas ter que esperar por um episódio é uma experiência completamente diferente. Cria uma maior expectativa, permitindo digerir tudo com outra calma. É interessante continuar a ver séries desta forma.
A história explora a maternidade e a amizade no feminino centrando-se em Jess (Diane Kruger), Liz (Jo Joyner), Mel (Emily Taaffe) e Charlotte (Shelley Conn), quatro mulheres sem nada em comum, mas que se conheceram numa aula de preparação para o parto e se tornaram amigas. Cerca de dez anos depois, tudo muda numa noite em que Jess, uma dona de casa aparentemente perfeita, leva a filha bebé ao hospital com um inexplicável ferimento na cabeça. Liz, que é médica nas urgências, vê-se obrigada pelo dever profissional a ligar para os serviços sociais. Como seria de esperar, isto vai abalar o grupo de amigos, dos quais os companheiros das quatro mulheres também fazem parte, e destruir as famílias.
O elenco presenteia-nos com interpretações sólidas. Inicialmente, não fiquei muito convencida com algumas das escolhas para contar a história, mas no final achei que resultava bem termos as personagens a falarem para a câmara, como se estivessem a contar-nos a sua versão dos acontecimentos. A premissa da série é boa e, mais do que isso, levanta questões que nos põem a refletir e que imediatamente nos fazem colocar na pele das personagens. Foi inevitável para mim imaginar-me na pele de Liz e não a posso julgar pela decisão que tomou. Independentemente da explicação que possa haver para o que aconteceu àquela menina, o dever de Liz está acima de relações pessoais e está em causa a segurança de uma criança. O que é verdadeiramente interessante é que a série consegue fazer-nos gostar tanto de Jess como de Liz. Estou convencida de que Jess, claro, está a esconder alguma coisa. Tem que estar. No entanto, ainda se sabe muito pouco para tecer juízos de valor. No entanto, tenho que perguntar isto: que maneira é aquela de criar crianças sem as levar ao médico e sem as vacinar? Parece-me uma loucura demasiado grande.
O primeiro episódio de Little Disasters mexe facilmente com as emoções e fica connosco bem depois de o termos terminado. Estou muito curiosa para descobrir o que aconteceu!