As primeiras impressões da aguardada prequela Outlander: Blood of My Blood, da Starz, são mornas. A série tem qualidade, mas perde parte da originalidade e frescura da série mãe, porque no fundo nada aqui é verdadeiramente novo.
O primeiro episódio de Outlander: Blood of My Blood, à semelhança do da série original, é longo e parece quase um filme. O início transporta-nos de imediato para aquela época. Outlander há muito que tinha abandonado a Escócia, perdendo assim grande parte do seu encanto, por isso regressar a esse mundo e a esse tempo traz um toque de saudosismo: ouvir o sotaque, o gaélico, as músicas, ver o guarda-roupa, os modos de viver e aquelas paisagens desperta boas memórias e deixa-nos embebidos no espírito. No entanto, esse encanto inicial dura pouco. Para manter o interesse era preciso mais: uma história verdadeiramente cativante e personagens que nos prendessem. Isso parece nunca vir como deveria.
Não é culpa dos atores, que cumprem bem o papel. Aliás, merece destaque o excelente casting: dos quatro atores – Jeremy Irvine, Harriet Slater, Hermione Corfield e Jamie Roy – que interpretam os pais de Claire (Caitriona Balfe) e Jamie (Sam Heughan), em três deles as semelhanças físicas são tão fortes que poderiam ser mesmo familiares, com uma boa dose de uma ótima caracterização, claro. Também não é problema do argumento em si, que cria a tensão e intriga necessárias. A questão é a falta de novidade: muitos personagens são versões mais jovens de figuras já conhecidas ou pelo menos mencionadas e, por isso, já sabemos em linhas gerais o que lhes acontece. Há uma ou outra revelação, claro, mas dei por mim um pouco aborrecido e isso não é um bom sinal numa série passada na Escócia do século XVIII, uma época tão rica e tumultuosa.
Também achei estranho que, num episódio tão longo, só víssemos a Escócia do século XVIII, quando seria natural que a narrativa fosse entre-cortada com o século XX. Mas nos minutos finais chega a parte realmente interessante: vemos então os pais de Claire e aí a série mostra o outro lado em que Outlander sempre brilhou, para além do magnífico contexto histórico. A reta final trouxe reviravoltas e surpresas e terminei o episódio a querer ver o próximo.
No balanço, ficou um episódio que poderia ter sido melhor porque nos perde um pouco a meio, mas consegue recuperar e acaba por nos agarrar, tal como aconteceu com o piloto de Outlander há tantos anos. Vou dar mais uma oportunidade a Outlander: Blood of My Blood, pois está longe de ser uma má série, e ver então em que pé ficamos: se vamos estar sempre a olhar para o relógio ou se, pelo contrário, perdemos a noção do tempo.
Em Portugal, vamos ter a oportunidade de ver Outlander: Blood of my Blood no AXN, a partir de 6 de janeiro de 2026, pelas 22h. Importa também referir que a série já foi renovada para uma 2.ª temporada.