O primeiro episódio de Task, a nova minissérie que podemos acompanhar na HBO Max, apresenta-nos aquele ritmo lento que já não se vê muito hoje em dia. Numa altura em que parece que as séries têm de despejar logo tudo nos primeiros segundos para nos prender antes que saltemos para uma das infinitas opções que temos à disposição, este arranque escolhe o caminho oposto – e resulta. A série gasta tempo a apresentar as personagens, a mostrar as suas vidas, as suas dinâmicas, sem pressas. E isso faz toda a diferença: quando chegamos à cena final, que é de facto o grande clímax do episódio, já temos favoritos, já estamos curiosos com aquelas figuras secundárias que foram surgindo pelo caminho e já queremos saber o que vem a seguir.
O cenário em si não traz grandes novidades: cidade pequena, famílias desfavorecidas de um lado, polícias com dramas pessoais do outro, e um jogo de gato e rato que se adivinha. Sendo do mesmo criador de Mare of Easttown, percebe-se a linha, mas, tal como nessa série, o que realmente se destaca aqui são as interpretações. O ótimo Mark Ruffalo no papel do polícia e o muito competente Tom Pelphrey conseguem transmitir uma genuinidade que nos faz compadecer das suas histórias e é exatamente isso que este tipo de séries pede.
Este começo fez-me lembrar The Killing ou até The Outsider (embora esta última depois descarrile para um lado completamente diferente). A sensação é semelhante: vidas que se cruzam e acabam inevitavelmente por se marcar ao longo da minissérie. A reviravolta final do episódio resulta precisamente porque abre várias possibilidades para o rumo da narrativa. O desfecho cria uma situação impossível, cheia de tons de cinzento, sem o preto e branco habitual em tantas séries. Não tentam inventar a pólvora: recorrem aos artifícios típicos apenas o suficiente para serem reconhecíveis, mas acrescentam a originalidade necessária para nos prender. Em vez do polícia torturado e do seu jovem aprendiz, temos algo mais, até em quantidade e em vez dos bandidos implacáveis, encontramos pessoas com vidas reais.
No geral, é um primeiro episódio muito competente: apresenta bem as personagens e os seus dramas, faz-nos empatizar com elas e querer acompanhar os próximos passos e ainda fecha com um murro no estômago que mexe connosco. É daqueles começos que não se esquecem e que deixam a pergunta inevitável: como é que eles vão sair dali?
O primeiro episódio da minissérie Task já está disponível na HBO Max. Os restantes seis sairão semanalmente, às segundas-feiras.