Classificação

7
Interpretação
7
Argumento
8
Realização

[Pode conter spoilers]

Parot é a novidade mais recente da plataforma de streaming Amazon Prime Video, e o primeiro episódio, La Axcarcelación, deixa o espectador sedento por mais. 

Esta nova narrativa insere-se no estilo de thriller policial, e baseia-se superficialmente nos eventos que ocorreram em Espanha em 2013, com a libertação de Inés del Río, membro da organização terrorista ETA, inicialmente condenada por mais de três mil anos, após a anulação da Doutrina de Parot. Esta doutrina consistia na redução da pena de terroristas e violadores com base na pena definida pelo tribunal, e não com base na pena máxima em Espanha: 30 anos, o que, na prática, significa que estes criminosos poderiam facilmente passar as suas vidas inteiras na cadeia. Deste modo, diversos movimentos surgiram e várias manifestações foram levadas avante por uma população descontente, perigosa, e com medo. 

Parot conta a história de cinco homens cujos crimes variavam entre homícidios, atos de terrorismo, violações e abuso de menores. Estes, depois da anulação da doutrina, saem da prisão em liberdade. Após abandonarem o que durante anos chamaram casa, um a um, são encontrados mortos.

Isabel Mora (Adriana Ugarte) e Jorge Nieto (Javier Albalá), investigadores da polícia, ficam responsáveis pelo caso, e têm como objetivo descobrir quem são os culpados que procuram fazer justiça ou, por outras palavras, procuram vingar-se daqueles cinco criminosos.

Ao longo do primeiro episódio, somos apresentados à vida de algumas personagens através de pequenos vislumbres e memórias, com especial incidência na vida de Isabel que, mais à frente, percebemos ter sofrido na pele os crimes de um dos homens agora em liberdade.

Um dos pontos mais fortes de La Axcarcelación, para já, creio que seja a montagem – a edição das cenas e as transições causam uma ansiedade e necessidade de continuar a ver e saber mais. Uma das cenas em que isto acontece de forma mais clara é quando Isabel, na noite depois de saber que Haro (Ivan Massagué) foi libertado, tem dificuldade em dormir, e, consequentemente, decide conduzir até à casa do ex-presidiário. Na minha opinião, o desespero, o medo e a necessidade e vontade de se vingar tornam-se claros, não só pelo excelente desempenho da atriz, mas também pelos truques mágicos da equipa de montagem.

Se não tinhas programa para o fim de semana, agora já sabes o que fazer. Eu estarei em casa, a fazer o mesmo! Parot, com dez episódios já disponíveis, retrata um acontecimento histórico pouco conhecido, e promete revelações inesperadas, momentos perturbadores, e reviravoltas.

Inês Ribeiro